Cervejas

Wäls Cervejas: construindo o sonho

O título é tão clichê quanto necessário e verdadeiro: as cervejarias artesanais brasileiras experimentaram uma “explosão” nos últimos anos, ganhando em público, distribuição, presença de mercado, atingindo um consumidor mais exigente e com maior poder de compra. Apesar de todos os entraves que, infelizmente, seguem atrapalhando (taí o MAPA pra comprovar) – as microcervejarias (e tantas outras) seguem construindo uma bela história, com criações que desafiam o gosto comum e colocam o Brasil entre os fabricantes de algumas das melhores cervejas do mundo.

Minas Gerais é pólo dessa história – o segundo estado produtor, caminhando para ser o primeiro – e a Wals tem papel importante nisto: fundada no fim dos anos 90, a empresa tem experimentado um grande crescimento e ritmo forte de inovação desde que José Felipe Carneiro, filho do fundador, assumiu a dianteira. O carinho, a paixão e o preparo minucioso na escolhe dos melhores ingredientes do planeta e na capacidade de criar receitas únicas já era evidente ao degustar toda a carta especial da Wals: Dubbel, Tripel, Quadruppel, Bohemian Pilsner e a recém lançada Wals Brut estão, facilmente, entre as melhores do mundo no seu estilo, com um toque de inovação.

E ao conhecer a fábrica, tudo isto fica ainda mais evidente. A paixão pelo ofício e pela cerveja em si é estrondosa nos olhos de Felipe e na forma como apresenta toda a cervejaria ao grupo presente. Localizada na Pampulha, a Wals ocupa um pequeno galpão, em expansão para a nova adega, que por enquanto armazena as Brut e outras criações, mas conta com alguns dos equipamentos mais modernos da indústria cervejeira nacional, segundo o próprio José Felipe. E dando um “gostinho”, o mestre da Wals deixou cada um dos presentes girar uma garrafa de Brut em 45 graus (o que precisa ser feito duas vezes ao dia), fazendo com que participássemos, ainda que levemente, do processo de produção.

A degustação começa devagar com a X-Wals, a cerveja “de massa” da empresa, carro chefe das vendas junto ao chopp, presente em muitos pontos de BH e via delivery. E entre explicações mais técnicas vamos degustando novidades como a Wals Gioia, feita com lúpulo cascade em dry hopping, uma homenagem à imigração italiana para a América, com um toque da escola cervejeira dos EUA. “Uma cerveja para celebrar”, segundo o próprio José Felipe. Extremamente refrescante, a Gioia apresenta notas consideráveis de lima e laranja, seca e muito viva, estala na boca, tomada direto do tanque. De fato, uma das cervejas mais refrescantes que já experimentei.

Com planos de expansão, além da nova adega que está sendo construída, que deverá ser a maior adega cervejeira da América Latina, José Felipe revelou que novas cervejas devem ser lançadas num futuro próximo e a Wals lançará um empreendimento até meados do ano que ainda requer sigilo (mas foi dito para os presentes). 🙂

Dentre os vários “testes” e “experimentos” realizados dentro da Wals – cerveja de várias frutas diferentes, por exemplo – tivemos a oportunidade de degustar duas: uma amber lager de escola tcheca que “falhou na carbonatação e no creme”, segundo José Felipe e a “Wals Stricnina”, que merece um capítulo a parte. Confere a receitinha da criança aí:

Nada que você puder imaginar vai chegar perto dela. Uma das melhores e mais complexas cervejas que já experimentei. Álcool imperceptível – um feito para os seus 12% ABV – creme estupendo, pêra, damasco, cagaita, tamarindo, frutas secas, uma infinidade de aromas e sabores. Apenas 50 litros para os poucos privilegiados que conseguiram estar na Wals.

E o final foi simplesmente esse aí abaixo. A Wals é a prova da maturidade e do nível de excelência do mercado cervejeiro artesanal do Brasil. Um meio em que você pode conhecer o dono, quem fabrica, como fabrica, onde é, o que é usado, qual o processo de produção da sua cerveja e tudo que ela passa para chegar até o seu copo. Não é venda em massa, é relação, paixão, cuidado, arte. O que faz toda a diferença quando você degusta. Vale repetir o bordão dos artesanais: beba menos, beba melhor. E valorize a produção brasileira, não por favor ou algo do gênero, mas porque você tem a oportunidade de experimentar algumas das melhores cervejas do mundo, frescas, na sua casa, no bar, com os amigos, do jeito que quiser, da melhor maneira possível.

Lista de cervejas degustadas na visita com suas respectivas notas:

X-Wals: 2,5/5

Wals Amber Lager: 2,9/5

Wals Gioia: 3/5

Wals Bohemian Pilsen: 3,7/5

Wals Dubbel 2011: 3,9/5

Wals Quadruppel no tanque antes do estágio final: 4,2/5

Wals Tripel sem pasteurizar: 4,3/5 (aroma excepcional)

Wals Brut: 4,4/5

Wals Stricnina: 4,8/5

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2 comentários sobre “Wäls Cervejas: construindo o sonho

  1. Raffael disse:

    Pô…

    Achei a Trippel é melhor que a Brut.
    Porque não deu nota 5 pra Estricnina? Merece…

    Wals Tripel sem pasteurizar: 4,3/5 (aroma excepcional)

    Wals Brut: 4,4/5

    Wals Stricnina: 4,8/5

  2. Maurício Angelo disse:

    Hehehehehe, é q vc é um “trippelófilo”, rsrs. Realmente, sensacional. Mas a Brut tem toooooda uma história por trás e sem dúvida merece. Fora que 0,1 é qualquer coisa, né? 🙂

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