
Enquanto Federer e, depois, Nadal, se revezavam no topo do ranking, protagonizando finais consecutivas de Grand Slam em jogos incríveis (como Wimbledon 2008, um dos melhores da última década, certamente), Djokovic ainda era coadjuvante, apesar do título do Australia Open em 2008. Coadjuvante porque dificilmente conseguia fazer frente aos dois líderes e falhava nos momentos decisivos. Aprendendo, treinando e burilando seu jogo durante todo esse tempo, o sérvio subiu vários níveis e corrigiu suas falhas. Além de descobrir uma alergia a glúten, eliminando a substância da sua dieta, mudança responsável pela sua condição física impressionante este ano, segundo o próprio.
2011 mudou tudo. Com incríveis 64 vitórias em 66 jogos na temporada – perdendo apenas a semi de Roland Garros para Federer e tendo que abandonar a final do Masters de Cinccinati contra Murray – Djoko faturou todos os outros três Slam’s: Australia, Wimbledon e US Open, totalizando 10 títulos em 2011. Extremamente sólido no torneio, em partidas duras porém vencidas com tranquilidade contra Davydenko, Dolgopolov e Tipsarevic, salvando três match points na semi contra Federer, superando situação extremamente adversa. Praticamente imbatível, Nole chegou se valendo da freguesia recente de Rafael Nadal e confirmou: venceu todas as 6 finais que teve contra Rafa em 2011, “achando” uma maneira de derrotar sempre o espanhol.
E esta “maneira” foi demonstrada na final do US Open: jogaço de mais de 4 horas em 4 sets em que os dois tenistas mostraram o quanto estão acima dos demais, com a exceção óbvia de Federer. Com um retorno de saque fantástico, devolvendo sempre a incomodar profundamente Nadal, bolas secas na paralela, domínio de fundo, obrigando o espanhol a encurtar o seu jogo e uma resposta eficaz contra os slices e o top spin de Rafa, Djoko foi novamente monstruoso e caminha para derrubar a hegemonia de Nadal no saibro. Roland Garros 2012 certamente promete.
Em pouco tempo Djokovic conseguiu não só alcançar os dois principais tenistas do circuito – e dois dos melhores da história, os fatos comprovam – como superá-los. Uma evolução incrível do sérvio que não dá sinais de que vá parar tão cedo. Com o declínio de Federer – pela idade, já demonstrado num ano sem GS em 2011, o que não acontecia desde 2002 – é natural que Djoko e Nadal assumam o protagonismo do tênis mundial e proporcionem belos duelos por bastante tempo. Se quiser voltar a vencer Nole, Nadal terá que estudar bastante e encontrar uma forma. Rápido.
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