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O fascínio de M. C. Escher

Absolutamente fenomenal a exposição “O Mundo Mágico de Escher” presente no CCBB em Brasília. Maurits Cornelis Escher foi um dos maiores artistas do século XX, mestre da ilusão de ótica, xilogravura, litografia, etc. São 95 obras do mestre holandês, divididas em 3 galerias principais. A “sala de espelhos” traz obras interativas e de ilusão, em grandes formatos. A galeria principal traz vários de seus trabalhos mais famosos e conta também com um documentário revelador sobre a vida, as buscas, a personalidade e o método de trabalho de Escher. A sub-galeria é recheada de peças da sua fase final, quando se apaixonou pela conceito de metamorfose e infinito.

Há, ainda, obras maiores espalhadas pelas instalações do CCBB. Creio que é a melhor exposição que já conferi por aí. Tanto por Escher em si, digno de todas as louvações possíveis, quanto pela curadoria e forma de apresentação. É a primeira vez das obras no Brasil e a mostra segue até 26 de dezembro, indo para Rio de Janeiro e São Paulo apenas em 2011.

O doc, com aproximadamente 1 hora, aborda toda a vida de Escher, desde os primeiros traços até sua vida no sul da Itália, em Siena, centro da sua inspiração, as passagens por Espanha e Suiça. Tem comentários do próprio, trechos de cartas enviadas a amigos, fotos e fatos relevantes narrados didaticamente e com precisão.

O tipo de exposição em que você gasta tranquilamente mais de 2 horas para desfrutar, descobrir e conhecer tudo. E ainda quer voltar. Não perca. Mesmo.

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Teatro

O Mistério Bufo de Maiakóvski

Mistério-Bufo é a nossa grande revolução, condensada em versos e em ação teatral. Mistério: aquilo que há de grande na revolução. Bufo: aquilo que há nela de ridículo. Os versos de Mistério-Bufo são as epígrafes dos comícios, a gritaria das ruas, a linguagem dos jornais. A ação de Mistério-Bufo é o movimento da massa, o conflito das classes, a luta das idéias: miniaturas do mundo entre as paredes do circo.”

Nunca fui um grande frequentador de teatro. Erro grosseiro. Quanto mais se conhece, mais se apaixona. Não cabe aqui entrar na comparação teatro x cinema. São coisas muito, muito diferentes. Guardado o carinho pela sétima arte e toda sua completude por excelência, o teatro me parece algo muito mais quente, visceral, dinâmico. Óbvio. “Mistério Bufo”, do russo Maiakóvski, apresentada no momento no CCBB de Brasília, foi o ápice da minha enxuta experiência teatral.

A começar pelo interesse profundo que os autores russos sempre me despertaram. Dentre os poetas, não há dúvidas de que Maiakóvski foi um dos maiores. O espetáculo em si (desnecessário dizer que ele é extremamente recomendado) seguiu a risca a recomendação do próprio: “No futuro, todos que encenarem, desempenharem os papéis, lerem e imprimirem o MISTÉRIO BUFO, mudem o conteúdo, – façam  ficar contemporâneo, moderno.”

Três atos. Luzes, painéis, rapel, acrobacias, intervenções, diversos ambientes, vídeo, música, dança: uma jornada literal vivida e degustada pelo público nos diferentes momentos e cenários da peça. Ousada, lírica, caótica. Russo, português, inglês, francês, espanhol, hebraico, italiano, difícil contar todas as línguas usadas.

A dualidade da revolução levada além dos clichês. De longe, o espetáculo mais rico em forma e conteúdo que já presenciei. O materialismo e o espiritual. O comportamento e a psiquê. Pequenas concessões cômicas ante o peso natural do tema. Recursos circenses sem estarem ali por acaso, gratuitamente. O quente e o frio. Mais atual e necessária ainda do que era em 1918.

Uma produção artística, afinal, que não te deixa sair ileso. E esta é a maior virtude que posso imaginar.

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Curiosidades, Filmes

Lunchtime atop a Skyscraper

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Estava relembrando hoje desta fotografia histórica, e de quanto a acho absolutamente fantástica. Tirada em 29 de setembro de 1932, no topo do Rockefeller Center em Nova York, por Charles C. Ebbets, a foto é um dos maiores ícones do século XX. Lunchtime atop a Skyscraper resume muito do século que se passou: a pujança impressionante do capitalismo, a redefinição do mundo do trabalho, as condições do mesmo, o “desenvolvimento” (o que é mesmo?), etc.

Fascina a naturalidade com que estes homens se equilibram sem nenhuma segurança. A exemplo de Philliphe Petit, o equilibrista recém premiado com o Oscar pelo documentário Man On Wire, que conta a sua trajetória.

Duas provas de quanto o ser humano é incrível, apesar de tudo.

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