Esportes

NBA aprova uso de replays em jogadas polêmicas

2003-0709-nba

Juntando-se ao tênis e ao “futebol americano”, que já permitem o uso de replays para tirar dúvidas em jogadas polêmicas, a NBA anunciou que a partir da próxima temporada (2008/2009), que começa hoje, os árbitros poderão fazer uso do recurso para esclarecer lances e questões duvidosas. A decisão foi tomada pelos dirigentes de todas as franquias da liga. Leia mais aqui.

Discussão antiga no futebol, que reluta em adotar tais “novidades tecnológicas” para não manchar “a magia” do jogo, a NBA, em contrapartida, ajuda a colocar outro ponto a favor de recursos do tipo. Pra mim, em nada estraga a dinâmica e a essência do jogo, sendo coisa de toperas nostálgicas defender a não-adoção com a total falta de argumentos, a não ser misticismos e coisas do gênero. Afinal, ver um time vencer o outro de modo desonesto não é nada “bacana” e “legal”. E dado o nível medonho dos árbitros brasileiros, uma medida assim pelo menos ajudaria a corrigir os absurdos.

Padrão
Política & Economia

Eleições em BH e a briga de foice

dois

Dizem, que, no interior, as coisas se resolvem é na foice: por experiência própria, posso atestar que isto não foge muito a realidade. Mas não é preciso ir em cidadezinhas com 8 mil habitantes para presenciar coisas do gênero: Belo Horizonte, com seus 3 milhões de pessoas, uma das maiores metrópoles brasileiras, oferece “causos” muito mais interessantes.

O que se viu no segundo turno da eleição mineira foi todo tipo de baixaria que a política costuma proporcionar, ajudada pelo “raí-téqui” da internet. Márcio Lacerda, PSB, o “candidato da aliança”, apoiado pelo governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel (extremamente populares e bem avaliados) e Leonardo Quintão, PMDB, uma figura prosaica (ha ha), deputado federal, proporcionaram momentos no mínimo burlescos para quem acompanhou a campanha. De um lado, um empresário com parca experiência política e nenhuma intimidade com as câmeras, que esperava ganhar direto no primeiro turno (e não se preparou para o segundo), e do outro um deputado com “estilo” que só estas terras poderiam proporcionar, família política e usando de um discurso piegas e manjado para tocar os mais estúpidos de sua “humanidade”, etc e tal.

Cartazes apócrifos – sem assinatura e identificação – espalhados pela cidade tentaram de todas as formas ligar Márcio Lacerda ao Mensalão. Os tipos variaram: “entenda Márcio no Esquema”, “o candidato mais rico do Brasil”, “procura-se mensaleiro”, etc. Na propaganda na TV, Quintão tentou veicular parte de um depoimento de Marcos Valério a CPI, falando sobre Lacerda, devidamente impedido pela Justiça. Praticamente toda a campanha do segundo turno de Quintão se baseou em tentar, de todas as formas, ligar Lacerda ao Mensalão, para manchar a imagem do candidato ante os eleitores.

procura-se-mensaleiro

Lacerda, obviamente, se defendeu na TV, em debates e folhetos espalhados a quilo pela cidade, mostrando que foi inocentado de todas as acusações e o próprio Valério disse que ele não teve ligação direta alguma com o escândalo. Nos debates promovidos nesta última semana, os candidatos só faltaram “sair na porrada”. Era um tentando provar que era mais ridículo que o outro. Na internet, dois blogs, um Anti-Quintão, o outro Anti-Lacerda, trocaram todo tipo de farpas, e disponibilizaram diversos “joguinhos” onde é possível brincar com os candidatos: de chutar, atirar em suas cabeças, e por aí vai – uma nova modalidade de interação política.

Quintão, nascido em Taguatinga – DF, adotou sotaque mineiro extremamente carregado e um discurso populista, com seus slogan’s “Gente Cuidando de Gente” e “Dá Pra Fazer”. E foi ironizado de forma magistral por Tom Cavalcante, no vídeo abaixo, que se tornou hit no YouTube.

httpv://www.youtube.com/watch?v=UdrcDp5TEK4

Outra série de acusações ligando, desta vez, Quintão a esquemas de lavagens de dinheiro intermediados por Paulo Maluf e Celso Pitta vieram a tona, através do Correio Braziliense e outros veículos. Há que se lembrar que o Correio é do grupo Diário Associados, que publica também o Estado de Minas, maior jornal do estado e, sabidamente, ligado ao governador Aécio Neves. Nada mais natural que alguém se encarregasse de investigar podres no passado de Quintão e revelar isto ao público.

Nas pesquisas, Márcio saiu de uma prévia, em 15 de Outubro, de 33 pontos, contra 51 de Quintão, para terminar, na última, vencendo por 45 a 40 (tecnicamente empatados).

Tendo o desprazer de acompanhar o ridículo e o odor desagradável desta última semana, é difícil dizer qual dos dois é pior. Minha antipatia por Quintão, flagrantemente forçado e patético, contudo, é maior. Mas se fosse votar, sem dúvida que meu voto seria nulo.

Vou repetir isto ao máximo que puder: democracia com voto obrigatório é uma piada de mal-gosto. Um crime. Nunca tivemos democracia no Brasil e dificilmente vamos ter.

Para Belo Horizonte a certeza que fica é que, independente de quem vença neste domingo, a cidade estará em péssimas mãos. Salve-se quem puder.

Uptadate: Com todos os votos apurados, o resultado foi:

screenshot168

Por regiões da cidade:

Zona Sul

MARCIO LACERDA (PSB)

69,58% 250.912 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

30,42% 109.680 votos

Eleitores na zona:511.502
28,86%

Zona Centro

MARCIO LACERDA (PSB)

61,75% 93.779 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

38,25% 58.092 votos

Eleitores na zona:209.561
11,82%

Zona Norte

MARCIO LACERDA (PSB)

56,32% 129.401 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

43,68% 100.352 votos

Eleitores na zona:306.891
17,32%

Zona Leste

MARCIO LACERDA (PSB)

53,46% 108.295 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

46,54% 94.284 votos

Eleitores na zona:267.267
15,08%

Zona Oeste

MARCIO LACERDA (PSB)

52,38% 184.945 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

47,62% 168.152 votos

Eleitores na zona:477.006
26,92%

Eleitorado
1.772.227

Seções
4.059

Eleitorado apurado
1.772.227 (100.00%)

Seções totalizadas
4.059 (100,00 %)

Comparecimento
1.457.208 (82,22 %)

Abstenção
315.019 (17,78 %)

Votos válidos
1.297.892 (89,07 %)

Votos em branco
51.335(3,52 %)

Votos nulos
107.981 (7,41 %)

Para quem esperava uma eleição equilibrada, o resultado foi um massacre de Lacerda. Prova de que terrorismo político – muitas vezes – tem o efeito contrário. Dos dois, ganhou o que repudio menos. Confira o resultado oficial da sua cidade neste link.

Padrão
Política & Economia

O corte da Opep e o capitalismo sem rumo

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), anunciou que vai cortar a sua produção diária em 1,5 milhão de barris, para tentar frear a queda livre dos preços do barril de petróleo – que chegou a 147 dólares em julho e agora está cotado a US$ 70.

A grande ironia da brincadeira toda são os paradoxos em que a crise mundial tratou de afundar o capitalismo. Sob a lei única e soberana do mundo – “ter lucro sobre todas as coisas, independente do que for necessário para isto” – é claro que a queda do preço do petróleo atinge diretamente o bolso dos 13 países que formam o cartel da OPEP. Fora isto, o barateamento do óleo negro é, em contrapartida, mais interessante para a maioria dos países do mundo, especialmente os pobres. Também é “ruim” para o Brasil, um dos maiores produtores mundiais.

Considerando a margem de lucro absurda sob a qual trabalham em cima, o último recurso da OPEP foi sabotar a produção, forçando descaradamente uma queda da oferta do petróleo no mercado, para tentar assim alavancar novamente o seu preço. Sendo que, até poucos meses atrás, como dito, a cotação do barril batia recordes e o petróleo era (e ainda é) uma das maiores preocupações globais para as próximas décadas, em preço e escassez.

O que a socialização da desgraça promovida pelos governos estadunidense e europeu – fazendo os contribuintes pagarem duplamente pela incompetência dos bancos e mercado financeiro – exprime é, sobretudo, que nós não podemos continuar vivendo sob os mesmos padrões em que estávamos. Que o modelo estadunidense, o american way of life, do consumo desenfreado em larga escala, que produz 3 vezes mais lixo diário que outros países desenvolvidos e 5 vezes mais que nações médias, não pode, afinal, ser a meta de existência de cada um.

Toda notícia de redução de lucros e queda na produção é tratada com imenso pesar e cria-se um novo apocalipse, como se isto fosse o sentido de continuar vivendo. Não é. E mais importante: salienta que diminuir o ritmo do “progresso” e “avanço” – que muitas vezes não passam justamente do contrário – é fundamental para qualquer um que tenha bom senso. Se os índices de lucro e produção continuarem a terem que ser batidos trimestre após trimestre, ano após ano, onde vamos parar? Ainda mais afogados na miséria e no nosso próprio lixo, real e abstrato: outro paradoxo.

O corte da OPEP só ressalta que o capitalismo, coitado, não sabe o que fazer. Está cantando, lamentando-se como a clássica canção de Maysa: “meu muundoo caiu”. E como diz a letra, nós que aprendamos a nos levantar.

Padrão
Filmes

Sombras de Goya

Goya’s Ghost – Milos Forman – 2007 – ****

Traduzido no Brasil como “sombras de Goya” – no caso eu preferiria a tradução literal “fantasmas de Goya” – este filme do cineasta tcheco Milos Forman foi estranhamente ignorado pela crítica e pela Academia (merecia, no mínimo, várias indicações ao Oscar). Forman tem carreira bem peculiar dentro do cinema estadunidense. Desde “Um Estranho No Ninho” (vencedor absoluto em 1975), passando por “Hair”, “Amadeus”, “O Povo Contra Larry Flynt” e “O Mundo de Andy” – não vi “Ragtime” e “Valmont” – o diretor tornou-se um dos nomes mais relevantes do cinema.

“Sombras de Goya”, ambientado na Espanha em 1792, tem uma direção de arte primorosa e fotografia eficiente, criando as texturas adequadas para os diversos cenários da estória. Além disso, os três protagonistas, Javier Bardem, Natalie Portman e Stellan Skarsgard estão ótimos. É impressionante a transformação que fizeram em Portman após anos no cativeiro (a menina está se acostumando a passar por torturas em filmes, como vimos em “V De Vingança”).

Como um escorregão histórico imperdoável, a película tem o vício de ser falada em inglês (isso na Espanha de 1792!). Óbvio que a opção facilita não só para os atores mas para o circuito comercial do filme nos Estados Unidos e mundo afora, mas não dá para ignorar. Focado na Inquisição da Igreja Católica, conflitos de poder, familiares e questões internas dos personagens, “Sombras de Goya” ilustra o quanto a Igreja Católica é a instituição mais asquerosa, hipócrita, corrupta e abjeta da história humana (como se fosse necessário). Para mais detalhes recomendo o livro “Escandâlos Reais”, de Michael Farquhar, que tem fatos contundentes sobre alguns papas, como também de várias linhagens reais – detalhes ligados diretamente ao filme de Forman, portanto.

Vasculhando novamente na obra de Farquhar, achei, na página 279, trechos do “Livro Dos Mortos”, o “guia para os inquisidores” da Igreja Católica na época. Reproduzo aqui as passagens, importantes para a ambientação de uma das principais partes de “Goya’s Ghost”:

“Ou o sujeito confessa e tem sua culpa comprovada por força de sua própria confissão, ou não confessa e é igualmente culpado mediante a evidência dos testemunhos. Se alguém confessa a totalidade daquilo que é acusado, sua culpa por tal totalidade é inquestionável: contudo, se confessa apenas uma parte, deve ainda sim ser considerado culpado de tudo, uma vez que o que confessou prova sua capacidade de ser culpado dos demais pontos da acusação. (…)

“A tortura corporal sempre foi considerada o mais salutar e eficiente meio de levar à penitência espiritual. Assim sendo, a escolha da forma mais conveniente de tortura cabe ao Juiz da Inquisição, que deve determiná-la conforme a idade, o sexo e a constituição do réu. (…)

“Se, não obstante todos os meios empregados, o infeliz miserável insistir em negar sua culpa, deverá ser considerado vítima do demônio – e, como tal, não merece a menor compaixão por parte dos servos de Deus, nem a piedade e a indulgência da Santa Madre Igreja; trata-se de um filho da perdição. Deixem-no perecer em meio aos condenados.”

Creio que o conteúdo fala por si…

Pesado, “Goya’s Ghost” tem algumas reviravoltas atravessadas, num roteiro mal-acabado e edição confusa. Ainda assim, são falhas que não comprometem o todo, sendo outro grande filme de Forman, que merece muito mais atenção do que a que recebeu.

Padrão
Esportes

Análise do Flamengo no Brasileirão 2008 (até agora)

Feita a crônica da minha relação com o Flamengo e um panorama do futebol em si, é hora de irmos direto ao Brasileirão 2008.

Friamente, o Flamengo irá perder para si mesmo. E não, isto não é uma constatação de um torcedor fanático que não admite a derrota pura e simples. Após a torcida ter carregado o time nas costas em 2007, levando-o a conquistar uma vaga na Libertadores, o Flamengo começou o campeonato em 2008 avassalador, com a melhor campanha de uma equipe no Brasileirão de pontos corridos até 11º rodada, quando venceu o rival Vasco no Maracanã por 3 x 1 e deixou os analistas com a certeza de ser o favorito ao título. Até aquele momento o time tinha 8 vitórias, 2 empates e uma derrota, tendo o melhor ataque e sendo líder absoluto da competição com 5 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

O time, redondo, estava sólido na defesa, no meio e no ataque – mas faltavam peças de reposição. E isto ficou evidente com as saídas de Marcinho, artilheiro da equipe, em ótima fase e um dos principais responsáveis pela campanha, e, em menor grau, de Souza, o trombador eficiente, e Renato Augusto, meia de enorme talento revelado na casa que andava cabisbaixo. Como o futebol brasileiro é fraco, amador, financeiramente limitado e refém dos clubes de fora, a janela de transferência castigou principalmente o Flamengo, que perdeu jogadores fundamentais e, mais importante, demorou muito a contratar substitutos. Pra piorar, um dos melhores meias defensivos, Klebérson e um atacante não dispensável, Diego Tardelli, se machucaram, com o segundo ficando fora até 2009.

A equipe caiu em desgraça: conseguiu a proeza de passar 7 rodadas sem vencer, com 5 derrotas e 2 empates. Muitas vezes jogava bem (como contra Palmeiras, Goiás e Botafogo), mas errava finalizações em demasia e se atrapalhava nas próprias bobagens. Podem anotar: a pontaria jogou o título pro espaço, e nestas 7 rodadas o Flamengo rasgou o hexacampeonato que, senão fácil, estava plenamente possível. O empate em 2 x 2 com a Portuguesa, por exemplo, com Ibson desperdiçando um pênalti aos 44 do segundo tempo (e o time vindo de derrotas para Coritiba e Vitória), não apenas somaria mais 2 pontos como interromperia a má fase e daria outra perspectiva para as partidas futuras.

Após passar semanas e semanas sonhando com Felipe, no Oriente Médio, e Vagner Love, na Rússia (com incontáveis viagens tentando concretizar o negócio), a diretoria passou a contratar em peso: vieram Marcelinho Paraíba, meia muito bom mas já em fim de carreira, Eltinho e Evérton, do Paraná, Dininho, pra zaga, Vandinho, do Avaí, um dos artilheiros da temporada até então, Josiel, da França, e os estrangeiros Sambueza, do River Plate, considerado muito habilidoso e Gonzalo Fierro, do Chile, outra promessa da mesma geração de Valdívia. Foi o time que mais contratou.

Além de todo o tempo necessário para estes jogadores serem regularizados, entrarem em forma e poderem ser aproveitados no time, houve algumas contusões, como a de Vandinho, e convocações para as seleções do Chile (Fierro) e Brasil (Juan), o último peça fundamental da equipe.

Mesmo fazendo uma das melhores campanhas do segundo turno, com apenas uma derrota, dentro da normalidade, para o São Paulo, o Flamengo mostrou a dependência de Fábio Luciano e Juan ao perder de forma vexatória para o Atlético Mineiro no Maracanã (17.10.08) lotado com 80 mil pessoas (maior público da competição), jogando a sua pior partida no ano e praticamente enterrando as chances de título num momento chave do campeonato. O jogo, aliás, pode ser tranquilamente comparado a outro vexame semelhante, os 3 x 0 para o América do México: mesmo Maraca, mesmo placar, mesmo público, mesma atuação pífia e inexplicável.

Dada este tiro na alma da magnética rubro-negra que iria suar sangue para lotar o estádio e levá-lo ao título milagroso, o que resta são migalhas ante o investimento feito. Das contratações, Everton teve boas atuações mas não se firmou, Vandinho é mediano e esforçado, Sambueza não foi aproveitado como deveria, Fierro não teve chances, Dininho é uma peneira, e Josiel, além de (muito) limitado está fora de forma. O único que realmente fez a diferença foi Marcelinho Paraíba, dando qualidade para um setor desestruturado. Pra piorar, Caio Júnior não é um técnico tão bom assim, fazendo pataquadas dignas de uma estupidez flagrante e Ibson lembrou que joga menos do que falam que joga.

Faltando 8 jogos e na 5º colocação com 52 pontos, a 4 do líder Grêmio, o título é algo possível mas que o time, em campo, não joga o suficiente para merecê-lo. Contra o Vasco, por exemplo, vitória por 1 x 0 diante de péssima atuação. Sendo assim, confira análise sobre o elenco e pitacos sobre as pelejas que estão por vir.

Goleiros

Bruno – Bom jogador que foi fundamental para a equipe em 2007 e também em 2008, mas com panes mentais dignas do pior frangueiro do mundo. Temporada razoável. Falha nas saídas do gol, posicionamento e reposição de bola.

Diego – Excelente goleiro reserva que deve estar cansado de amargar a posição, após anos relegado.

Zagueiros

Ronaldo Angelim – Monstro: eficiência, boa forma física e leal nas abordagens (apenas um cartão amarelo na competição).

Fábio Luciano – Capitão, imprescindível. Liderança e domínio do setor.

Leonardo – Uma piada. Quase não jogou.

Thiago Sales – Jovem. Tem potencial. Faz gols (esse ano já foram 4).

Dininho – Lamentável, afundou o time todas as vezes que entrou.

Laterais

Juan – Melhor lateral esquerdo do Brasil.

Leonardo Moura – Quando quer, joga muito. Tem dias “menos inspirados” com maior freqüência do que o desejado.

Eltinho – Risível.

Luizinho – É “inho” de mais na equipe. Futebol equivalente ao nome diminutivo.

Volantes

Toró – Ás vezes acha que está no “futebol americano”. Quando não quer aparecer e matar alguém, funciona.

Jonatas – Contratado como estrela, desapareceu. Bom jogador que nem no banco fica mais e deve estar chorando pelos cantos.

Jaílton – A besta, único remanescente da colônia desastrada do Ipatinga que veio para o Flamengo. Apesar dos pesares, foi (e é) importante mesmo com as suas limitações.

Aírton – Tem futuro. Marca bem e sabe jogar.

Meias

Erick Flores – 18 anos. Sua participação mais marcante foi um bonito drible no jogo contra o Atlético Mineiro no primeiro turno. Sem mais.

Kléberson – Devia ser mais regular. Dá segurança ao setor e sabe sair com a bola, quando necessário.

Sambueza – Mostrou que tem o que oferecer, mas ainda tímido. Não deve entrar nas loucuras de Milhouse ao ir jogar na lateral (!?!?!).

Fierro – Praticamente não teve chances. Está demorando a ser aproveitado no time.

Ibson – Jogador mediano que passou a mostrar que não joga tanto quanto acha que joga. Em dias ruins (freqüentes) é um desastre. Faltando seriedade e determinação.

Evérton – Jovem habilidoso que naturalmente tem seus altos e baixos.

Atacantes

Maxi – O primo paraguaio do Messi. Joga exatamente o que a descrição entrega.

Marcelinho Paraíba – Apesar de causar desconfiança pela idade avançada (33), foi o principal responsável pela melhora do time no segundo turno. Chegou com vontade e qualidade, tomou conta do ataque, cria, dá o sangue e marca gols. Se não bobear vira ídolo da torcida.

Vandinho – Alguma competência na finalização. Esforçado, técnica mediana.

Josiel – O tradicional trombador que, quando dá sorte, marca. O Flamengo sempre tem um desses (ou vários). Fora de forma, foi nulo até o momento.

Paulo Sérgio – Jovem, poucas chances, fraco.

Diego Tardelli – Frágil e dorminhoco, deu a sua contribuição e era opção interessante para o setor. Lesão ajudou a levar o time pro buraco.

Obina – Folclórico. 80% carisma, 20% sorte. Finalizador pífio, desperdiçou uns 115 gols feitos na competição. Apesar de, às vezes, entrar em campo com seriedade e lutar ao máximo para fazer o possível (é um brigador), sua técnica atabalhoada e principalmente a finalização sofrível estraga tudo. Devia ter sido sacado do time há muito. Sobrevive pelo carinho da torcida (já abalada). Dá sorte e de tanto insistir, acaba marcando. Apesar de tudo, é um dos principais jogadores da temporada, com 11 gols e 10 assistências.

Caio “Milhouse” Júnior (Técnico) – Perdido e desorientado, até hoje não definiu um padrão de jogo e um esquema básico para o time, principalmente no ataque, como já admitiu. Atrapalhado pela lentidão da diretoria, teve que montar o grupo durante o campeonato, fazendo mais experiências do que o saudável. Não sabe o que fazer quando Juan está fora, chegando ao absurdo de improvisar Sambueza (deixando uma avenida que contribuiu para a derrota histórica). Conseguiu descartar Jonatas, escalar Josiel sem condições e demorar a achar um espaço no time para Fierro. Não tem coragem para sacar Ibson definitivamente. Insiste em Obina pelo carisma, não pelo futebol, como disse há pouco. Um brincalhão. Dá a sorte de, mesmo não passando de um treinador mediano, preguiçoso e sem pulso, não ter ninguém no mercado brasileiro melhor que ele. Está ganhando mais do que deveria.

Márcio Braga (Presidente) e Kléber Leite (Diretoria) – Dois patetas. Maiores responsáveis pela quase certa perda do título. Sabotaram o time ao demorarem uma eternidade na contratação de reforços. Envolveram-sem em duas palhaçadas: a primeira com a Nike e a Olympikus, numa confusão digna de amadores e a outra com a Petrobras, numa relação já conturbada há tempos. Incapazes de conseguir novos e lucrativos parceiros. Nenhum dos dois poderiam estar no Flamengo, especialmente o pirotécnico Kléber, que teve um dos mandatos mais pífios e ridicularizantes da história do clube, contratando mais de 100 jogadores, estragando o centenário, se afundando em dívidas e ganhando apenas um campeonato carioca em 4 anos de administração. E Márcio Braga fala muito e trabalha pouco, além de tudo. A dupla é um câncer a ser extirpado.

Previsão dos próximos jogos

Flamengo x Coritiba (Casa) – Juan e Fábio Luciano fora a exemplo de contra o Atlético Mineiro. Considerando a peneira que o time vira nestas circunstâncias e se Caio Júnior não inventar muito, pode sair um empate. Vitória será milagre.

Vitória x Flamengo (Fora) – Precisa (e pode) vencer, devolvendo a derrota do primeiro turno.

Flamengo x Portuguesa (Casa) – Vitória. Tem obrigação de ganhar. Se não, pode fechar o clube.

Botafogo x Flamengo (Maraca) – Ganha se jogar sério.

Flamengo x Palmeiras (Casa) – Altamente motivado, deve ser um dos melhores jogos do returno. Vitória é fundamental.

Cruzeiro x Flamengo (Fora) – Jogo muito difícil, deve perder. Empate é bom resultado.

Flamengo x Goiás (Casa) – Vitória.

Atlético PR x Flamengo (Fora) – Depende da situação que chegar nesta rodada (se com chances para o título, para libertadores ou nenhum dos dois). Mas ganhar do ridículo time do Atlético PR é obrigação.

Como se vê, apesar de todos os pesares, as chances ainda são boas (não há nenhum time no Brasil, atualmente, melhor que o Flamengo). Para isso, precisam parar de errar passes, pois parece que desaprenderam (os erros aumentaram muito). Mesmo assim, o título a equipe já fez questão de jogar fora. Acredito na vaga para a Libertadores. Próxima análise após o término do campeonato. Veremos.

Padrão
Esportes

O ser Flamengo e a magnética do futebol

Eu sou Flamengo. E estas coisas não se explicam. Paixão verdadeira por um clube de futebol não tem motivo aparente. Desde que me reconheço no mundo, sou Flamengo. Ainda (muito) moleque, lembro de ter comemorado o penta brasileiro em 1992 pelas ruas de uma cidadezinha no interior do Espírito Santo, ainda sem saber direito o que estava acontecendo.

Ter um sentimento tão forte por uma equipe de futebol é uma daquelas coisas idiotas e sem sentido que você não consegue se livrar. Afinal, em tese, pela razão, não tem influência nenhuma na sua vida. E, como diria o meu avô, você se mata por meia dúzia de milionários que ficam lá correndo atrás de uma bola. Ele tem razão. O salário de um mês de um grande jogador do Flamengo atual deve ser o equivalente aos ganhos de milhares de flamenguistas juntos num único ano.

É o time do povo. Da favela que desce em peso pro Maracanã. Do cara humilde com dois dentes na boca que leva o filho pra ver um clássico no domingo. De gente que tem como sentido da vida deles o Flamengo. Literalmente, o Flamengo é a vida do cara. Temos a maior torcida do mundo: 35 a 40 milhões de pessoas. Tombada pela prefeitura do Rio de Janeiro como patrimônio cultural da cidade. Já viram isto? Repito: a torcida do Flamengo foi tombada pela prefeitura do Rio como patrimônio cultural do município. Homenagem mais que merecida.

Muitas vezes, esta é uma relação de amor não correspondido. O torcedor sofre, se importa, acompanha, colabora…e o time não corresponde, não consegue transformar isto em vitórias, em respeito a quem está no estádio. Sobretudo, porque o futebol é só um esporte. E o perder e o ganhar é parte inerente – longe de uma equação simples ou factual – da essência do jogo. Você fica puto, fica feliz, desiste, volta a acompanhar, se revolta, finge não se abater, vibra, xinga, se conforma, gasta horas pensando nisso, não assiste mais aos jogos, vai ao estádio…no clichê pelo clichê, é a montanha russa de fases e emoções que todo relacionamento possui. Com a certeza de que será pra vida toda. “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”.

Na verdade, torcedor “vira-casaca”, pra mim, não é torcedor. Nunca foi e nunca será. Dou risada quando me perguntam: “ok, e em Minas você torce pra que time? E em São Paulo?”. Hã? Como assim? Como, que diabos, num estado X ou em outro, pra que time eu torço? Eu sou F-L-A-M-E-N-G-O. No Espírito Santo, onde nasci, em Minas, onde moro, no Sri Lanka ou na Venezuela. O resto é o resto.

Já diriam os anais da crônica esportiva nacional que o futebol é o momento onde todo brasileiro é igual. É a hora quando, não importa que classe social você pertença, seu “intelecto”, profissão, cor ou o que quer que seja, você se torna mais um hipnotizado pelo magnetismo de uma paixão, uma torcida, um estádio, um clube e uma bola rolando. Verdade inegável.

Até por isso, eu tenho pena não só de nós, torcedores, como do futebol brasileiro em si. Não dá para imaginar quanto dinheiro é roubado, quanta sujeira se esconde nos bastidores e quanto a péssima administração de cartolas e conselheiros caducos e sangue-sugas entranhados nas dependências dos clubes jogam o esporte pra baixo. Em termos de mercado, desconheço algo mais forte que o futebol em nosso país. E o modelo de administração do século XIX, somado ao óbvio desvio de verbas e a pura e simples incompetência e amadorismo, jogam no abismo os clubes locais, que ganhariam horrores se profissionalizando.

Imagine o que uma boa diretoria, profissionais qualificados nas diferentes áreas administrativas e um departamento de marketing decente não fariam com um contingente de 40 milhões de torcedores? É impossível um patrimônio assim, se bem gerido, dar prejuízo. O Flamengo seria o clube mais rico do mundo, e tem nítido potencial para ser.

O futebol, na pior e na melhor faceta, é, realmente, a síntese do Brasil. O que temos de mais vivo e mais podre. O único lugar onde existe memória – nas outras coisas o passado é ignorado e o que lembramos raramente vai até o ano anterior (política, economia, artes, etc, etc, etc).

Não dá pra ser brasileiro ignorando o futebol. Seria um contra-senso inexplicável. Um atestado de estrangeirismo e estupidez (tanto quanto deixar a paixão por ele o tornar cego e fanático).

Não é nisto, o futebol, que um povo e um país se resumem. Mas é impossível compreender o Brasil de hoje e sempre sem passar pelo relvado – como diria o português antigo. Eu sou Flamengo. E continuarei sendo não importa o que aconteça. Vocês, outros, que se degeneraram, que continuem torcendo para o clube que torcem. E que ajudem a melhorar o esporte – com todos os benefícios que vêm com isso.

Pouco temos de tão belo e essencial.

Padrão
Esportes

Brasil conquista o hexa do mundial de Futsal

Foto: Terra/AFP

Em jogo nervoso, como era de se esperar, cheio de cautela, o Brasil conquistou o hexa campeonato mundial de futsal, considerando os dois títulos ganhos na época em que o torneio era organizado pela Fifusa. Franklin, goleiro reserva e jogador mais experiente da equipe, defendeu dois penaltis e foi considerado o grande “herói” da vitória contra a Espanha – quebrando a hegemonia européia conquistada na última década.

Além da óbvia recuperação do prestígio que o título proporciona, consagrando a geração de Falcão e cia, o hexa, em casa, serve de grande impulso para o incentivo do esporte no país, tanto dos praticantes mas principalmente midiático e, quem sabe, para uma nova liga nacional melhor organizada. É torcer.

Padrão