Não é de agora, naturalmente, mas, por esses dias, estava comentando com uma amiga o quanto sou fascinado pelas palavras. Mais do que isso, o quanto elas são capazes de me atrair, conquistar e exercem poder sobre a minha pessoa.
Fundamentalmente, porque é um ato de criação. E quem é capaz de criar, de construir - arte, em especial - goza do meu infinito respeito. E aqueles que o fazem na minha área, claro, recebem atenção ainda maior: além da identificação óbvia, escrever exige sensibilidade, inteligência, raciocínio, plasticidade, beleza, esforço, organização, talento, busca, reflexão, capacidade e frescor. Características que admiro sobremaneira.
Pablo Neruda, muito sarcasticamente, disse uma vez que “escrever é fácil, começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as idéias.” Dá para beber a ironia que escorre pela frase de Neruda, assim como é impossível ficar imune à seus poemas. Quem lê-los e não se apaixonar - por o que quer que seja - sem dúvida é de uma aridez notável.
Escrever é se expor. É onde revelamos muito daquilo que nos constitui, desde as aspirações mais íntimas até a crítica mais apurada e é justo isto que me seduz tanto: escrever é desnudar-se.
Ou não. Pode servir também para adicionar camadas ainda mais grossas de uma vestimenta indefinível, misteriosa e rica. Ainda assim, é sempre uma arena onde acabamos demonstrando mais de nós mesmos do que suspeitamos. Ou seja, é se auto-conhecer.
Descobrir a si mesmo, melhor dizendo.
O que me leva ao próximo micro-texto que quero fazer. E este movimento contínuo de imersão nas mais diversas esferas da vida através da escrita e da leitura - e da observação, da música, do cheiro, do tato - que é tão caro à minha existência: estou irremediavelmente absorto por ele.
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Tags: crônica


#1 by Isabela Berg on março 9th, 2008 - 12:31
Palavras para falar de palavras de um jeito tão poético!
Não é à toa que alguém com tamanha sensibilidade se encante pela beleza que com elas se pode materializar e, assim também o faça, “materializando” o encanto da arte que consiste em valer-se delas para a expressão.
Belo, belo texto!
=)