Política & Economia

Além de Lula

Parece impossível refutar que Luiz Inácio Lula da Silva fez um dos melhores governos da história do Brasil. Infinitamente melhor que seu antecessor. Os números estão aí e comprovam. Números que se observam na prática, no dia-a-dia, na vida de milhões de pessoas. Os principais feitos:

  • Dobrou a média de crescimento do PIB, passando de 2,3% no governo FHC para 4% no governo Lula, chegando a 7,2% em 2010.
  • Aumentou expressivamente a renda média do brasileiro (PIB per capita): o crescimento médio no governo FHC foi de 3,5% e passou para 33,5% no governo Lula (sim, isto mesmo), chegando ao valor atual de 18.601.
  • Deu novo impulso ao crédito: passando de 24% em relação ao PIB em 2003 para 48% em 2010.
  • Redefiniu a pirâmide social do Brasil, inserindo milhões de pessoas na Classe C e tirando milhões da pobreza:

(clique para ampliar – revista Exame, 06.10.2010)

  • Dobrou o poder de consumo das famílias: passando de 1 bilhão em 2003 para 2,2 bilhões em 2010 em relação ao PIB.
  • Gerou 15 milhões de empregos formais (3 x mais que o governo FHC), deixando a taxa de desemprego como a menor da história: 6,7% atualmente.
  • Venceu a pior crise econômica mundial desde 1929, reduzindo ao máximo seus efeitos e conseguindo taxa de crescimento muito acima da média mundial.
  • Expandiu como nunca a Petrobrás, alavancada pelo descobrimento do pré-sal, que mostra investimento em pesquisas e inovação.
  • Transformou a educação superior com o Pro-Uni, inserindo 700 mil estudantes de baixa renda nas faculdades e universidades. Alunos estes que tem média de avaliação de 85%, muito superior aos demais. Criou dezenas de escolas técnicas em todo o país. Melhorou o nível das universidades federais.
  • Número de pessoas na universidade cresceu 57% de 2002 para cá. Hoje temos 5,8 milhões de universitários. O perfil também mudou. Há oito anos esse público era formado por 25% de pessoas da classe A, 30% da classe B, 39% da classe C, 5% da classe D, e 1% da E. Hoje, temos nas universidades, 7% de pessoas da classe A, 19% da classe B, 58% da classe C, 15% da classe D e 1% da classe E. (Época Negócios/24.11/2010)
  • Colocou o país como nunca no centro das atenções mundiais, passando a ter peso decisivo na política, economia, relações externas, etc.
  • Reduziu o desmatamento, o risco brasil, a dívida externa, acabou com a dependência do FMI.
  • Levou a taxa de juros ao menor nível histórico em abril de 2010 (8,75% ao ano), elevando depois para os 10,75% atuais. A taxa de juros para pessoa física, no entanto, é a menor da série histórica iniciada em 1994. (O Globo, 26.10.2010).
  • Sem falar em Copa do Mundo, Olimpíadas, o recorde menções positivas na imprensa internacional.
  • Corrupção? Nunca a Polícia Federal fez tantas operações, desmantelou tantos esquemas e prendeu tanta gente importante, independente de ligações.
  • Alcançou o maior ganho real do salário mínimo em todos os tempos.
  • Programa de habitação “Minha Casa, Minha Vida” gerando oportunidades de aquisição de casas próprias para pessoas de baixa renda e classe média, aquecendo enormemente o setor da indústria civil.
  • Mais dados? Recomendo a série de infográficos do BOB (aqui, aqui e aqui), além target=”_blank”>deste vídeo.
  • E sobre a falácia barata de que “boa parte disso” se deve a “herança” de FHC recomendo enormemente este artigo, que destrói com essa ladainha enganosa repetida exaustivamente por quem não tem argumentos.

Entendeu, cara pálida, porque Lula tem mais de 90% de aprovação? Porque Dilma foi eleita? Porque o país se encontra na melhor situação que jamais esteve? Porque a perseguição da mídia soa como bravatas desesperadas de puro ódio social? De perda do seu poder e influência?

Nunca encontrei nenhum – disse, nenhum – partidário da direita que fosse capaz de discutir saudável e habilmente os feitos do governo Lula, bem como refutar a maioria dos argumentos (já que, os números, desculpa, não dá pra refutar). Deve ser triste para quem sofre de cegueira, raiva e onanismo crônico simplesmente não ter o que falar.

Mas este quadro pode dar a impressão que estamos no paraíso. Que os principais desafios já foram superados, que o Brasil é um país maravilhoso para se viver e podemos navegar em mares tranquilos de desenvolvimento e igualdade social. Não, não é. Não podemos. O fato de Lula ter feito um ótimo governo, resumido em parte aí acima, obviamente é só o início do caminho para o Brasil se transformar num país verdadeiramente decente. Repito: não se cura 502 anos de abuso em 8.

Temos problemas sérios de segurança pública, educação básica, saúde, infra-estrutura como saneamento, estradas e a pobreza, claro, longe de ser extirpada. Avançamos pouco em alguns desses pontos. O inchaço dos aeroportos, diga-se, só acontece justamente pela entrada de milhões de pessoas na classe média. Um exemplo que simboliza alguns dos novos problemas que precisamos enfrentar. É a administração pública e o capitalismo brasileiro numa nova fase.

Este é o maior desafio de Dilma Rousseff. Que tem competência técnica, teórica e administrativa para tanto. Que representa a legítima continuidade do governo Lula. Que poderá escolher os melhores quadros possíveis e tem a maioria na câmara e no senado. Precisamos de equilíbrio para manter o ótimo ciclo mas ambição para avançar ainda mais. De coragem para implantar reformas essenciais que foram postergadas, como a tributária, a política, jurídica e a da previdência. De continuar erradicando a pobreza, trabalhando para levar a indústria e os negócios do país para um novo patamar de evolução, inovação. Manter a economia forte, saudável e firme em seus princípios básicos.

Criar mais oportunidades ainda para os jovens, a classe média e pessoas de baixa renda. Melhorar os entraves burocráticos, simplificar a cobrança de tributos, tornar o ambiente para se tocar uma empresa mais amigável e rápido (o que já começou a ser feito). Fazer uma reforma legítima e profunda da educação de base, repensando todo o sistema de ensino, a preparação e remuneração dos professores, a infra-estrutura das escolas. Incentivar como nunca a inovação. Equilibrar a prosperidade com a preservação. Intensificar a reforma agrária. Levar as obras e projetos da Copa 2014 e Olimpíadas da melhor, mais eficaz e transparente maneira possível. Legalizar o lobby. Aprovar mecanismos que intensifique a clareza da prestação de contas de ONG’s e todo o dinheiro público em seus diferentes níveis. Discutir temas importantes e polêmicos com a sociedade através de referendos.

É um universo de coisas. Gargalos e desafios centrais, complicadíssimos, muitos que batem de frente com interesses escusos (como na segurança, a bancada ruralista, etc), que precisam de esforço descomunal de todo o organismo político, da iniciativa privada, da sociedade e do terceiro-setor. Não só para o governo Dilma, mas o que virá além dela. Para todos os próximos presidentes a ocuparem o cargo. É um projeto de país, não de governo.

Lula fez muito. Construiu as bases que precisamos para atingir mais, muito mais. Ficará marcado eternamente na história do país como um presidente único, de administração decisiva para este novo Brasil. Isto é impossível de tirar. Mas precisamos seguir no que fizemos de bom, aprofundar reformas estruturais, ir muito além e inovar. Vivo num país incomparavelmente melhor hoje do que era há 8 anos atrás. Quero bem mais.

Hoje temos consciência da nossa capacidade, potencial, poder e todas as bases sólidas para fazer o que precisamos. Ninguém disse que seria fácil. Obrigado ao Lula pelo o que fez. Está na hora de quebrarmos todos os paradigmas, entraves, a herança nefasta da fundação deste país, os anos de chumbo, o discurso retrógrado e baixo da direita, de seguir governando para o povo e para todas as classes sociais, interdependentes, afinal.

O caminho é longo.

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