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Belo Horizonte: roteiro turístico completo (OU – um punhado de boas dicas)

Arquivo: matéria publicada originalmente em três partes no extinto site Homem.etc em 2009. Por isso, alguns lugares podem ter fechado e os links da Veja BH (com mais informações das casas) não estão valendo, mas todos podem ser procurados no site da mesma Veja. Guia desatualizado, porém útil.

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Guia Belo Horizonte – Parte I – roteiro dos melhores botecos e choperias

Belo Horizonte é conhecida como a capital mais boêmia do Brasil. Com a experiência de quem morou 8 anos no centro de Minas Gerais, posso atestar que o rótulo é verdadeiro. Fazendo jus, BH é a cidade com o maior consumo por habitante de cerveja e cachaça ao ano do país. Não por acaso, é onde se produz as melhores cachaças, além de possuir um mercado de cervejas artesanais com muitos nomes de destaque (Falke Bier, Baker, Wals, Krug,dentre outras). Dados indicam que a capital tem 14.000 botecos, novamente o maior índice por habitante do Brasil (e um dos maiores do mundo).

O melhor é que aquela história de “clima de cidade pequena em metrópole” é extremamente adequado aqui. A atmosfera belo-horizontina é mais intimista e interiorana, apesar do caos normal de “cidade grande”.

Para você não perder tempo, este roteiro dará algumas dicas dos melhores bares da cidade. São três as regiões chave da noite mineira: a Rua da Bahia, no centro, a Savassi/Sion, onde ficam a maioria dos bares, boates, cafés e os bairros de Santa Tereza/Floresta, ligeiramente mais afastados e tradicionais (com frequentadores mais velhos).

De modo geral, a Avenida do Contorno, onde a cidade foi planejada e construída para existir (dentro daquele perímetro) acabou se tornando a área mais nobre de Belo Horizonte. Fruto da enorme expansão habitacional das últimas décadas. É em volta da Contorno e, claro, dentro dela, que estão quase todos os principais endereços de BH.

Com toda a tradição boêmia, podemos começar com alguns dos mais queridos. A Rua da Bahia é o lugar ideal para iniciar o trajeto. Nela, você poderá visitar o edifício Maletta, onde fica o clássico Cantina do Lucas, reduto de jornalistas, músicos, profissionais liberais, etc. A fama fez com que os preços começassem a ficar acima da média da capital nos últimos anos. Mesmo assim, vale a investida. Do lado, não deixe de passar pelo Pelicano, outro endereço tradicionalíssimo da cidade. Com fotos de representantes da MPB nas paredes e um aconchegante andar superior, é um boteco pequeno e charmoso, de atendimento cativante.

Logo acima do Maletta fica o La Grepia, restaurante 24 horas onde você pode degustar uma deliciosa comida tradicional mineira até o famoso rodízio de massas. No Mercado Central da cidade (um labirinto de cheiros e gostos) há vários redutos interessantes. Nos corredores do Mercado, os garçons puxam os clientes no gogó, não deixando escapar ninguém. Apesar disso, vale uma visita geral a todas as alas do mercado, especialmente pelos queijos, especiarias, artesanato e cachaças. Outros antigos são o Bar do Lopes, o Clube da Esquina e o Bolão, no Santa Tereza. Todos botecos de respeito. Assim como o Silvio’s e sua famosa bancada em forma de U.

Dentre as choperias, destacam-se a rede carioca Redentor, que provavelmente serve o melhor chopp brahma da cidade, o badalado Albano’s e o recém inaugurado Pinguim. O Stadt Jever é muito frequentado pelos jovens e vale a visita pela decoração estilo alemã extremamente bem-feita, dando a impressão de se estar mesmo dentro de uma “taberna”. Foi uma das “casas” deste editor. Se você estiver de carro, vale ir até o Krug Bier, deliciosa micro-cervejaria artesanal que serve um excelente chopp, de vários tipos.

As cervejas especiais tem três pontos: o Frei Tuck, na Contorno/Savassi, meu “pub” preferido. Não deixe de tomar o estupendo chope daFalke, produção local. A caneca de 300 ml custa R$ 4,40. Experimente as três versões: Pilsen – o mais delicioso chope do estilo que já tomei – o Red Baron, “vienna lager” e o Ouro Negro, um “porter” de respeito. O Café Viena, também na Contorno, proclama ter “a maior carta de cervejas da América Latina”, com 278 rótulos de todo o mundo. Aqui é bom ressaltar que apesar do Viena ter mais nomes, a carta do Frangó, de São Paulo, me soa melhor e mais variada. Independente da polêmica, sem dúvida o café Viena é um lugar altamente recomendado. Outro templo (salgado) das cervejas é o restaurante alemão Haus Munchen.

Outros bares extremamente movimentados (e por gente mais jovem) são o Bar Do Doca, em dois endereços, e o Amarelim, no Prado e na baladada Av. Prudente de Morais. Completam a lista o Balaio de Gato da Rua Piauí e o Bar da Neca. Vá apenas se estiver procurando um lugar mais agitado. Bons, mas não excepcionais, o excesso de pessoas pode atrapalhar quem não estiver afim de muito barulho. Nesta linha, um dos preferidos é o Estabelecimento, na Serra. Convidativo, agradável (pelas árvores espalhadas entre as instalações) e com muita gente bonita, tem boa música de diversas vertentes (desde Morcheeba nos PA’s até rodas de samba ao vivo). A única ressalva, como os outros, é a “lotação”. Nenhum problema para quem estiver afim de um flerte.

A vantagem de BH sobre outras capitais, ainda, é o preço muitas vezes mais em conta. Apesar dos reajustes nos últimos 2 anos terem sido acima do aceitável, continua sendo possível visitar bons bares sem gastar uma fábula.

Com este breve roteiro aqui você tem sugestões de excelentes botecos de diversos tipos para várias viagens. Nas próximas matérias, trarei dicas das melhores boates e música ao vivo e, como diriam os mineiros, “o fino” da parte cultural. Cada uma será publicada nas próximas semanas, sempre às sextas. Até lá!

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Guia Belo Horizonte – Parte II – as melhores boates e música ao vivo

Se na edição passada trouxemos os melhores botecos e choperias, agora é a vez das boates. O “centro gravitacional” da noite belo-horizontina é o mesmo: Avenida do Contorno e arredores. Outros focos são alguns bairros da elite, como Buritis, São Bento e Pampulha. Entre as boates, a divisão é simples: de um lado as que focam em música eletrônica e derivados e de outro as de gênero popular, como sertanejo, axé, pagode, etc. Como nunca fui frequentador do segundo grupo, dá apenas para dizer que Alambique parece ser o melhor do sertanejo e Cheio de Graça e Flor & Cultura algumas boas opções dentre os “variados”. Fuja do Bwana Pub. Para melhor organizar o guia, vamos por partes:

Eletrônico

Um dos mais populares (e diversificados) reserva algumas surpresas: Mary In Hell e Up! é da turma mais alternativa (indies, hipsters e freaks em geral), sendo um ambiente notório também pela alta presença GLS. A programação (house, eletro, rock, pop, indie) é dominada por DJ’s locais que na maioria das vezes são meros apertadores de botões. A Roxy/Josefine fica no centro da Savassi e tem a melhor atmosfera. Fique atento a um detalhe: nas quintas e sábados a boate se chama Josefine e a noite é GLS. Nas quartas e sextas o nome troca para Roxy e a balada é hétero. Tem boa escolha de DJ’s, com presença constante de alguns nomes internacionais. Recomendo. Também na Savassi, o Velvet Club abriu em 2007 para disputar com MIH e Up, tendo melhor programação (e melhores frequentadores).

Na Av. do Contorno/Floresta fica a Deputamadre, o típico inferninho underground com “decoração” (!?) industrial. A pista começa a encher mesmo só após a 1h ou 2h. O público é diversificado: alternativos/under com o resto (playboys) e gente neutra. Majoritariamente hétero. Melhorou muito a programação nos últimos anos (chegou a estacionar basicamente no hip hop entre 2003/2006). House, trance, eletro, minimal, discopunk são a tônica. Muitos núcleos locais de DJ’s tem datas reservadas e nomes internacionais frequentam as picapes. Telões espalhados pela casa dão o tom da “viagem”. Foi uma das minhas “casas” durante um bom tempo em BH e recomendo tranquilamente (se você gosta do estilo).

Outras opções são o Power Club, o Chalezinho. A NaSala Lounge & Disco é a boate mais “high society” da cidade. O De La Noche tem um bom clima, com “ares sofisticados”, mais light.

Variados

No balaio de casas com programação muito variada (pop, samba, etc) estão o E-Pop, o Observatório, a Máscaras Casa de Dança, o Pau & Pedra, o Major Lock e o Butiquim Santo Antonio. O Freud Bar e a Utópica Marcenaria (com seu forró famoso) se destacam dessa turma. É aconselhável uma visita cuidadosa aos links para analisar o perfil e os dias que cada estilo ganham nestes lugares.

Forró & Samba & MPB

Dois gêneros que cresceram bastante em BH nos últimos tempos. O reduto do forró é o Forró do Recanto. Sempre rolam coisas boas também no Lapa Multishow, no Jequitibar e na Cervejaria Oficial. Sempre há várias festas rolando também em lugares diversos. Este site lista outras opções de forró na cidade.

O point do samba é o Reciclo Asmare Cultural. Fazem companhia o pequeno e simpático Cartola Bar e o Goiabada Cascão. Outro tradicional é o Meritíssimo e o Café Da Esquina.

Já o Vinnil Cultura Bar é o templo da MPB, com nomes dignos durante toda a semana, é sempre considerada um dos melhores de música ao vivo de BH. Recentemente, abriu o Damas & Valetes, como opção.

Rock

Conhecida também por ser uma das cidades mais “roqueiras” do Brasil, BH tem muitas opções de bares temáticos focado em som pesado (ou nem tanto). Um problema da cena mineira (e em tantas outras) é a quantidade excessiva de bandas covers. Grupos dedicados a tocar repertório de bandas clássicas que muitas vezes tocam fixamente em um lugar. Em BH estas bandas se revezam, e você facilmente irá encontrá-las tocando em praticamente todos os bares citados abaixo. Bandas com músicas de autoria própria ficam em segundo plano, o que mina o surgimento de nomes fortes do meio independente.

Um que luta contra isso (de certa forma) é A Obra. Point já famoso em todo o Brasil. Reúne muitas bandas indie, rock, eventos alternativos e frequentadores variados. Um dos melhores lugares do gênero na capital, sem dúvida. E que ainda possui um bar anexo com muitas opções de cervejas e som decente.

O Stonehenge ganha pela ambientação. Localizado numa casa antiga, o bar tem piscina e é iluminado com tochas. Grande, tem muitas mesas dispostas e decoração bacana (nada excepcional, com o tom de “fuleragem” rockeira, diga-se). O shows acontecem num lugar a parte, fechado (e pequeno). Entra quem quer.

Já o Jack reúne a galera mais “rock de boutique”. Shows ao vivo + mesa de sinuca garantem a lotação completa praticamente durante toda a semana. O Lord Pub é dos mesmos donos do Jack e vai na mesma trilha, se diferenciando na decoração.

O Matriz é uma casa de shows indie que abriga concertos de muitas vertentes e tem vasta programação, para todos os gostos. Bem underground, não oferece conforto mas pode ser uma boa dependendo do show. Um que reabriu recentemente é o Studio Bar, um dos mais completos da capital. Vale a visita.

O Hard Rock Café de Minas Gerais segue a linha dos outros ao redor do mundo, sendo obviamente diferenciado. Contudo, muito afastado da cidade (fica na verdade em Nova Lima, praticamente), é focado na elite e sua programação (sertanejo, funk, etc) tem tudo menos rock. Fica como a piada irônica da matéria.

Na linha do rock, a carta de opcões continua com o Entre Folhas, o Garage D’ Caza e o No Fundo do Baú.

Embora o jazz e a música instrumental tenham espaço cativo em BH, eles ficam para a próxima parte do roteiro, que falará também das opções culturais. Divirta-se e até breve!

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Guia Belo Horizonte – Parte III – Roteiro cultural e melhores cafeterias

Cultura em Belo Horizonte tem um centro de referência máxima: Palácio das Artes, na Av. Afonso Pena, no centro. Com 18,5 mil metros quadrados, é considerado um dos maiores centros culturais da América Latina. Com três salas de espetáculo, destacando-se o Grande Teatro (foto acima), o melhor e mais nobre palco da capital e 5 galerias de arte, além de cinema, café, biblioteca, hemeroteca, musicoteca e espaços de convivência, integrado ao Parque Municipal, é visita obrigatória.

O Cine Humberto Mauro é o melhor espaço do cinema alternativo de Belo Horizonte, com mostras regulares e excelente curadoria, sempre resgatando as obras de alguns dos melhores diretores e dando espaço para o experimental a preços populares (R$ 5 a inteira, na média). A programação está repleta o ano todo de boas peças de teatro, exposições e apresentações musicais. Vale lembrar que os grupos Galpão, Giramundo e Corpo, três referências mundiais em suas áreas, são de Belo Horizonte. A cafeteria é ponto de encontro dos visitantes e possui frequentadores cativos.

No geral, o ambiente é muito agradável e convidativo. O site oficial do Palácio é completo, atualizado sempre e com todas as informações necessárias. Vale muito a visita.

O já citado Parque Municipal, ao lado, tem mais de 400 espécies de flora, um lago, algumas obras arquitetônicas e o teatro Francisco Nunes. Nas manhãs de domingo costuma ter apresentações gratuitas de música clássica por variadas orquestras.

Ali perto, na Rua da Bahia, está o novíssimo Museu Inimá de Paula, com exposições diversas, como a atual, de Vignoli. Subindo para a praça da Liberdade, você encontra o Museu de Mineralogia, com três mil peças minerais de todo o mundo, sendo 800 do acervo permanente do museu. Estando em MG a visita se justifica. Para conhecer mais sobre a história de BH, o Museu Histórico Abílio Barretoé o lugar ideal. Na Praça da Estação, no centro, encontra-se o Museu de Artes e Ofícios. Na Floresta, o Museu da FEB (Força Expedicionária Brasileira) guarda acervo considerável de material dos combatentes tupiniquins na Segunda Guerra Mundial. Muitas armas, roupas, equipamento médico e de comunicação, medalhas, enfim. Tudo guiado por legítimos ex-pracinhas. Se tem interesse pelo tema, a visita é muito recomendada. Informações e fotos no site oficial.

Saindo da região central duas paradas são interessantes: o clássico Museu de Arte da Pampulha, onde você pode fazer também uma visita turística ao Mineirão, que é perto, e o Museu de História Natural da PUC, com três andares de fósseis e achados.

Saindo de Belo Horizonte, algo que vale mesmo a visita é o museu de arte contemporânea do Inhotim. Localizado em Brumadinho (pouco mais de 1 hora de BH),  todas as informações de como chegar e outras estão no site oficial. Como diz a apresentação “com um acervo de, aproximadamente, 500 obras de mais de 100 artistas, a coleção de Inhotim vem sendo formada desde meados de 1980, com foco na arte produzida internacionalmente nos anos 1960 até os nossos dias. Pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e instalações de renomados artistas brasileiros e internacionais são exibidos em galerias espalhadas pelo parque botânico.”

Além do museu em si, o local onde está instalado, um imenso parque, agrega valor à brincadeira.

Se você gosta de parques, o Mangabeiras, na Serra do Cural, é a maior área verde de Belo Horizonte e um dos maiores parques urbanos da América Latina, com mais de 2 milhões de metros quadrados. Do mirante (a parte mais alta do parque) boa parte da cidade pode ser vista. Pequenas cachoeiras e animais (como micos e quatis) soltos, compensam a caminhada.

Todos estes lugares criam o principal circuito da cultura na capital mineira.

Cafeterias

Um ambiente tradicional em BH são os cafés. E felizmente a cidade oferece ótimas opções do gênero. Muitas delas oferecem apresentações ao vivo. A música instrumental mineira é uma das mais consagradas, peculiares e respeitadas do Brasil. Junto ao Jazz e a Bossa Nova, estes estilos podem ser ouvidos principalmente nas cafeterias da cidade.

O Café do Sol é bem tranquilo e aconchegante e costuma reunir boa parte da nata dos instrumentistas mineiros. Assim como oConservatório (principalmente na terça). O Solar Espaço Cultural, no Floresta, tem shows esporádicos (vale uma conferida.

Na Savassi, o Café da Travessa e a Status Cultura e Arte, com livros e revistas de todo o mundo, tem programação de qualidade, ambiente gostoso e boas comidas e bebidas.Por fim, mesmo os cafés da cidade que não oferecem música ao vivo são imperdíveis. Não deixe de ir no Santa Sophia, no Khalua e no Boca de Pito, por exemplo.

Cheers!

Maurício Angelo é jornalista. Morou 10 anos em Belo Horizonte.

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