Institucional

Mudanças

A web, pasmem, é uma teia. Compreender isso em toda sua extensão é fundamental para qualquer um que queira fazer algo decente na rede. Não acredito em internet individualista. Se reproduzimos na web toda a herança indesejada dos meios e do comportamento “tradicional”, o que ocorre em 99% dos casos, não há sentido – ou estímulo – em permanecer por aqui.

Por isso, após um bom tempo de maturação técnica e conceitual, finalmente cheguei, creio, no ponto que queria: transformar a Revista Movin’ Up numa rede inteligente de blogs de música e o Crimideia idem, só que focado nos diversos assuntos que falo aqui e além. Temos exemplos variados de iniciativas do gênero. Umas que gosto mais, outras menos. Bem realizadas ou não: Interney Blogs, Fubap, Gardenal, Verbeat, Ops, etc.

É por aí e não é. Como idealizo, ainda não existe. E se vier a existir, nada melhor do que compartilharmos o mesmo espaço, inclusive com ações em conjunto. Cada comparsa tem seu próprio blog: conteúdo, layout, etc, beneficiando-se da rede e tudo que ela traz. A exemplo do That’s All Folk, blog de música folclórica do amigo Tiago Garcia, e do Static, de música experimental, do brother Elson, os primeiros da empreitada.

Todos ganham. O que dá para fazer sozinho, feito em parceria, resulta em algo 200 vezes melhor. Conteúdo crítico, inteligente, relevante, que dialogue entre si e, porque não, dê retorno financeiro aos participantes. Claro, isso não é “aberto ao público”.  Sites “colaborativos” que aceitam “posts de usuários”, em 99% das vezes, tratam o leitor apenas como gerador de conteúdo grátis. Força de trabalho voluntária que tem a ilusão de estar participando daquele projeto quando nunca está.

A internet (e a “blogosfera”) brasileira ainda é muito incipiente. Evoluiu muito nos últimos 5 anos. Tem 10% de conteúdo excepcional e 90% de lixo. Talvez como a blogosfera de todos os países do mundo. Normal. O índice de inatividade é assustador. Mais que “ter um blog”, é necessário gente com tesão pelo que está fazendo. Com a capacidade suficiente para fazer algo além da média. Não ter receio de se apresentar.

Porque escrever é estar vulnerável. Ainda mais na web, campo onde se prolifera infinitamente uma estupidez coletiva e agressividade gratuita assustadora. Ao mesmo tempo em que oferece, em parte, as condições para um “ideal humanista” – liberdade? igualdade? poder de comunicação intrínseco? – ainda cambaleante.

Nos 10 anos como usuário e nos 7 como produtor de conteúdo, em diversas casas e projetos diferentes, creio que aprendi o suficiente para lançar algo com a pretensão de agora. E, óbvio, os “n” debates, discussões, artigos, livros, encontros, relações, amizades, foram e são fundamentais para consolidar e aperfeiçoar isto.

Literalmente, cresci na tal “geração web”. O que significa “apenas” que minha vida foi definida, em grande parte, pelo que ela me proporcionou. Muito do melhor que tenho hoje e do que vivi foram através dela. Caindo no clichê definitivo: a web é instigante, inteligente, desafiadora e imbecil, covarde, maçante, injusta e fechada na mesma medida em que é a vida.

A parte que vale a pena sobrepuja todo o resto. É o que importa. E em algum lugar no meio desse maniqueísmo está, talvez, o ponto certo pra começar.

Espero, pra já, num eterno e saudável work-in-progress, transformar os portais em dois links que valham (muito mais) o tempo e a atenção de quem acessa. Conheço muita gente boa. Gente que, longe do porto seguro (argh) da opinião fácil, a chapa branca e a cátedra do lugar comum, tem tinta relevante na pena. E na cachola. Sem dúvida conhecerei outros.

Morrer de inanição é muito pior que fracassar pelo desejo. E se ele vem acompanhado duma base razoável, começamos a pavimentar. A crimideia central aqui é o próprio ato de querer fazer algo decente na web. It’s a hard road? Nem tanto.

Afinal, como diz o mestre: we’re gonna rule the world, don’t you know, don’t you know, we’re gonna put it together!

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Crimidéia Podcast

No ar a primeira edição do podcast Crimidéia!

Confira: www.crimideia.podomatic.com

Crimidéia é um termo surgido da obra “1984”, de George Orwell, e simboliza aquilo que ia de encontro às idéias do Partido, do estabelecido, o imposto e o ordinário. Crimidéia é desafio, autenticidade, ousadia.
O Podcast fala não só de música mas também de outros temas como literatura e comportamento permeados dentro da crítica musical. Confira!
Músicas desta edição:

Nuda – Deus, às Estéticas
Rufus Wainwright – Poses
Morcheeba – Au Dela (Feat. Manda)
Wilco – On And On And On

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Novo Domínio

A partir de agora, todas as matérias – principalmente – sobre música serão transferidas para o domínio “Revista Movin’ Up”, que agregará um novo conteúdo atualizado diariamente com notícias locais e internacionais, resenhas, entrevistas, enfim, sendo uma extensão da minha coluna no Whiplash!, bem como o endereço onde está reunido todos meus contatos e este novo projeto, ainda preliminar, tendendo a sofrer modificações com o tempo. Te vejo – também! – por lá!. Obrigado.

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