Archive for janeiro, 2009

Para entender a crise…

Um universo de acontecimentos se sucederam desde que eu escrevi o primeiro artigo, Requiem Para Um Pesadelo, sobre a crise mundial, em setembro passado. O quadro atual carece de um novo artigo que, espero, não vou demorar a escrever.

Dentre os milhares de “analistas” que se esforçam em ilustrar o que esse caos todo representa, somente alguns vale realmente a pena ler. Daniel Delfino é um deles. Amigo, companheiro e ex membro do time de articulistas do Duplipensar em sua fase áurea, digamos (antes de se tornar o site poluído e duvidoso que é hoje), Delfino é um pensador de esquerda (se é que estes rótulos ainda cabem), da melhor estirpe. E tem base pra falar: é filósofo e sociólogo.

Quem não entendeu a crise, tem ótima oportunidade de compreender. Quem entende e está acompanhando, pode ver suas idéias confrontadas.

Recomendadíssimo:

A crise econômica atual - parte 1

A crise 2 - As ameaças à humanidade

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Fast-journalism tem dessas coisas…

A pressão por colocar certa notícia no ar o mais rápido possível, que atingiu o limite com a web, frequentemente leva os jornalistas a cometerem erros crassos. No esporte, por exemplo, quando o relato de um jogo é levado ao ar poucos minutos após o término da partida, as chances são grandes. Foi o que aconteceu hoje, no Uol Esporte, no texto sobre o jogo em que o Flamengo derrotou o Bangu por 2 x 1.

A partida foi extremamente movimentada nos 10 minutos finais: uma bola na trave, um gol de penalti, dois gols anulados (um do Flamengo outro do Bangu) e por fim a virada rubro-negra. Na pressa, o jornalista responsável fez o “lead” - parágrafo introdutório contando o principal do fato - quando o urubu ainda perdia por 1 x 0. Quando o placar virou, alteraram o texto, mas esqueceram de apagar o outro…confiram:

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O cliente NUNCA tem razão

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O brasileiro ainda está aprendendo muito lentamente que, como consumidor, ele tem direito a receber um atendimento em todos os níveis muito melhor do que o que ele recebe hoje. Ainda ficamos espantados sempre que conseguimos resolver algum problema sem maiores empecilhos: o que devia ser a regra torna-se exceção. Para ter sempre a mão, aí está o código. Útil porque, sob ele, não tem discussão.

A sensação que temos é que, sempre que contratamos um serviço ou realizamos uma compra, estamos vendendo parte da nossa alma. A verdade é que as empresas fazem o que querem e o consumidor tem que se virar para arcar com o que vier. Só depois, quem sabe, a custa de muita dor de cabeça e muito vai-e-vem, conseguir ressarcimento de algo.

Empresas de telefonia continuam no pódio: cobranças indevidas, atendimento deficitário, dificuldade para cancelar uma conta ou trocar de plano, etc. Mesmo com a nova lei sobre o call-center, problema que tinha se tornado uma piada de mau gosto há tempos, ainda vai levar alguns meses (com sorte) pra que isto fique minimamente aceitável. Saudade do 0800. Hoje, é difícil uma empresa ter um número gratuito com que o cliente possa falar com ela. O primeiro desrespeito. Além de pagar (e caro) pelo o que você contratou, você também tem que pagar novamente pra resolver um problema que a empresa originou, de responsabilidade dela. Não é ótimo?

A área é vasta e os absurdos se amontoam. Coisa que me faz pensar seriamente em me dedicar ao jornalismo investigativo/cidadão. Tem muita coisa pra ser denunciada, todos os dias. Empresas que abusam da paciência e do bolso do seu cliente. Ou seja, ao contrário do que diz o dito (popular?), o cliente nunca tem razão.

Desde para realizar a troca de um produto mais caro, até aquela conta no bar, que o garçom curiosamente sempre erra pra mais, nunca pra menos, é extremamente difícil ter o mínimo de respeito enquanto consumidor no Brasil. Coisas que são normais em países decentes, como ter o seu dinheiro de volta ou até não pagar a comida em um restaurante se você não gostou da qualidade do que lhe foi oferecido, aqui soa como absurdo, fantasia ou “esperteza”.

Não é novidade que o “jeitinho” e a malandragem brasileira, no fim das contas, ferra com todo mundo. As raízes disto são flagrantes. Sem se aprofundar muito, basta olhar para o povo português ou entender o básico da formação do Brasil.

Neste caso, sou um pessimista. Acho que teríamos que nascer de novo enquanto povo, enquanto nação, para as coisas mudarem de fato. Como é impossível, o mínimo que devemos fazer é exigir nossos direitos, brigar por tudo que as empresas fazem de errado, denunciar, questionar e nunca aceitar calado o que nos é imposto.

Não dá pra consertar tudo, mas dá para não ser feito de palhaço e evitar que outros sejam.

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