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O testamento da NBA contra o racismo

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A NBA, especialmente na gestão de David Stern, que acabou de se aposentar do cargo de comissário que ocupou de 84 até recentemente, dando lugar a Adam Silver, tornou-se uma potência mundial, ajudada pela melhor geração de jogadores da história da liga: Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Shaquille O’Neal, Hakeem Olajuwon, Reggie Miller, Charles Barkley, Karl Malone, John Stockton, e tantos e tantos outros que reinaram entre as décadas de 80 e 90.

Com Stern, a NBA tornou-se a liga americana mais famosa, assistida e respeitada no mundo. Mais de 215 países acompanham a liga, que acumula quase 1 bilhão de views em vídeos no YouTube desde 2005 e mais de 300 milhões de followers e fans em redes sociais como Facebook e Twitter. Mais de 50% da audiência da liga é de fora dos EUA.

O fenômeno global que se tornou a NBA, portanto, especialmente com Michael Jordan (e, hoje, Lebron James), uma liga formada majoritariamente por negros, tem papel importantíssimo em combater o racismo, servindo não só de símbolo de ascensão social, como de respeito, de “role model”, de representação na mídia, de poder, de igualdade.

Donald Sterling, V. Stiviano

Esta semana, Adam Silver reagiu de forma veemente contra as acusações de racismo ao dono do Los Angeles Clippers, Donald Sterling. O TMZ vazou a gravação de uma conversa de Sterling com a namorada – uma mexicana negra, diga-se – dizendo que “não quero negros nos meus jogos” e recomendando que ela “evitasse ser vista publicamente com esse tipo de gente”, comentando sobre uma foto que ela postou no Instagram ao lado de Magic Johnson.

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Óbvio, toda a liga reagiu. Michael Jordan, que além de maior estrela da história da NBA também é dono do Charlotte Bobcats (que será Charlotte Hornets em 2015), Magic, dezenas de jogadores, mídia, patrocinadores, etc. Agindo rápido, a resposta foi duríssima: a NBA investigou o conteúdo das gravações para confirmar se a voz era mesmo de Sterling, confirmou e Adam Silver anunciou em coletiva que o dono do LA Clippers está banido para sempre dos jogos da equipe e de qualquer envolvimento nas atividades da equipe, multou Sterling em 2.5 milhões de dólares, o máximo permitido pela constituição da NBA e, além disso, anunciou que irá forçar Sterling a vender o LA Clippers.

Claro, isso não irá fazer com que Sterling deixe de ser bilionário (ele comprou o Clippers em 81 por 12 milhões e hoje a equipe vale aproximadamente 575 milhões). Mas a mensagem é clara: não queremos você envolvido com a nossa liga, é inadmissível que alguém com essa postura faça parte da nossa organização.

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É uma aula para qualquer liga de esportes profissionais do mundo. Um exemplo de administração e respeito para todo o mundo. No futebol, seja por racismo – e os acontecimentos esse ano no Peru contra Tinga, do Cruzeiro, episódios de violência, por qualquer coisa – a Conmebol sempre foi uma nulidade absoluta. A CBF, a UEFA e a FIFA também não ficam muito atrás. Na Espanha, o recente episódio envolvendo Daniel Alves, extensamente comentado – e alvo de aproveitadores da pior espécie como Luciano Huck – também não gerou nem deve gerar sanções graves, exceto para o autor da ação. Na Itália, episódios de racismo são extremamente comuns há muito tempo.

Com a decisão da liga e de Adam Silver, a NBA dá um testamento para toda a comunidade esportiva do planeta. Episódios do tipo nunca devem sair por menos.

Recomendado:

The Last Day Of Old NBA

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O número 1 que detestava o tênis

ANDRE AGASSI

Andre Agassi é honesto em sua autobiografia. Um dos tenistas mais vencedores – e controversos e midiáticos – da sua geração, Agassi não esconde quase nada nas 500 páginas do livro. Rica em detalhes – e, por vezes, repetitiva – Agassi inicia pelo fim, com um relato impressionante da sua penúltima partida, aos 36 anos, contra Marcos Baghdatis, no US Open de 2006. Ali, velho, se contorcendo de dor e mal conseguindo ficar em pé, precisando de injeções de cortisona, Agassi encerrava uma trajetória de mais de 20 anos de carreira, de um tenista em que, por inúmeras vezes durante o livro, ressalta o quanto sempre detestou o tênis.

O ódio de Agassi tem explicação: a figura draconiana do pai, Emmanuel Agassi, engenheiro iraniano, ex-lutador de boxe, que levou a família para Las Vegas, fanático por tênis, que obrigou o pequeno Agassi a rebater bolas desde os primeiros anos de vida. Construindo um lançador de bolas mais alto e mais veloz que o habitual, que Andre apelidou de “o dragão”, Emmanuel leva o filho a rebater continuamente bolas até a exaustão, apostando em Andre o que não conseguiu com os filhos mais velhos: transformá-los em campeões do tênis.

Agassi conta detalhadamente seu sofrimento e o quanto gostaria de jogar um esporte coletivo, para dividir a responsabilidade, ou simplesmente fazer outra coisa da vida. Adolescente, Agassi é enviado para a Bollettieri Academy, onde se amontoa com outros meninos aspirantes a grandes tenistas, como Jim Courier, outro que se tornaria número 1. Ali, Agassi desenvolve a sua “rebeldia” – cabelos compridos e pintados de rosa, brincos, shorts jeans no início da carreira profissional – tudo uma maneira que o ainda menino encontrava para simbolizar sua insatisfação em ser escravo do esporte. No fim, é o que continuou fazendo porque era a única coisa que sabia fazer, afirma Agassi.

Seus primeiros torneios maiores e suas partidas contra lendas que estavam no fim da carreira, como Jimmy Connors e Bjorn Borg, são ótimas, assim como ele descreve a sensação depois de cada derrota ou vitória, de cada mudança no seu preparo físico – em especial a entrada em cena do treinador Gil – e sua rivalidade crescente contra Pete Sampras (que se tornaria um dos maiores de todos os tempos, com 14 Slams e contra quem Agassi sempre foi, majoritariamente, freguês), Jim Courier, Michael Chang (que ele parece detestar sempre que o cita, inclusive afirmando “de todos os tenistas, o único que não poderia vencer um grand slam antes de mim era Chang”, o que acabou acontecendo, em 89, aos 17 anos em Roland Garros, o mais novo da história), Boris Becker, Ivan Lendl, Stefan Edberg, Patrick Rafter, Kafelnikov e outros.

Durante o casamento com Brooke Shields, o ponto mais baixo da sua carreira (em que chegou a usar metanfetamina e cair para o número 141º do ranking, voltando a disputar torneios de challenger, a categoria mais baixa do tênis), Agassi mostra o quanto seu foco estava em todas as outras coisas menos no tênis, o quanto o estilo de vida da companheira não casava com o dele e como as coisas degringolaram rápido.

Logo após o término do casamento, Agassi foi correndo dar um jeito de se aproximar de Steffi Grafi – a maior tenista de todos os tempos, com 22 Slams – com quem acabaria se casando depois e com quem está junto até hoje, pai de 2 de filhos, voltando a se dedicar ao tênis, o que culminaria nos títulos do Aberto da França e do US Open em 1999, o melhor ano de Agassi, quando retornou ao posto de número 1 do mundo. Agassi conquistaria outros três Slam, em 2000, 2001 e 2003, todos na Austrália, chegando a ser o mais velho com o posto de número 1 da Era Aberta.

Os detalhes do jogo, do aspecto mental – Agassi admite inúmeras vezes suas fraquezas, o quanto se perdia mentalmente nos jogos, entregando partidas fáceis e complicando outras tantas – a escola que fundou com Grafi, suas conturbadas relações familiares e a importância dos amigos próximos. Agassi escreve bem, para além da história fantástica que sua própria vida representa.

É uma autobiografia reveladora, impactante, de um cara que foi um dos principais jogadores do que ele definiu, com justiça, o esporte mais solitário do mundo.

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Flamengo Hexa é o filme do ano

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Minhas sinceras reverências ao Gustavo, no mínimo um gênio pelo que fez. O retrato mais belíssimo do que foi essa conquista e do que é ser Flamengo. Assista em HD, tela cheia, por favor.

O filme do ano. Simples assim.

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A trajetória do hexa rubro-negro

O vídeo acima, magistralmente editado, mostra em detalhes a cronologia dos 8 meses de campeonato, a conquista do título e diversos acontecimentos importantes. Essencial. Fazendo uma organização de prima:

A consagração e o hexa com a vitória sob o Grêmio no Maracanã.

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Flamengo Hexacampeão Brasileiro de Futebol

Tinha que ser sofrido. Na raça. Na bola. Flamengo venceu seu sexto título brasileiro com postura de campeão pelo menos desde o segundo turno. Quando Álvaro e Maldonado chegaram, acertaram a defesa, até então muito vazada (terminou como a segunda melhor) e Andrade assumiu o time. 10 jogos consecutivos sem derrota e apenas 3 derrotas no segundo turno (em 19 jogos), somente uma depois da, digamos, reestruturação. Venceu São Paulo, Atlético Mineiro em casa e fora, Internacional, Palmeiras fora. Os clássicos. Foi o time com maior número de pontos entre confrontos com os chamados “grandes”. 40 dos 67 pontos foram contra adversários fortes. Muito mais que qualquer outra equipe.

Andrade merece um parágrafo a parte. Um dos maiores ídolos, um dos maiores ícones da história do clube, sofreu pela timidez, a humildade, até ser finalmente (e a contragosto)  reconhecido. Cuca, desagregador, instável, sem o mínimo de confiança, foi embora e deixou a oportunidade para quem estava sedento trabalhar. Andrade, sem 1% da marra, das desculpas, do estrelismo de boa parte dos técnicos badalados e mercenários desse país, deu a estabilidade que o time merecia. A conversa no pé do ouvido. O respeito dos jogadores. O conhecimento de futebol. A vivência extrema dentro do clube. O primeiro técnico negro campeão brasileiro. O esportista, dentre todos, com maior número de títulos, aliás: 6. Ele e Silas só não instauram um novo padrão de técnicos no Brasil porque não há tanta gente boa por aí. Mas as coisas começam a mudar (talvez).

A base do Flamengo está montada há três anos. Desde 2007 o time vem chegando na ponta do Brasileiro e manteve jogadores daquela safra: Bruno, Ronaldo Angelim, Juan, Léo Moura, Toró. Willians, contratado sem pompa, foi o carrapato da defesa, o maior roubador de bolas, o mestre de obras do meio campo. Andrade recuperou a confiança e o futebol de Zé Roberto que, segundo o próprio, já contava os dias para deixar a Gávea, só pensava na próxima temporada e até foi empurrado pela diretoria para outros times durante o campeonato (Cruzeiro, Palmeiras). Transações felizmente fracassadas.

Adriano, imperador, fez jus ao talento, ao nível muito acima da média e cravou a artilharia sem muita dificuldade. Um autêntico pivô que mesmo quando não marcava era fundamental. O desacreditado Petkovic, que veio para saldar dívida, começou a jogar de verdade, no clube onde é ídolo, onde se sente bem, após ser maltratado em outras praças: Atlético/MG, Santos, etc. Liderança dentro e fora do campo, cobranças precisas, atuações memoráveis. O craque do campeonato. Quem diria. Bruno encontrou estabilidade, fez defesas mágicas, pegou penaltis fundamentais em jogos decisivos.  Poder de decisão, encarar os clássicos e momentos chave com seriedade, vontade, tesão, bola no pé.

Torcedores de times rivais que realmente gostam de futebol não cansaram de exaltar que o único time que merecia ganhar o campeonato era realmente o Flamengo. Colorados, tricolores, atleticanos e por aí afora. Superando a rivalidade, a raiva, a inveja, os ânimos exaltados, o Flamengo foi o time que mais encantou, vibrou, conquistou, fez por merecer.

O hexa é o título tão sonhado, tão desejado há anos (17) por sua torcida. A carência, imensa, chega ao fim. Recoloca o clube no lugar onde sempre esteve e deve estar. A esperança é que isso leve à criação de infra estrutura e um projeto profissional para o futebol. Dá orgulho ter acompanhado todos os jogos desse campeonato, todas as fases, torcer para um clube capaz de fazer o que fez. De fazer parte da torcida mais maravilhosa do mundo. No Maraca e em todo lugar do planeta, no futebol, no basquete, ter um grupo de torcedores do Flamengo reunido, por menor que seja, é um pequeno exemplo do quanto essa torcida é diferenciada, apaixonada, vibrante.

Obrigado a todos que fizeram parte da campanha. O orgulho eterno de ser rubro-negro fala alto. A quem não sabe o que é isto só resta o recalque, a inveja. A resposta, sempre, é dada no campo. Vamos comemorar o título mais que merecido. Festa na favela. O Brasil pára de forma única, como não párava há tempos. Só um time é capaz de causar isto com tamanha magnitude. Finalmente, venceu o melhor.

UMA VEZ FLAMENGO, SEMPRE FLAMENGO

HEXACAMPEÃO BRASILEIRO DE FUTEBOL

1980, 1982, 1983, 1987, 1992, 2009

Textos selecionados sobre a conquista na tag “hexa” no Delicious, aqui.

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Pra torcida do Sport e pro eterno chororô (dos adversários) sobre o “penta”

Essa pra quem adora discutir, sem saber p * nenhuma, a eterna questão do campeonato brasileiro de 87, vencido pelo Flamengo. No post anterior aqui no blog, do ano passado, explicando a querela, a torcidinha do minúsculo leão esturricado do norte, adora comentar baboseira.

O colega Rica Perrone detonou, brilhantemente, de uma vez por todas, essa história. Completinha aqui. Sem mais.

SRN.

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Previsões para as últimas rodadas do Brasileirão

Sem maiores comentários, acredito que o título ficará entre Flamengo e São Paulo. Para isso, no entanto, o Flamengo terá que vencer os 4 jogos restantes. Qualquer empate ou derrota quase entrega o tetra nas mãos do tricolor paulista, considerando que o SPFC empata os dois jogos fora: contra Botafogo e Goiás.

Fiz as previsões levando em conta resultados possíveis, nada além da curva. Não me preocupei também com o placar exato, apenas o que eu acredito que pode acontecer em cada jogo: vitória, empate ou derrota.

Acreditando no Flamengo, deu Fla campeão, SPFC sem segundo, Atlético e Palmeiras na Libertadores, e…Botafogo e Fluminense escapando do rebaixamento! O que seria o melhor fim de ano possível para o futebol carioca. Veremos.

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