Política & Economia

Esquerdismo, doença infantil

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A passagem da blogueira cubana Yoani Sanchez pelo Brasil deixou a mídia toda em polvorosa. Pudera. Yoani foi entrevistada por quase todo mundo, foi atacada por manifestantes em Feira de Santana, visitou a Câmara dos Deputados com pompa e circunstância e por aí afora. De tão onipresente, tornou-se um assunto chatíssimo de discutir. Ontem, assisti a entrevista que ela concedeu ao programa Roda Viva. E gostei sobremaneira da maioria das respostas dela. Sóbria, consciente, precisa, sem cair nas diversas armadilhas fáceis que prepararam pra ela, respondeu toda pergunta com bastante competência. No entanto, eu nunca achei os textos do seu blog grande coisa.

Mas o que realmente me incomoda e o que é interessante disso tudo é o que a passagem de Yoani revela do esquerdismo infantil que se alastra pela web afora. Já faz muitos anos que essa postura tomou conta de muita gente. É profundamente lamentável que, hoje, estejamos entre a abordagem viciada da direita, representada por alguns veículos de mídia, e esse esquerdismo acéfalo presente em blogs, redes sociais e outros canais. É aquele papo nojento de “blogueiros progressistas” e “PIG – Partido da Imprensa Golpista”, historinha criada e propagada por aí.

Para quem me lê ou me conhece, parece claro que, se fosse me enquadrar em alguma orientação política, claramente seria “de esquerda”. Daí que, também por isso, me incomoda sobremaneira o que vejo acontecer. É uma saraivada de fetiches do esquerdismo mais rasteiro: Yoani foi “acusada” de ser “agente da CIA”, “financiada pelo governo americano” e outras bobagens.

Essa gente – vocês sabem quem são – é incapaz de ter algum “olhar crítico” e “alguma lucidez” para sobre o governo Lula/Dilma, o qual me considero grande admirador, inclusive. O problema é se comportar como fã, como troll, não aceitando opiniões em contrário e atacando quem discorda em manada. Impressiona também a capacidade de defenderem a administração Fidel/Raúl Castro com unhas e dentes, colocando-os sempre como vítimas dos Estados Unidos e ignorando uma série de coisas indefensáveis que acontecem em Cuba. Há os que já visitaram a ilha e, como turistas, naturalmente, encaram as coisas com olhos de fantasia. Eu prefiro ficar com o relato de quem viveu de fato as coisas como elas são, o que vai muito além de Yoani.

É pena que tenhamos que ficar sempre restritos à este dualismo de última categoria. Entre a “direita golpista” e o “esquerdismo infantil”. Gente que parece não enxergar que o mundo é infinitamente mais complexo e “multifacetado” do que eles são capazes de acompanhar e debater.

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