Sebastião Salgado, o patrocínio da Vale e a “salvação” do Rio Doce

Em comunicação e, especialmente numa “gestão de crise” como é o caso do crime ambiental cometido pela Vale, nada melhor que ter uma figura pública, querida, de reconhecimento nacional e internacional para apoiá-lo na “redução do dano” de imagem da empresa. Para a Vale, o personagem perfeito estava em mãos: Sebastião Salgado, fotógrafo premiado internacionalmente e figura simpática ao público, “um velhinho com jeito de boas intenções”, histórico vasto e ligações umbilicais com o Rio Doce, Minas Gerais e Espírito Santo que, entre outras coisas, administra uma ONG na região há 2 décadas. O porta-voz perfeito, portanto.

Já dissecamos aqui todas as principais dúvidas que o Instituto Terra, ONG de Salgado, suscita em seu comunicado postado logo após o crime em Mariana. Leia. 

Salgado, lembremos, está longe de ser um qualquer: um dos fotógrafos mais premiados do mundo, foi também, ainda em 2015, envolvido no documentário “O Sal da Terra”, indicado ao Oscar e dirigido pelo seu filho Juliano ao lado do prestigiado diretor alemão Wim Wenders, em que também é foco e personagem. Ao longo das décadas, seus trabalhos comumente focaram os oprimidos e excluídos: os pobres na América Latina, a seca no norte da África, trabalhadores rurais, refugiados, etc. Envolvido desde sempre com organizações que incluem o Banco Mundial e instituições como a UNICEF, ACNUR, Médicos Sem Fronteiras e Anistia Internacional, Salgado construiu carreira em que joga luz sobre os desprivilegiados.

Como duvidar, então, das boas intenções de uma figura com essa história? Como questionar que alguém com o lastro de Salgado, nascido na região do Rio Doce, tenha algum interesse que não a recuperação do rio e a punição dos responsáveis? Corta para essa entrevista que ele concedeu à Folha em 2013:

Houve uma polêmica em Londres, em que ambientalistas protestaram contra a exposição por conta do financiamento da [mineradora] Vale. Qual é a sua opinião? Há incoerência?

A minha opinião é completamente diferente, claro. Senão eu não estaria com a Vale “sponsorizando” (patrocinando) o meu projeto. Na realidade, nós já trabalhamos com eles há muitos anos. Quando começamos nosso projeto ambiental, começamos com a Vale. E não só com a gente, a Vale participa com a maioria das ONGs ambientalistas brasileiras. Então houve um problema que foi ela pegar 9% do investimento de Belo Monte. E como é a maior empresa privada que teve participação, eles não atacam o governo brasileiro que, na realidade, é um projeto do governo brasileiro. Isso é a Eletronorte, isso é o BNDES. É um projeto do governo brasileiro. Eles pegaram, eles sofreram um ataque direto e frontal e passaram a ser a empresa a combater. Agora, ela virou sigla internacional por causa de Belo Monte e isso para mim não tem nada a ver com o comportamento dessa empresa dentro do Brasil. É uma das empresas mais razoáveis do ponto de vista ambiental. Agora, toda mineradora destrói um bocado de terra, pô. Todo mundo tem um carro, todo mundo tem um computador, todo mundo tem um garfo em casa. Nós precisamos desses minérios para a sobrevivência. E todo mundo consome petróleo, e você precisa da Petrobrás. Que sociedade é essa que nós vamos negar o consumo básico? Onde nós somos os maiores consumidores? O Lula colocou 35 milhões de brasileiros saídos da linha de pobreza na classe média. Todos esses compraram carros, compraram televisão, compraram tudo. Tem que existir um sistema produtivo atrás disso. Acho que o sistema produtivo tem que ser o mais limpo e justo possível. Mas acho que a visão que nós temos que ter é um pouco mais coerente. Lá no nosso projeto ambiental trabalhamos com uma série de empresas. E nós temos que fazer com elas mesmo, porque se nós não fizermos com elas, não vamos fazer nunca. Então, eu acho que esse discurso, urbano, radical, também tem que mudar um pouquinho. Ele tem que ser mais compatível e coerente com a sociedade em que nós vivemos.

“Ruim com eles, pior sem eles”, né, Salgado? Afinal, todo mundo consome um pouquinho de minério, pô! Vamos ignorar o fato que a Vale foi considerada a pior empresa do mundo, ainda em 2012, como lembra essa reportagem da Agência Pública. Vamos esquecer que é absolutamente impossível produzir minério de ferro com responsabilidade (ambiental, trabalhista, com a comunidade, etc) de acordo com metas absurdas de produção, como a estimativa de produzir 1 BILHÃO DE TONELADAS DE MINÉRIO DE FERRO de acordo com o Plano Nacional de Mineração. 

"Nós transformamos florestas em minas, não importa como"
“Nós transformamos florestas tropicais em minas e barragens, não importa como”

Vamos esquecer que a Vale financia Sebastião Salgado desde o primeiro dia de fundação do seu Instituto. Vamos esquecer que impressiona a rapidez absurda com que a organização de Salgado apresentou um “plano de recuperação” do Rio Doce para um crime de extensão ainda imensurável, de efeitos que durarão séculos e de impactos complexos em toda a cadeia ambiental.

Ao contrário de todos os especialistas, Salgado afirma com convicção que a recuperação “durará 20 anos”. Nesta entrevista ao El País, suas ideias são no mínimo confusas. Diz ele (destaques em negrito):

A nossa proposta não é de multar as empresas, essa não é a solução para o nosso vale. Essa multa entra nos cofres do Governo Federal, mas ela nunca vai chegar aqui, vai servir para pagar os juros das dívidas do Estado, emergências, mas nunca vai chegar aos atingidos pela catástrofe do Vale.

Nossa proposta é criar um grande fundo de investimento em que a contribuição deve ser feita pelas duas empresas proprietárias da Samarco, que são a Vale e a BHP. As duas são de uma potência financeira extrema. A gerência desse fundo seria pública e privada e teria o máximo de seriedade e ética na gestão. Como essa recuperação será em longo prazo, então teríamos que ter fundos também em longo prazo para recuperar. Agora, um cálculo de quanto seria necessário, eu não saberia dizer. Tenho apenas uma referência. Há poucos anos, houve uma catástrofe com a British Petroleum, no Golfo do México. Naquela ocasião, foi jogada ao mar uma quantidade grande de petróleo, que correspondia a um estádio de futebol em metros cúbicos, uma proporção menor ao desastre de agora. Esse material demorou um ano e meio para desaparecer da região. Ao passo que a nossa catástrofe aqui é muito pior, ela destruiu muito mais, e os danos reinarão por um tempo grande. Naquela época, a British Petroleum pagou 80 bilhões de reais. Então temos uma base. E temos que calcular que aqui possivelmente esse valor será maior. Temos que negociar com as empresas uma forma de constituir esse fundo e a gente atuar.

Levei a Dilma e ela acha que a proposta tem que ser defendida e afirmou que lutará por essa bandeira. A presidenta disse que o Estado precisa também multar as empresas. Penso que essas multas precisam ser razoáveis para permitir para que se crie o fundo com a participação das mineradoras.

Não somos nós que temos conversas com a Samarco e com essas mineradoras, isso será feito por uma comissão que deve ser criada pelo Governo Federal, pelos dois governos estaduais e o Ministério Público. A referência legal eles que precisam fazer, cabe a nós sugerir. Esta manhã (segunda-feira) eu já conversei com os dois governadores por telefone, temos reunião semana que vem. Estamos em contato permanente com o Ministério Público, com a ministra do Meio Ambiente. Somos a única organização estruturada para o Rio Doce. Nossa entidade é inteiramente desenhada para o rio. Conhecemos como a linha da nossa mão já que temos o projeto desde 1998. Inclusive, já fizemos um projeto de recuperação dentro da fazenda dos meus pais.

Interessante notar que Salgado defende uma compensação maior que 80 BILHÕES DE REAIS. Valor infinitamente maior que as “melhores previsões” até aqui, que giram em torno de R$ 10 bilhões. No entanto, não seriam multas, mas um fundo “de gestão pública e privada”, possivelmente administrados pelas próprias empresas e, é de se imaginar, pagos em suaves prestações enquanto estas mesmas empresas voltam a explorar e produzir minério seja em Mariana, no Espírito Santo e em outras linhas de produção afetadas. Curioso.

Salgado diz ter um plano de recuperação para as 377 mil nascentes do Rio Doce, apesar dele “estar morto”.

“A Bacia do Rio Doce é quase do tamanho de Portugal. O país faz 91.000 quilômetros quadrados e a bacia faz 87.000 quilômetros quadrados, é do tamanho de um país europeu. Então coloca aí, 230 municipalidades, uma população entre 4 a 5 milhões de habitantes. Isso sem anexar Vitória, no Espírito Santo, que está fora do Vale, mas que está muito perto. A capital tem hoje um problema de oferta de água muito grave e começa a preparar canalizações para levar água do Doce para lá. Então, se você coloca a dependência de Vitória, essa população passa para 7 milhões. É muito representativo. Nós temos um projeto para a recuperação das fontes do Rio Doce, porque ele foi um rio potente, mas não é mais. O Doce possui cerca de 377.000 nascentes. Elas não estão sempre na parte alta do rio, há também todos os afluentes que vem de rios médios. Já fizemos um projeto piloto com mil nascentes e todas elas começaram a produzir água ou aumentar a sua produção de uma forma significativa. Já está testado, sabemos quanto custa, sabemos o que tem que fazer. É o único projeto atual já estruturado na região que visa o Rio Doce, ele já existia muito antes da catástrofe e trabalhamos juntos com o Governo de Minas e do Espírito Santo, estamos em fase de instalação.

(…)

No entanto, agora pintou um complicador muito grande nessa história: o rio morreu. Você imagina todos essas 4 milhões de pessoas que vivem na bacia do rio. A maioria das cidades ribeirinhas não possui tratamento de esgoto. Os rejeitos vão em direção ao rio. Antes, quando ele possuía uma vida biológica, com peixes, plantas, insetos e bactérias, o rio digeria esse esgoto, tratava, sofria, mas fazia o trabalho dele. Agora, o rio foi morto. O que ele passa a ser? Um caudal de água estéril, não há mais vida, e hoje se continuarmos jogando essas bactérias dentro dele, passará a ser um caudal de bactérias perigosíssimo para todos. Temos uma proposta junto com a recuperação das nascentes que de instalar em todas as cidades da região um serviço de tratamento de esgoto. A ideia é que a água já entre líquida dentro do caudal para você poder reconstituir a vida do Rio ou então ele não vai se recuperar jamais. Outra necessidade urgente é instalar as matas ciliares que não existem mais.”

Interessante como Salgado se coloca, sempre, como a ÚNICA SOLUÇÃO AO RIO DOCE. Interessante como é Salgado que quer fazer a ligação entre a Vale, os governos federal e estadual, o Ministério Público e por aí afora. Engraçado como é Salgado uma das primeiríssimas pessoas que Dilma recebe para tratar do assunto. Engraçado que alguém como Salgado, patrocinado desde sempre pela Vale e por grandes empresas, tome a dianteira nesse assunto, com soluções prontas e previsões no mínimo dúbias.

Em comunicação, Sebastião Salgado é a figura perfeita. Muitas empresas dariam a existência para ter ao seu lado um personagem como Salgado na hora de uma crise desse tamanho. Simpático ao público, ligado à região, de “reputação ilibada”, figura inofensiva, trabalho pelos oprimidos, ONG, toneladas de prêmios. Nada melhor que alguém como Salgado para limpar a sua barra. Para pintar um monstro menos feio do que ele realmente é. “Vai ficar tudo bem, em 20 anos a gente dá conta disso. O rio morreu, mas não há de ser nada”.

Como diria o filósofo: na comunicação, no mercado e na vida, não existe almoço grátis.

Atualização:

Carlo Ghione fez a gentileza de traduzir esse texto para o italiano

No Facebook, Vinícius Duarte explica didaticamente porquê Salgado não deve se envolver nisso

Maurício Angelo

Jornalista. Capixaba, mineiro por formação, mora em Brasília.

47 comentários em “Sebastião Salgado, o patrocínio da Vale e a “salvação” do Rio Doce

  1. Acredito que ter um projeto é bem diferente de “se apresentar como a única solução”. A ideia de que as multas sejam aplicadas localmente também faz sentido para mim. O projeto dele é de recuperação de mananciais, é um projeto urgente, e não só para o Rio Doce. Eu não acho que a Vale financiar a recuperação da região alivie para ela, é uma obrigação, ela fez a cagada! Eu não me sinto com moral de ficar aqui em casa sentadinho condenando quem faz alguma coisa.

    1. A mim me parece que a postura de Sebastião Salgado é muito transparente. Ele sempre me pareceu muito honesto e não vejo que teria alguma necessidade de apressar-se a defender a Vale. Ele pode, sim, ser o canal para que um volume considerável de recursos seja de fato aplicado na recuperação da região. Ao contrário, o tom debochado do texto aqui publicado me faz ver com desconfiança a pessoa que o produziu e o veículo de divulgação.

    2. concordo Henrique. Quem conhece um pouquinho a trajetória do Sebastião e lê esse texto fica com a nítida impressão que há uma tentativa clara de colocar em xeque a intenção dele, assim como, seu caráter (“reputação ilibada”). Caro redator, se você tem provas com relação à conduta antiética do Sebastião, vá ao Ministério Público e oficialize uma denúncia. Semear esse tipo de desconfiança na rede é temerário. Veja o caso da Bunge e Cargil na região amazônica; duas multinacionais que estão envolvidas em diversos projetos sociais especificamente na área ambiental e as duas juntas são uma das maiores devastadoras da floresta! Por conta disso todas as pessoas que trabalham nas ONGs e nos projetos são corruptas pq suas patrocinadoras têm o que há de mais ambíguo na lógica neoliberal? Sebastião tem mérito sim pelo imenso trabalho de reflorestamento realizado através do Instituto Terra e, além disso, não foi só a Vale que colaborou com patrocínio não, mas várias outras empresas internacionais e houve apoio dos governos federal e estadual (Minas e Espírito Santo). Temerário colar a imagem dele com essa sugestão de um indivíduo corrupto e antiético como o texto está fazendo.

      1. O problema é que isto se chama conflito de interesse, se ele recebe dinheiro da Vale do Rio Doce e a Vale é uma das responsáveis pela destruição do rio das duas uma: ou ele abandona o patrocínio ou fica calado. Agora novamente , se aproveitar da tragédia para sair como o salvador , indo a Brasília para tirar fota com a Dilma (também enrolada nesta encrenca), fazendo seu marketing pessoal e sendo financiado por mineradoras que com certeza lucram degradando o nosso meio ambiente! Não dá para aturar! Desculpe mas a reputação do rapaz esta em cheque.

    3. Eu concordo com você. Podemos pensar o pior de Salgado. Ele era ou é patrocinado pela Vale e esse era/é um meio da própria Vale melhorar a sua imagem. Com essa grana ele fez esse tempo todo um trabalho muito lindo colocando luz nos desprivilegiados e o trabalho de recuperação q ele fez na Fazenda dele é exemplar. Eu vejo luz nessa solução que ele dá. Considero ele uma pessoa muito chave em toda esta discussão.
      Acho pertinente este ponto de vista crítico para contrabalançar as informações e tudo ir para um caminho mais lúcido.
      Afinal, que este estrago possa ser combativo de forma exemplar. Que suas origens sejam impedidas de atuar desta forma novamente.
      Que toda esta verba possa ser justamente distribuída na administração desta recuperação e no apoio e ressarcimento das reais vítimas que são os moradores e dependentes dos rios , sem falar na flora e fauna.

  2. Concordo que se “essa multa entra nos cofres do Governo Federal, ela nunca vai chegar na recuperação do Rio Doce, vai servir para pagar os juros das dívidas do Estado, emergências, mas nunca vai chegar aos atingidos pela catástrofe do Vale.” A dívida pública é algo monstruoso, que drena recursos públicos de forma contínua e sistemática para instituições financeiras privadas, ou seja, bancos. A auditoria dessa dívida é algo e primeiríssima necessidade para crescermos como sociedade de forma sustentável e digna, sem destruir o meio ambiente e sem deixar que destruam. O Estado brasileiro fica com a corda no pescoço e tem de abrir concessões às multinacionais e grupos financeiro, em detrimento do bem comum. Concordo também que se o esgoto de todas essas cidades ribeirinhas for lançado no rio morto, a situação vai ficar mais grave, cada vez mais grave!

  3. Jornalista Maurício,

    Vejo diferentes tipos de abordagens na defesa dos recursos naturais. A sua foi mais uma, a minha é mais outra.
    Apesar da revolta comum que temos com o crime cometido no Rio Doce , cujos responsáveis são as mineradoras sim abraçadas à enlameada política rasteira, não podemos ao meu ver jogar lama em quem trabalha uma vida pela preservação.
    Sebastião Salgado tem ação real no mundo real. Ele não é um ativista virtual.
    Há anos se empenha na recuperação de nascentes e o que ele disse na entrevista precisa ser lido novamente.
    O rio está soterrado mas as nascentes não. É nelas que estão as esperanças para as gerações futuras e é nelas que devemos concentrar esforços.
    Vejo tarefa fácil escrever sobre teorias de conspiração que nivelam a honra alheia. Dirija a produção dos seus teclados na direção de soluções. Contribua! Empreste o seu talento para realizar recuperação.
    As vezes nos empolgamos com o próprio texto e cometemos injustiças com pessoas que não são as responsáveis da nossa revolta. Os patrocínios que recebeu foram para potencializar ações reais em defesa da natureza e cobrir custos por exemplo dos 8 anos que viajou fotografando regiões remotas do mundo.
    Quisera tivéssemos mais patrocínios para Institutos sérios pelo país afora. Os erros da Vale são os erros da Vale que terá que investir bilhões nos prejuízos ambientais.
    A voz de Sebastião Salgado foi rápida, foi a primeira e isso não surpreende. Liderança se faz com exemplo de vida e trabalho. Reconheçamos isto.

    1. Concordamos plenamente com nosso chara Sergio Ferraz, elogiando a rapidez com que o decidido Sebastião Salgado se prontificou a ir falar com a presidente Dilma, uma vez que nos últimos 20 anos ele dedicou-se com total sucesso em resgatar centenas senao milhares de nascentes, propondo literalmente ampliar essa “hídrica ORGANIFICACAO” agora para a toda a dimensão da Bacia do rio Doce! Como arquitetos / ambientalistas que somos, queremos apoiar esse tipo de proposta / intervenção, funcionando sim como uma “acupuntura sócio-territorial”, envolvendo diretamente todas populações locais, lembrando que a própria “amamentação natural” e e sempre será um “projeto único” mais que perfeito, pois totalmente “organico e legítimo” que deveria ser plenamente assumido pelo IBAMA e ICMBio, em todos estados do pais! Todo nosso apoio por uma nova “Gênesis Organificante” de todo nosso planeta, comecando pelas 5.570 cidades, devendo transformarem-se em novas Cidades Verdes Sustentaveis, totalmente de acordo com a atual Lei 12.305 PNRS/RR!

    2. hOWWWWW,,,BELA ANÁLISE sérgio ferraz…. a prioridade é a emancipação, tomada de consciência do macro-organismo biodinâmico interdependente que vivemos….agora é a hora de se organizar em um ponto de aglutinação para realizar as análises coerentes na situação, lembrando que trabalhamos em distintas frequências…. emergenciais, e futuras, todas costuradas e se costurando, a empresa necessita ser responsabilizada pela recuperação e ainda mais, regeneração, caso contrário, o estado necessitará intervir…mas em todos processos é fundamental a organização e sistematização de táticas para garantir “o básico” e por quê não, a abundância vindoura, pode-se observar uma janela de oportunidade para aproveitar a sinergia de um possível fundo “púbico-privado” para regenerar o sistema de suporte básico da vida, ou seja, biosfera, rio, fauna, flora, alimento em abundância para TODOS seres vivos, sem especismos…. observem o exemplo da agroecologia …. sigamos no caminho de cura da terra…. <3

    3. Sérgio, você me representa. Disse exatamente o que penso. E se tem alguém com algum projeto melhor que o de Sebastião Salgado, que o apresente. O mais importante é salvar o rio. Ficar com esse discurso “apartidário” não vai recuperar as vidas perdidas muito menos o rio.

    4. concordo Sergio. Quem conhece um pouquinho a trajetória do Sebastião e lê esse texto fica com a nítida impressão que há uma tentativa clara de colocar em xeque a intenção dele, assim como, seu caráter (“reputação ilibada”). Caro redator, se você tem provas com relação à conduta antiética do Sebastião, vá ao Ministério Público e oficialize uma denúncia. Semear esse tipo de desconfiança na rede é temerário. Veja o caso da Bunge e Cargil na região amazônica; duas multinacionais que estão envolvidas em diversos projetos sociais especificamente na área ambiental e as duas juntas são uma das maiores devastadoras da floresta! Por conta disso todas as pessoas que trabalham nas ONGs e nos projetos são corruptas pq suas patrocinadoras têm o que há de mais ambíguo na lógica neoliberal? Sebastião tem mérito sim pelo imenso trabalho de reflorestamento realizado através do Instituto Terra e, além disso, não foi só a Vale que colaborou com patrocínio não, mas várias outras empresas internacionais e houve apoio dos governos federal e estadual (Minas e Espírito Santo). Temerário colar a imagem dele com essa sugestão de um indivíduo corrupto e antiético como o texto está fazendo.

  4. Tive o prazer de conhecer Sebastião Salgado há muitos anos. Ele já era o fotógrafo reconhecido internacionalmente, e por esse motivo suas fotos foram escolhidas para ilustrar um projeto ambicioso de democratização do ambiente escolar, em uma modesta escola pública no município de São Gonçalo, RJ. Contatado pelos professores responsáveis, prontamente cedeu gratuitamente vários posters de fotos suas, que composeram uma linda exposição. No dia da inauguração, surpreendeu a todos comparecendo sem aviso previo, sem exigências, sem assessores, sem midia, holofotes ou patrocinadores. Veio sozinho, tratou a todos com simplicidafe e simpatia, e foi um dos ultimos a sair. E acompanhou o projeto, posteriormente. Não existia o facebook então, não houve portanto postagens, Instagran ou qq tipo de divulgação. Não sei se isso diz algo a vocês, mas a mim, sim. Sei que as coisas estão complicadas, é normal ficarmos arredios, mas prefiro crer que ainda há pessoas de caráter e boa intenção. Mesmo entre os famosos e bem sucedidos

  5. Acredito ser de total responsabilidade das empresas causadoras do incidente arcar com todas as despesas e que esse dinheiro não va para a mão do governo pois como ele mesmo diz nunca vai chegar pra o que de fato seria necessário.

  6. Eu creio que Sebastião Salgado, quando fala do vale, da bacia e do rio doce, sabe muito bem o que está dizendo, aliás vem repetindo esse discurso faz alguns anos. Não vejo problema algum ele se apresentar como unica solução, visto que não existe nenhuma outra em pauta. Ninguém mais apresentou nada. E a Vale/BHP patrocinar o único projeto de solução até o momento não é mais que obrigação! Dentro da urgência que a situação pede, ele ter se apresentado e sido recebido por autoridades e governos também é de uma lógica compreensível, pois no caos todos estão atarantados e despreparados enquanto Salgado é o único com alguma lucidez graças ao seu conhecimento de pessoas, de causa e de fato. A outra opção é observar e desenvolver teorias…

  7. Senhor Mauricio, qual o projeto que o senhor tem a apresentar?
    Temos pressa e seria de grande valia que surgisse um projeto que saia do papel, mais rapido e sem o patrocinio da Vale , se eh que o senhpr recusa o patrocinio da Vale.
    1 – O projeto de Sebvastiao Salgado ja estava em andamento ha muito tempo e ele veio apresenta-lo nesse momento para acelerar a sua realizacao. Ja havia inclusive, vindo a Vitoria para veiculacao na Gazeta sobre o projeto que precisa de visibilidade para conseguir os materiais para a excucao e sucesso da recuperacao das nascentes. 2 – As multas sao punitivas e multas punitivas nao podem ser desviadas a exemplo das multas indenizatorias. portanto, o dinheiro de multa punitiva vai direto para os cofres publicos e nao para as vitimas. Quanto mais multas punitivas aplicadas, menos para o Fundo Permanente de Recuperacao das Nascentes da Bacia do rio Doce.
    Por favor, Senhor Mauricio, desenhe o seu projetto porque eu nao consegui compreender a sua sugestao para salvar o Rio Doce.

  8. …palavras bem aplicadas do Ferraz… “Vejo tarefa fácil escrever sobre teorias de conspiração que nivelam a honra alheia. Dirija a produção dos seus teclados na direção de soluções. Contribua! Empreste o seu talento para realizar recuperação.”
    Você ai, saia do seu conforto e siga o exemplo do Salgado, ele está fazendo a parte dele, certo para você ou errado para você… ele está fazendo alguma coisa… e você que está criticando, está colaborando?… já deu alguma colaboração de alguma forma???, se não deu, comece agora ao invés de criticar…FAÇA ALGUMA COISA…

  9. Caro Maurício
    não me parece clara a tua construção de texto. Certamente questiona a colocação do Sebastião Salgado, mas exatamente como?
    Hipócrita, vendido, corrompido, subserviente, interesseiro, etc. ?
    E a tua posição é ainda menos clara:
    você é contra a proposta?
    Contra o Sebastião?
    Contra o governo?
    Além disso, não conhecendo tuas posições e podendo estar enganado, o time dos que gritam depois sempre me parece oportunista e incapaz; a grande atuação é a da previsão, a da observação de que existem posicionamentos impróprios enquanto tudo parece certo. Depois da porteira arrombada, as críticas são só manchetes de tabloides sensacionalistas.
    Finalmente, cade as idéias? Para uma análise aparentemente fundamentada, as sugestões de encaminhamento são perfeitamente possíveis; mas não vi nenhuma.

  10. Curioso um sujeito que é fotógrafo, mora fora do brasil, aparecer de repente apresentando a presidanta de forma exclusiva um mega projeto de recuperação ambiental cujos valores sabemos serem astronômicos. Só no Banânia um fotógrafo contrata a recuperação de um ¨sítio¨, faz um filme; daí se sente com capacidade de fazer algo com porte de coisa nunca feito no mundo antes. Muito estranho! Particularmente, será mais proveitoso ele ir a Síria fotografar os combates do ISIS deixando projetos de recuperação ambiental ( se existir) para especialistas.

  11. Eu fico imaginando o curriculum do autor do blog para fazer críticas como essa ao Sebastião Salgado. Com certeza, deve ter muitas ações realizadas em defesa do meio ambiente, quiçá uma vida devotada à causa.
    A merda do mundo é isso: há milhares de inúteis criticando tudo é poucas pessoas efetivamente fazendo alguma coisa.

  12. O jornalista Sr. Augusto Ângelo tem alguma solução a apresentar? A lama da Samarco já foi o suficiente, não necessitamos da lama oportunista de quem quer se auto promover destilando mais veneno sobre a desgraça alheia. Agora veja se faça algo útil e nos apresente soluções!

  13. Maurício Ângelo,
    Você tem razão, Sebastião Salgado é uma pessoa muito respeitada por tudo o que fez até hoje.
    Suas desconfianças em relação às empresas são corretas. E a mineração é realmente uma atividade danosa ao meio ambiente. Por tudo isso, louvo as iniciativas do Sebastião Salgado e considero sua proposta a melhor para a recuperação da bacia hidrográfica do Vale do Rio Doce, porque é a mais factível. Ele conseguirá mobilizar cientistas e a mídia do mundo inteiro, para fazer tudo o que for possível para levar vida novamente para a região.
    Por último, sinto, mas tenho que lhe dizer que considero desnecessário o tom (irônico? “despeitado”? – não sei) empregado por você no artigo. De destruidores o mundo está cheio, jovem jornalista. Precisamos mais do que nunca de pessoas que constroem, que fazem coisas boas e significativas. Sebastião Salgado é um deles.

  14. Acabei de ler uma publicação na Net em que são publicados os maiores devedores de impostos do Brasil, e a Vale está em primeiro lugar com um valor astronômico que junto com a desgraça em que se meteu pode até inviabilizar a empresa! E aí, quem vai pagar a conta????

  15. Maurício, não sei se entendi o que você quer dizer. Parece que quer pintar um Saramago oportunista ou fantoche da Vale. Tenho honestas dúvidas sobre esse visão meio rasa. O que vi – e foi você quem me mostrou – é que até agora, bem ou mal, Saramago apresentou a única solução de curto e médio prazos para o Rio Doce. Espero que você tenha uma também, assim poderemos comparar e debater qual é a melhor.

  16. Teclar é fácil. Viu? Acabei de escrever e é fácil pra cacete. Agora apresentar uma solução, nem que seja em projeto escrito, desse jeito mesmo, em texto… aí é outra história. Quem sabe no próximo post?

  17. O artigo escrito por Maurício Angelo, no site Crimedeia: “Sebastião Salgado, o patrocínio da Vale e a ‘salvação’ do Rio Doce”, segue uma rotina amorfa e sonsa. Ele me lembra alguém que tem muitas dúvidas sobre si mesmo e do mundo. Ainda bem! Se fosse ao contrário, o universo observável seria extremamente simétrico e chato. Mas como o século 21 representa o auge do antropoceno, nunca é tarde para diálogos aparentemente insólitos.

    Mas a impressão que se tem é que alguém, sejam os financiadores do site crimedeia ou outros balangandans esquisitos, esteja insatisfeito com os movimentos criados por Sebastião Salgado e, principalmente, da visibilidade que o Instituto Terra, em Aimorés, Minas Gerais, ganhou aos olhos do mundo. Exageros? Não!!! Um fato.

    Percebi que a maioria dos pontos apresentados pelo burocrático site, que se autointitula “Ministério da Verdade”, uma ideia tirada dos elementos literários de George Orwell (1903-1950), se diz apartidário e sem orientações “ideológicas”. Na minha reflexão, esse é um terreno lamacento, ofuscado pela ausência de uma legitimidade conceitual comprometida com a informação.

    No seu romance “O Homem sem Qualidades”, Roberto Musil lança esse fagulha: “Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem.”

    Com um viés retórico, disfarçado como inovador de ideias, e, sobretudo, performático em conjecturas contra modelos predatórios, eu não encontrei nenhum artigo, matéria ou ensaio, que aborde temas ambientais relevantes para analises científicas, como por exemplo, a destruição dos rios e dos mares causado pela agricultura animal. Por que será? Ao longo dos últimos anos inúmeros coquetéis de toxinas são lançados na água doce. Que por sua vez tem devastado o mar, que perdeu 50% da sua biodiversidade marinha nos últimos 30 anos. Até agora não vi nenhum ambientalista levantar esta questão.

    Aí eu pergunto, só agora o genial escriba Maurício achou o momento adequado para expor seus teores conspiratórios sobre Sebastião Salgado + Banco Mundial + Governo Federal e outras quinquilharias exóticas relacionada com a recuperação do Rio Doce? Que jornalismo é este?

    Crimedeia na verdade é partidário. Partidário da falência de uma visão de mundo… Que seja mais profunda. O site se ampara em notícias de jornais e não possui qualquer bibliografia mais específica sobre o problema que apresenta. Parece encenar recortes epistemológicos para desconstruir o projeto apresentado pelo Instituto Terra; até agora, o único a fazer algo realmente eficaz no Brasil, sem que se perca em subterfúgios de um relativismo cultural hipócrita. Acho que o Maurício deveria buscar fontes interessantes, tais como Enrique Leff, Silvio Funtowicz, Bruna de Marchi, Isabel Carvalho, Jorge Osorio, Rubén Pesci, Daniel Luzzi, Javier Riojas, Joaquim Esteva, Javier Reyes e Maritza Gómez, para melhor avaliar sobre o que fala.

    A matéria não apresenta paradigmas satisfatórios e desenvolve uma “lógica”, com tons de manipulação, intrinsecamente conservadora ao enveredar por caminhos enunciados como reais. Extremamente cartesiano, o texto tenta criar fôlego, brandindo uma certa arrogância nas informações obtidas pela “antenada legião”, que alfineta o curto tempo que o Instituto Terra teve para apresentar uma resposta rápida para o problema. Ora!!! O instituto é um espaço científico. Essa é a sua função. O jornalista por acaso não sabe quais são os procedimentos contra os impactos negativos?

    Em determinado momento o texto tenta conceituar aspectos éticos, relacionais e profissionais de Sebastião com a empresa Vale, como se o fotógrafo estivesse estabelecendo metafísicas canibais com o poder estatal. Cita uma entrevista do fotógrafo em uma determinada mídia européia, onde na ocasião vários ambientalistas protestaram contra a exposição de Salgado por ter o seu trabalho patrocinado pela Vale.

    Gostaria de saber os nomes desses ambientalistas europeus. Sabe-se que grande parte deles é extremamente frouxa quanto a questão dos processos corrosivos da agricultura animal.O site, literalmente empobrecido, com base em relatos publicados apenas por jornais, não cita quais serão os impactos positivos que estão sendo orientados pelo Instituto Terra, quanto à preservação das nascentes do Rio Doce.

    Sebastião Salgado é economista. E Isso não é novidade para ninguém. Quando ele fez doutorado em Paris, com certeza criou vínculos com uma geração que atualmente tem colocado o dedo na ferida no raciocínio dos neo liberais. Creio que pelo seu trabalho e pela sua total lucidez quanto aos problemas do Brasil, ele não teria qualquer motivo para se lançar como peça mercadológica. Afinal, Sebastião Salgado tem visão de mundo e o Maurício a dele, como já disse, sem relevância.

  18. Um outro debate que poderia acontecer em torna da proposta do Artista Sebastião Salgado para a minimizar os danos dessa tragédia anunciada, se daria no próprio campo da arte e de seus mecanismos de financiamentos. Eu considero o mecenato um dos maiores problemas da atividade artística. Grande parte da produção simbólica contemporânea tem suas atividades, em algum momento, patrocinadas, via RENUNCIA FISCAL, por empresas cuja às atividades fim, são muitas vezes, deliberadamente, executadas de forma criminosa. Ainda mas, em países em desenvolvimento, onde a atividade capitalista se manifesta sistematicamente de maneira socialmente irresponsável. Mineração, Petroquímica, Produção de Energia, Bancos, Telefonia, enfim… Um conjunto de varias atividades e empresas, que estão entre os maiores mecenas da produção artística no Brasil. O problema é que essas corporações, sempre jogaram esse jogo sujo que estamos assistindo a Vale/BHP jogarem no episódio do colapso de uma de suas muitas barragens de rejeitos. Nessa hora, fica evidente as contradições e fragilidades desse sistema de patrocínio e seu prejuízo para o setor artístico. Nesse Regime de Visibilidades, quando o assunto é fomento à produção artística, a relação que se estabelece entre os Artistas e os departamentos de marketing das grandes empresas, não poderia ser outro, que não esse do comprometimento. E isso acontece porque em última instância, neste sistema, são os departamento de marketing da grandes empresas que acabam sendo os responsáveis por definir o que é, ou não, socialmente relevante promover/visibilizar na produção simbólica do país. Infelizmente, esse é o Regime de Visibilidade que está estabelecido no contexto da arte e, com o qual, nós artistas, temos que nos relacionar. É esse sistema que vem financiando a realização e ou a difusão de artistas da envergadura de Sebastião Salgado. E agora? O que será feito do Rio Doce e do capital simbólico que o artista Sebastião Salgado construiu, quando vemos o nome dele associado a essa tragédia anunciada? Para além da morte trágica do Rio Doce, estaríamos assistindo também a morte simbólica do artista Sebastião Salgado?

  19. Após ler o texto fica a nítida impressão de que o articulista não sabe muito bem sobre o que está falando e parece querer mais aparecer do que levantar um tema sério.
    Conheço o trabalho feito pelo Instituto Terra há muitos anos, e o acompanho quase desde a sua fundação.
    É uma das poucas ONGs que REALMENTE tem preocupação com o meio ambiente e que realiza um trabalho sério e com fins sociais.
    Sinceramente, para mim o articulista parece mais uma criança mimada e birrenta que quer-porque-quer aparecer.
    Este comentário dificilmente será publicado, mas fica a satisfação de dar um puxão de orelhas em uma pessoa que tenta diminuir um trabalho tão importante que está sendo feito pelo nosso meio ambiente.

  20. OS QUE ESTÃO À MARGEM COM GLAMOUR OU A ESTÉTICA DO COLONIALISMO 22.03.2014
    SEBASTIÃO SALGADO I
    Existem pessoas, cujo reconhecimento é tão grande que qualquer coisa que se diga delas ou da respectiva obra faz do “critico” uma pessoa execrável. Uma ex-aluna, jornalista atuando como fotógrafa, escreveu um trabalho de conclusão de curso comparando seis ou oito fotos (ñ lembro), de um famoso e reconhecido, com quadros considerados clássicos da icnografia cristã. São quase que absolutamente idênticos alguns elementos. Não sei de onde ela tirou a ideia. Coincidência? Pode até ser. Inspiração? Pode até ser. Mas é preciso reconhecer, dizer, indicar que tal relação existe. É claro que é preciso talento, também, até para “copiar”. Nada contra em arrumar (produzir) o “cenário” para a foto perfeita. Só que isso tem que ser dito. No fotojornalismo é condenável. A lógica atual é a do paparazzo. Da fotocampana. Ou da foto produzida. Das teles com flasches em plena luz do dia. Quem de nós não ficaria imbatível contando com o trabalho de alguns dos melhores profissionais de laboratório fotográfico, do mundo? Quem de nós contando com a patrocínio (antecipado e de milhões), em todas as etapas, não produziria séries fotográficas para a posteridade? Assisti, faz tempo, uma entrevista de um famoso, no programa Roda Viva que, a cada duas palavras dizia ENTENDE (uma coisa irritante), com uma atitude de superioridade e até mesmo de arrogância, intercalando palavras de “humildade”. Humildade conta pontos. Toda unanimidade é burra. No mínimo desconfio. Tenho um certo prazer de ficar na contramão. Não para ficar em evidência. Pelo simples prazer de ser gauche. Nasci torto. Ou idolatria de profissionais que estão submetidos a um dos piores momentos da história da profissão. Grande parte free. Desempregados. É quase tudo foto/divulgação ou de agência, coisa de relações públicas. Não tenho a pretensão de ter todas as verdades. Apenas uma parte dela. E não posso fazer nada se ainda penso!
    SEBASTIÃO SALGADO II
    Na porta da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) um aluno pede para conversar comigo. E pergunta: professor, quantos fotógrafos da nova geração, trabalhando na mídia corporativa como o senhor diz, como setorista de polícia ou plantão, fazendo acidentes, poderá se tornar um Sebastião Salgado? Fiquei calado olhando para o aluno. Um olhar de simpatia. E, é claro, pensei que a resposta seria, nenhum. Devolvi a pergunta. E ele, nenhum. Segue o papo. Quantos fotógrafos da velha geração submetidos ao cotidiano das redações, mesmo considerando os bons tempos do fotojornalismo, conseguiram reconhecimento como o Sebastião Salgado? Não tinha, evidentemente, como devolver a pergunta. Respondi de pronto, nenhum. E, imediatamente, pensei em alguns talentosos: Armênio Abascal, Olívio Lamas, Scalco, Assis (estes já morreram), mas lembrei de Paulo Franken e Daniel de Andrade e de muitos outros, quase todos fora das redações. Fiquei pensando que todos estes poderiam ter sido um Sebastião Salgado, submetidos a outras condições de trabalho. Mil desculpas a todos que não foram incluídos nesta relação. Foram os nomes que primeiro me vieram em mente. Talvez por ter convivido com todos eles. O Armênio era puro talento, mas um “marginal”. Comprei, recentemente, alguns números, encadernados, da Revista Placar para ter algumas das mais brilhantes fotos do Scalco. A lista seria enorme.
    SEBASTIÃO SALGADO III
    Passei parte da manhã em um café do Bom Fim (POA). Uma mesa equilibrada. Metade de jornalistas da nova geração e a outra metade da velha geração. Para não fugir à regra, todos falando sobre jornalismo. Lá pelas tantas, um deles (nova geração) diz de forma direta: não gosto das fotos do Sebastião Salgado. Silêncio na mesa. Fico super atento. Até pelo fato de que este é um ex-aluno com o DNA da profissão. E segue dizendo o principal motivo. São imagens perfeitas, tecnicamente irretocáveis, verdadeiros quadros, uma glamourização dos pobres, marginais (dos que estão à margem), excluídos; e as de caráter, nitidamente, etnográficos obedecem à estética colonialista. Não tem nenhuma diferença expressiva de como os colonialistas retratavam fotograficamente e em seus desenhos os “primitivos”. Esta é a razão para agradar, amplamente. Imagens de marginais (dos que estão à margem) que não incomodam. Lindas. Seguiram-se várias observações. Da antiga geração escuto uma boa história. Diz ele, escutei um relato de uma antiga editora de cultura de tal jornal. Ela, como fotógrafa, super ligada ao Xingu presenciou a chegada do Sebastião Salgado com sua equipe. Conta várias detalhes sobre quem é esta pessoa, a relação dela com os povos da região, a importância no jornalismo e alguns aspectos da presença do famoso. Destaco um detalhe deste relato. O famoso estava fotografando um índio, pescando; e após algumas fotos se dá conta que o indígena está com um imenso relógio de pulso. Pede para que o índio tire o relógio e depois de muitas tratativas, desiste. O índio não aceitava tirar o relógio. Não lembro o valor citado que ele teria pagado para realizar a série. Uma puta grana. Este velho jornalista, após ressaltar a limpeza técnica das fotos, também, expressou concordar com as observações do mais jovem. Retornei para a “caverna” com a alma mais serena. Não estão, completamente, fora de propósito algumas coisas que tenho pensado e sobre as quais tenho rabiscado algumas linhas, nos últimos dias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *