Foto: Globoesporte

Muricy é o tipo do cara que, se tivesse treinado a seleção brasileira de 70, até hoje estaria dizendo que o mérito foi dele. Que soube administrar os egos, arrumar a defesa, liderar  o grupo naquele momento conturbado do país, blindar o time que não era unânime antes de ir pro México, etc. Sabe? Pois é.

Uma semana antes de protagonizar um dos maiores vexames recentes do Palmeiras e ser sumariamente demitido, Muricy deu essa entrevista pro Globoesporte. Ele é o cara “bom pra caramba”, que “não tem medo de pressão” e que “não faz marketing”. No Brasileirão 09, ao perder e empatar partidas consecutivas, vendo o ano ruir rapidamente, Muricy exalava falsa tranquilidade e que “o time é bom”. Na entrevista, admite que não tinham um elenco bom o suficiente pra ganhar o BR.

Depois da demissão, Muricy resolveu atacar a diretoria. A “falta de ousadia” do Palmeiras, segundo  o próprio, atrapalhou seu trabalho. E “com esse time aí, não dá, já tinha falado pros caras”. Não dá nem pra disputar  o Paulistinha e a Copa do Brasil, Muricy?

Maysa seria uma boa trilha sonora para a derrocada do falastrão. É “compreensível” que seja “chato” dar entrevista após o jogo, sob alto stress, para uma dúzia de jornalistas prontos para falar obviamente do que ele não quer falar. Muricy esquece que não é nenhum favor, que faz parte do trabalho dele e que ganha muito bem pra fazer isso. 400 mil. E o Palmeiras ainda terá que pagar 2,5 milhões de multa recisória. Curioso que o “melhor treinador do Brasil” seja enxotado de um clube dessa maneira. Clube que prefere pagar milhões a ficar com ele na equipe. A bola, às vezes, pune.

O que sobra pra Muricy agora? Irá completar o pé de meia no Oriente Médio, Ásia? É o mais provável. Mercado para treinador brasileiro duvidoso é o que não falta por lá. Seria um alívio para o futebol. Difícil que Muricy, pelo menos por agora, consiga emprego nos clubes grandes do Brasil. Como diz o ditado: “não vale quanto pesa”.

Requiem e aspas para o fanfarrão:

Tem a obsessão de conquistar um título pelo Palmeiras?

Ô se tenho! Não por mim, mas pelo tratamento que tenho desde que cheguei. As pessoas me receberam bem e queria dar alguma coisa em troca. Já fui campeão várias vezes, mas queria pela satisfação de ver as pessoas felizes. É isso que me dá força para continuar forte aqui e brigar. Eu vejo que as pessoas têm ainda um pouco de insegurança em relação ao time, mas ele é forte. É só nisso que penso todos os dias, no título.

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2 comments

julho 23rd, 2010

[...] Muricy foi demitido sumariamente do Palmeiras, teci breve análise sobre o perfil do sujeito. Aqui. Há pouco a acrescentar. Depois de sair da Pompéia, Muricy curtiu férias com os milhões [...]

março 16th, 2011

[...] Realmente é engraçado, pra resumir, essa “celeuma” que a saída do Muricy do Fluminense causou. O Rica Perrone, por mais que tenha provavelmente uma dose pessoal contra o cara, definiu bem o que acho do Muricy e desse caso específico, aqui. Quando Muricy saiu do Palmeiras – pouco mais de 1 ano atrás, diga-se –  de modo igualmente “estranho”, comentei também aqui mesmo no Olímpico. [...]

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