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Aborto no Recife, estupidez, estado laico e Monty Python

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O bispo, curtindo seu momento de “worldwide faith star”

Neste momento, tudo que ronda o assunto da garota de 9 anos vítima de estupro no Recife já deve ser de conhecimento geral. Organizei vários links, da imprensa, de blogs, de “abortistas” (tsc) e “contra-abortistas” (tsc) e até do Reinaldo Azevedo, no Delicious. Tá tudo lá.

É o tipo de assunto que chega a deprimir pela tamanha estupidez expressa em toda parte. Minha posição é clara: pra mim, estupro é crime hediondo e deveria ser punido, no mínimo, com a prisão perpétua. Em caso de abuso infantil, pior ainda.

A menina, vítima dum ato inominável, parece ser o que menos preocupa imprensa, bispo e a maioria dos envolvidos no caso. Toda esta galhofa armada pela igreja me faz pensar o quanto um país não-laico é atrasado pela influência direta da religião na política. Seja o Brasil, seja os Estados Unidos. Ao lado da corrupção – e em muitos níveis as duas coisas estão mais que intimamente ligadas – considero esta a pior praga para uma nação.

O fato de doutrinas e “leis” (!?!?) religiosas interferirem diretamente na política (legislativo, executivo e judiciário) é, historicamente, um dos maiores motivos do atraso e da desgraça do mundo.

A Igreja Católica, com toda sua prepotência, ignora sumariamente a possibilidade mais que concreta de morte da menina em caso de levar a gestação adiante. Coisa que me parece de uma estupidez e absurdo sem tamanho. A lei brasileira permite, a operação foi bem realizada, a vida da menina foi salva. Que assim seja.  Isto é o que importa. Fim de papo.

Em última instância, e para quem defende o sexo apenas para procriação, todo esperma “desperdiçado” é um assassinato em potencial. Santa ignorância.

O que, claro, me leva a lembrar de um dos melhores esquetes do grupo inglês Monty Python, em “O Sentido da Vida”. Extremamente adequado, com o perdão do humor, para tudo que se criou em cima. Se você conseguir compreender a letra em inglês (abaixo) fica muito, muito melhor:

DAD:
There are Jews in the world.
There are Buddhists.
There are Hindus and Mormons, and then
There are those that follow Mohammed, but
I’ve never been one of them.

I’m a Roman Catholic,
And have been since before I was born,
And the one thing they say about Catholics is:
They’ll take you as soon as you’re warm.

You don’t have to be a six-footer.
You don’t have to have a great brain.
You don’t have to have any clothes on. You’re
A Catholic the moment Dad came,

Because

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

CHILDREN:
Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

GIRL:
Let the heathen spill theirs
On the dusty ground.
God shall make them pay for
Each sperm that can’t be found.

CHILDREN:
Every sperm is wanted.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.

MUM:
Hindu, Taoist, Mormon,
Spill theirs just anywhere,
But God loves those who treat their
Semen with more care.

MEN:
Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
WOMEN:
If a sperm is wasted,…
CHILDREN:
…God get quite irate.

PRIEST:
Every sperm is sacred.
BRIDE and GROOM:
Every sperm is good.
NANNIES:
Every sperm is needed…
CARDINALS:
…In your neighbourhood!

CHILDREN:
Every sperm is useful.
Every sperm is fine.
FUNERAL CORTEGE:
God needs everybody’s.
MOURNER #1:
Mine!
MOURNER #2:
And mine!
CORPSE:
And mine!

NUN:
Let the Pagan spill theirs
O’er mountain, hill, and plain.
HOLY STATUES:
God shall strike them down for
Each sperm that’s spilt in vain.

EVERYONE:
Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite iraaaaaate!

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Para entender a crise…

Um universo de acontecimentos se sucederam desde que eu escrevi o primeiro artigo, Requiem Para Um Pesadelo, sobre a crise mundial, em setembro passado. O quadro atual carece de um novo artigo que, espero, não vou demorar a escrever.

Dentre os milhares de “analistas” que se esforçam em ilustrar o que esse caos todo representa, somente alguns vale realmente a pena ler. Daniel Delfino é um deles. Amigo, companheiro e ex membro do time de articulistas do Duplipensar em sua fase áurea, digamos (antes de se tornar o site poluído e duvidoso que é hoje), Delfino é um pensador de esquerda (se é que estes rótulos ainda cabem), da melhor estirpe. E tem base pra falar: é filósofo e sociólogo.

Quem não entendeu a crise, tem ótima oportunidade de compreender. Quem entende e está acompanhando, pode ver suas idéias confrontadas.

Recomendadíssimo:

A crise econômica atual – parte 1

A crise 2 – As ameaças à humanidade

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O salário do mendigo e a escravidão moderna

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Recebo o seguinte email, já publicado exaustivamente na internet. Útil, contudo, para pensarmos algumas questões interessantes:

Quanto ganha um mendigo? E um estagiário…?

Um sinal de trânsito muda de estado, em média, a cada 30 segundos, ou seja 30 segundos no verde e 30 segundos no vermelho.

Portanto, a cada minuto, um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$ 0,10, o que numa hora dará: 60 x 0,10 R$ 6,00. Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá faturado:

25 x 8 x 6 = R$ 1.200,00.

Será que essa é uma conta maluca?

Bem, R$ 6,00/hora é uma conta bastante razoável para quem está no sinal, uma vez que, quem doa, nunca dá somente 10 centavos e sim R$0,20, R$0,50 e às vezes até R$1,00.

Mas assumindo que o mendigo fature a metade: R$ 3,00/hora, terá R$ 600,00 no final do mês, que é o salário de um estagiário (é claro que depende da região do país e de outros fatores, mas enfim…) com carga de 35 horas semanais ou 7 horas por dia.

Ainda assim, quando o mendigo consegue uma moeda de R$1,00 (o que não é muito raro), ele pode descansar tranqüilo debaixo de uma árvore por mais 9 viradas do sinal de trânsito, sem nenhum chefe pra aporrinhá-lo por causa disto.

Mas isto é teoria, vamos ao mundo real…

Foram entevistar uma mulher que pede esmolas, e que sempre era vista trocar seus rendimentos na Panetiere (padaria em frente ao CEFET). Então lhe perguntaram quanto ela faturava por dia. Imaginem o que ela respondeu? É isso mesmo! Ganho de R$ 35,00 a R$ 40,00 em média, o que dá (25 dias por mês) x 35 = R$ 875,00 ou 25 x R$ 40,00 = R$ 1000,00. Então, na média, ganho R$ 937,50. E ela disse que não mendiga 8 horas por dia.

Moral da História: É melhor ser mendigo do que estagiário (ou professor). E pelo visto, ser estagiário é pior do que ser mendigo…

*****

A tal “entrevista”, que pode suscitar dúvidas, encontra respaldo na realidade, já que pesquisas indicaram que a remuneração média de quem pede esmola em sinais é realmente por volta de R$ 900 a R$ 1.000. E ainda podem contar com bolsa aluguel.

Não sejamos simplistas. Dentre o último perfil traçado dos moradores de rua no Brasil, apenas 15,9% disseram viver de esmolas. O levantamento indica também outros dados que valem a pena serem conferidos.

A situação dos estagiários não é segredo. Ainda que o assunto mereça um post específico no futuro, não é difícil achar anúncios de vagas para estagiários que paguem de 200 a 400 reais por mês, por 6 a 8 horas diárias. “Estágio”, na verdade, é a melhor maneira que o mundo capitalista moderno conseguiu de obter mão de obra qualificada a preços irrisórios e que faça tudo que é pedido. Isso quando pagam algo, já que “estágios não remunerados” em grandes empresas são uma constante. É como se o estudante infeliz devesse se submeter a tudo pela “oportunidade de ouro” de servir aquela empresa e colocar o nome dela no seu currículo.

A nova lei de estágio ajudou, mas está longe de corrigir vários absurdos.

Quem se habilita a ir para o sinal mais próximo?

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Obama, mudanças e poder negro

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Barack Hussein Obama. Negro, nascido no Havaí, filho de pai muçulmano. Alguém com um nome e histórico desses seria o último candidato a ter alguma chance numa suposta eleição presidencial nos EUA. Curiosamente, um lema bem familiar aos brasileiros, “a esperança venceu o medo”, “change we need”, foi o mote da campanha de Obama.

Barack é filho de um economista e uma antropóloga, tendo formação em Ciências Políticas e Direito. Lutou pelos direitos civis durante toda sua trajetória e teve justamente nas doações espontâneas e no voluntariado militante boa parte dos 600 milhões de dólares para a campanha e no empenho necessário.

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O frisson, o otimismo e a onda de euforia e esperança que se vê ao redor do mundo é impressionante. Todos esperam que Obama faça tudo que Bush Jr não fez: lide melhor com a questão palestina, retire as tropas do Iraque, reduza os subsídios agrícolas, dê mais atenção a questão latina nos EUA, se aproxime dos países do hemisfério sul, que consiga, em suma, fazer uma política ampla, plural, aberta ao diálogo e que trate de cada questão política, social e econômica não só com eficiência mas com “humanidade”, respeito e consideração por quem historicamente sempre foi excluído.

Não dá pra mensurar o quanto a eleição de um presidente negro impacta em infinitos fatores. Qual o simbolismo e o resultado prático disto. Obama foi massivamente apoiado pela classe artística, acadêmica e intelectual dos EUA e do mundo. Era, de forma direta ou entrementes, o candidato pelo qual todos estavam torcendo. Depois de George W. Bush, que representa a antítese de Obama (burro, trapalhão, impopular, arrogante, belicista, etc, etc, etc), dá para notar no ar o alívio que o mundo experimenta com a vitória de Obama.

Há que se lembrar que, durante a campanha, três tentativas de assassiná-lo foram descobertas e impedidas pelas autoridades responsáveis (algo muito pouco divulgado pela mídia). E não será de assustar que, após a eleição, o racismo latente (ou escancarado) mostre até onde pode chegar. Toda segurança será pouca.

Abaixo o vídeo de “Renegades Of Funk”, do Rage Against The Machine, que mostra diversos líderes negros ao longo da história, de diversas áreas. Nada mais adequado para este momento. A banda, a letra, o vídeo e a música (cover do Afrika Bambaata). Obama já está no novo panteão. Irá enfrentar um país destroçado, uma economia em recessão, a pior crise dos últimos 80 anos e um planeta com conflitos e fissuras imensas com os EUA. Uma bela herança de Bush Jr. Como a mudança prometida se manifestará, só vivendo pra saber (até onde dura a empolgação):

Recomendado:

Revista Piauí – Contra a Diversidade

Obamus Maximus – Lucas Mendes

O dia seguinte: as raízes da vitória de Obama

O Dono do Mundo? – Jann S. Werner

O candidato que mudou mais que uma eleição (análise da campanha publicitária de Obama) – C. Merigo

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Fernando Gabeira e a derrota da democracia

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A derrota de Fernando Gabeira nas eleições do Rio, por menos de 2% dos votos, simboliza não só a perda da oportunidade de uma das cidades mais belas e relevantes do país recuperar a dignidade da sua política, como, em última instância, indica a derrota da nossa já inexistente democracia.

Poucas vezes vi um político com tanto apoio de pessoas, digamos, inteligentes e da massa de profissionais liberais. Dos que conheço, praticamente 100% estavam torcendo por Gabeira, mesmo que não morassem no Rio.

Também pudera. Jornalista, ativista e conhecido historicamente por suas posições de “vanguarda”, ao defender, dentre outros, a liberação da maconha e a legalização do trabalho das prostitutas, Gabeira sempre foi um corpo estranho na política brasileira. Alguém que foge tanto do padrão do político nacional que se destaca por sua própria existência, felizmente ancorada por um intelecto pouco visto nos arredores de Brasília.

Pop a ponto de estampar a capa da revista Rolling Stone (com reportagem completa – e muito recomendada – disponível aqui), Fernando saiu de posição desfavorável no primeiro turno para quase se eleger prefeito do Rio baseado numa campanha limpa e com poucos recursos e extravagâncias, ao contrário de seu concorrente, Eduardo Paes. Mesmo com o discurso padrão e polidamente correto de agradecimento após a derrota, Gabeira sabe que foi vítima de mecanismos “pouco ortodoxos”.

Um movimento se organizou em torno das “peculiaridades” da eleição carioca, pedindo – utopicamente – a anulação do pleito, baseado em algumas acusações:

  • Feriado adiantado pelo governo municipal, causando quase 30% de abstinência no segundo turno (recorde no país).
  • Mais de 1 milhão de pessoas acabaram não votando.
  • Candidatura de Paes registrada fora do prazo de desincompatiblização;
  • 50 milhões de reais de despesa de campanha de Paes (e não se sabe quem bancou).
  • Acusação de Paes estar ligado as milícias dos morros cariocas, que controlam o voto da população da área onde atuam.
  • Uso político das UPAs (em Barra Mansa o prefeito eleito perdeu o cargo por isso) e restaurantes populares.
  • Corrupção eleitoral, coação de leitores na Rocinha, ZN (região da Pavuna).
  • Boca de urna por vereadores eleitos da coligação oposta.
  • Campanha difamatória contra Gabeira, claramente bancada e sustentada por políticos da outra coligação (tipo Liliam Sá e Clarissa Garotinho).

O movimento está em torno do blog Pró-Democracia, que contém uma série de outras acusações, reportagens, documentos, relatos, sendo bastante recomendado uma visita.

O esforço é válido, mas parece óbvio que na Eurásia brasileira, na democracia da Cosa Nostra em que vivemos, a reeleição de Paes é apenas um sintoma dentre muitos.

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Eleições em BH e a briga de foice

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Dizem, que, no interior, as coisas se resolvem é na foice: por experiência própria, posso atestar que isto não foge muito a realidade. Mas não é preciso ir em cidadezinhas com 8 mil habitantes para presenciar coisas do gênero: Belo Horizonte, com seus 3 milhões de pessoas, uma das maiores metrópoles brasileiras, oferece “causos” muito mais interessantes.

O que se viu no segundo turno da eleição mineira foi todo tipo de baixaria que a política costuma proporcionar, ajudada pelo “raí-téqui” da internet. Márcio Lacerda, PSB, o “candidato da aliança”, apoiado pelo governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel (extremamente populares e bem avaliados) e Leonardo Quintão, PMDB, uma figura prosaica (ha ha), deputado federal, proporcionaram momentos no mínimo burlescos para quem acompanhou a campanha. De um lado, um empresário com parca experiência política e nenhuma intimidade com as câmeras, que esperava ganhar direto no primeiro turno (e não se preparou para o segundo), e do outro um deputado com “estilo” que só estas terras poderiam proporcionar, família política e usando de um discurso piegas e manjado para tocar os mais estúpidos de sua “humanidade”, etc e tal.

Cartazes apócrifos – sem assinatura e identificação – espalhados pela cidade tentaram de todas as formas ligar Márcio Lacerda ao Mensalão. Os tipos variaram: “entenda Márcio no Esquema”, “o candidato mais rico do Brasil”, “procura-se mensaleiro”, etc. Na propaganda na TV, Quintão tentou veicular parte de um depoimento de Marcos Valério a CPI, falando sobre Lacerda, devidamente impedido pela Justiça. Praticamente toda a campanha do segundo turno de Quintão se baseou em tentar, de todas as formas, ligar Lacerda ao Mensalão, para manchar a imagem do candidato ante os eleitores.

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Lacerda, obviamente, se defendeu na TV, em debates e folhetos espalhados a quilo pela cidade, mostrando que foi inocentado de todas as acusações e o próprio Valério disse que ele não teve ligação direta alguma com o escândalo. Nos debates promovidos nesta última semana, os candidatos só faltaram “sair na porrada”. Era um tentando provar que era mais ridículo que o outro. Na internet, dois blogs, um Anti-Quintão, o outro Anti-Lacerda, trocaram todo tipo de farpas, e disponibilizaram diversos “joguinhos” onde é possível brincar com os candidatos: de chutar, atirar em suas cabeças, e por aí vai – uma nova modalidade de interação política.

Quintão, nascido em Taguatinga – DF, adotou sotaque mineiro extremamente carregado e um discurso populista, com seus slogan’s “Gente Cuidando de Gente” e “Dá Pra Fazer”. E foi ironizado de forma magistral por Tom Cavalcante, no vídeo abaixo, que se tornou hit no YouTube.

Outra série de acusações ligando, desta vez, Quintão a esquemas de lavagens de dinheiro intermediados por Paulo Maluf e Celso Pitta vieram a tona, através do Correio Braziliense e outros veículos. Há que se lembrar que o Correio é do grupo Diário Associados, que publica também o Estado de Minas, maior jornal do estado e, sabidamente, ligado ao governador Aécio Neves. Nada mais natural que alguém se encarregasse de investigar podres no passado de Quintão e revelar isto ao público.

Nas pesquisas, Márcio saiu de uma prévia, em 15 de Outubro, de 33 pontos, contra 51 de Quintão, para terminar, na última, vencendo por 45 a 40 (tecnicamente empatados).

Tendo o desprazer de acompanhar o ridículo e o odor desagradável desta última semana, é difícil dizer qual dos dois é pior. Minha antipatia por Quintão, flagrantemente forçado e patético, contudo, é maior. Mas se fosse votar, sem dúvida que meu voto seria nulo.

Vou repetir isto ao máximo que puder: democracia com voto obrigatório é uma piada de mal-gosto. Um crime. Nunca tivemos democracia no Brasil e dificilmente vamos ter.

Para Belo Horizonte a certeza que fica é que, independente de quem vença neste domingo, a cidade estará em péssimas mãos. Salve-se quem puder.

Uptadate: Com todos os votos apurados, o resultado foi:

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Por regiões da cidade:

Zona Sul

MARCIO LACERDA (PSB)

69,58% 250.912 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

30,42% 109.680 votos

Eleitores na zona:511.502
28,86%

Zona Centro

MARCIO LACERDA (PSB)

61,75% 93.779 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

38,25% 58.092 votos

Eleitores na zona:209.561
11,82%

Zona Norte

MARCIO LACERDA (PSB)

56,32% 129.401 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

43,68% 100.352 votos

Eleitores na zona:306.891
17,32%

Zona Leste

MARCIO LACERDA (PSB)

53,46% 108.295 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

46,54% 94.284 votos

Eleitores na zona:267.267
15,08%

Zona Oeste

MARCIO LACERDA (PSB)

52,38% 184.945 votos

LEONARDO QUINTÃO (PMDB)

47,62% 168.152 votos

Eleitores na zona:477.006
26,92%

Eleitorado
1.772.227

Seções
4.059

Eleitorado apurado
1.772.227 (100.00%)

Seções totalizadas
4.059 (100,00 %)

Comparecimento
1.457.208 (82,22 %)

Abstenção
315.019 (17,78 %)

Votos válidos
1.297.892 (89,07 %)

Votos em branco
51.335(3,52 %)

Votos nulos
107.981 (7,41 %)

Para quem esperava uma eleição equilibrada, o resultado foi um massacre de Lacerda. Prova de que terrorismo político – muitas vezes – tem o efeito contrário. Dos dois, ganhou o que repudio menos. Confira o resultado oficial da sua cidade neste link.

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O corte da Opep e o capitalismo sem rumo

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), anunciou que vai cortar a sua produção diária em 1,5 milhão de barris, para tentar frear a queda livre dos preços do barril de petróleo – que chegou a 147 dólares em julho e agora está cotado a US$ 70.

A grande ironia da brincadeira toda são os paradoxos em que a crise mundial tratou de afundar o capitalismo. Sob a lei única e soberana do mundo – “ter lucro sobre todas as coisas, independente do que for necessário para isto” – é claro que a queda do preço do petróleo atinge diretamente o bolso dos 13 países que formam o cartel da OPEP. Fora isto, o barateamento do óleo negro é, em contrapartida, mais interessante para a maioria dos países do mundo, especialmente os pobres. Também é “ruim” para o Brasil, um dos maiores produtores mundiais.

Considerando a margem de lucro absurda sob a qual trabalham em cima, o último recurso da OPEP foi sabotar a produção, forçando descaradamente uma queda da oferta do petróleo no mercado, para tentar assim alavancar novamente o seu preço. Sendo que, até poucos meses atrás, como dito, a cotação do barril batia recordes e o petróleo era (e ainda é) uma das maiores preocupações globais para as próximas décadas, em preço e escassez.

O que a socialização da desgraça promovida pelos governos estadunidense e europeu – fazendo os contribuintes pagarem duplamente pela incompetência dos bancos e mercado financeiro – exprime é, sobretudo, que nós não podemos continuar vivendo sob os mesmos padrões em que estávamos. Que o modelo estadunidense, o american way of life, do consumo desenfreado em larga escala, que produz 3 vezes mais lixo diário que outros países desenvolvidos e 5 vezes mais que nações médias, não pode, afinal, ser a meta de existência de cada um.

Toda notícia de redução de lucros e queda na produção é tratada com imenso pesar e cria-se um novo apocalipse, como se isto fosse o sentido de continuar vivendo. Não é. E mais importante: salienta que diminuir o ritmo do “progresso” e “avanço” – que muitas vezes não passam justamente do contrário – é fundamental para qualquer um que tenha bom senso. Se os índices de lucro e produção continuarem a terem que ser batidos trimestre após trimestre, ano após ano, onde vamos parar? Ainda mais afogados na miséria e no nosso próprio lixo, real e abstrato: outro paradoxo.

O corte da OPEP só ressalta que o capitalismo, coitado, não sabe o que fazer. Está cantando, lamentando-se como a clássica canção de Maysa: “meu muundoo caiu”. E como diz a letra, nós que aprendamos a nos levantar.

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