Política & Economia

Alan Greenspan: risco, natureza humana e o futuro das previsões

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“Quando o Lehman entrou em default em 15 de setembro de 2008, as perdas globais das ações de empresas negociadas em bolsa atingiam 16 trilhões de dólares. Semanas depois, já somavam 35 trilhões. Ao fim, as perdas na economia como um todo chegaram a cerca de 50 TRILHÕES DE DÓLARES, o equivalente a quatro quintos do PIB global de 2008. (…) Não vejo nenhuma maneira de eliminar exuberâncias irracionais periódicas sem reduzir significativamente a taxa média de crescimento da economia“.

Alan Greenspan, ex-presidente do FED e guru global, lambendo as feridas no seu novo livro, “O Mapa e o Território – Risco, Natureza Humana e o Futuro das Previsões” (Cia das Letras) te lembrando porquê não vai ficar tudo bem e defendendo o fim da obsessão com o crescimento econômico. Algo impensável há pouquíssimo tempo atrás. De reputação quase indestrutível, Greenspan se viu no centro da maior crise da história do capitalismo (segundo ele mesmo) e agora tenta fazer o “mea culpa”. Compreensível.

Em 2010, escrevi isso aqui: a ressaca do mundo no vermelho. Vida que segue, pataquadas que se acumulam, aquele clima geral de anestesia desconfortável. Um rombo desse tamanho – 50 trilhões – não desaparece. É uma hecatombe que repercute de maneira brutal nestes 5 anos de maneira evidente ou não. Não por acaso, o governo americano foi obrigado a entrar numa encarniçada batalha política para elevar o teto da dívida, para impedir um calote. O primeiro calote profundo da história do governo dos Estados Unidos só foi evitado porque resolveram esticar um pouco mais a corda. Tido como os títulos públicos mais “seguros” do mundo, praticamente com “risco zero”, um novo tombo representaria um grande baque na economia global.

A gravidade da situação, claro, também é fruto da quantidade absurda de dinheiro usada para salvar empresas e bancos completamente falidos e resgatar “títulos podres”. É a famosa história do cobertor curto demais, que cobre a cabeça e deixa os pés expostos. Da solução paliativa. Do buraco negro que não dá pra sair com meia dúzia de conluios e assinatura.

Conceitualmente, Greenspan, um ícone do capitalismo, afirma que a única saída para tentar – tentar – diminuir o rombo e buscar alternativas realmente eficazes no longo prazo é diminuir o fetiche do crescimento a qualquer custo. Algo que soaria como exorcismo dos brabos de comunistas barbudos do interior da Sibéria em qualquer tempo. O diagnóstico de Greenspan é tão simples quanto categórico: do jeito que está, não dá mais. E isto vale para o mundo todo.

Quais caminhos vamos escolher trilhar para sair desse buraco que cavamos com gosto é que definirá a possibilidade real de sair dos escombros.

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