O Flamengo tem um problema histórico: não respeita time pequeno. Por não respeitar, quase sempre acaba se complicando. Exemplo simples: no Brasileirão do ano passado o Fla foi o que teve o melhor retrospecto nos jogos disputados entre os 12 grandes. Ao mesmo tempo em que perdeu pontos para Barueri, Náutico, Sport, Avaí, etc.
Quanto mais pressionado e desafiado, mais o time rende. Mais leva o jogo a sério. A partida de ontem, exaltada por toda imprensa como incomum, marca este que deve ser o dia mais feliz da história do Botafogo nos últimos 4 anos, no mínimo. Após 10 jogos sem ganhar do Flamengo, humilhados constantemente, hoje é feriado em General Severiano. Vale o título mundial por vencerem o melhor time do Brasil.
Quem viu a partida sabe que o Botafogo jogou como o time pequeno que é. Botinadas pra todo lado e bola aérea. Achou o segundo gol num tempo em que não fez absolutamente nada e era totalmente dominado. Gols perdidos pelo Império do Amor e a má fase já longa da defesa fizeram o resto. Petkovic ainda não voltou da Sérvia. A final da Taça Guanabara reúne os dois times mais covardes e mais fracos. Os dois que jogaram nitidamente pior, na retranca.
O Flamengo já há alguns anos se caracteriza por um time que faz pouquíssimas faltas e se preocupa apenas em jogar futebol. No fim do primeiro tempo, ontem, o Botafogo tinha feito 12 faltas e o Fla, 2. Troca de passes, inversões de lado, direcionamento sempre vertical, para o ataque.
Sobre a média bisonha de 2/3 gols tomados por partida, Andrade disse que não é problema por que jogava num time que tomava 3 mas ganhava de 4 e 5 todo jogo. Mas esquece que a equipe de Zico e cia é considerada simplesmente uma das melhores de toda a história do futebol. É óbvio que o Flamengo precisa de pelo menos 2 zagueiros. Um pra ser titular, de peso, e outro pra reserva. Não pode depender da guarda de Maldonado, nem da eterna fase ruim de Angelim e Álvaro. David e Fabrício, apesar de mais novos e mais altos, ainda não inspiram confiança.
A boa novidade do ano até agora é Vinícius Pacheco, que aprendeu a jogar futebol. Veloz, habilidoso e oportunista, pode ser o substituto ideal de Pet, função que já vem realizando. Vinícius pode ser o primeiro jogador revelado na base do Fla nos últimos anos a ganhar destaque no time principal. Característica da Gávea que precisa ser reconquistada. Erick Flores, Lenon, Bruno Paulo, Jorbison, Welinton, Galhardo, Camacho, Vítor Saba e Mezenga são nomes que tiveram suas oportunidades e não conseguiram se firmar. Permanecem como promessas. Alguns com potencial verdadeiro.
O desempenho do time na Libertadores na última década foi pífio. Saiu na primeira fase em 2002 e foi eliminado de forma trágica para Defensor em 2007 e América-MEX em 2008. Os rubro-negros estão escaldados e cautelosos. O tetra carioca, se vier, ótimo. Mas é a Liberta que preocupa. Não chegando ao título, ser eliminado de forma digna já seria um avanço. E todo mundo sabe que depois da Copa do Mundo, Adriano, Love e cia deixam o barco. O Brasileirão será guerrilha total.
Acabou a pré-temporada do Flamengo. O ano começa agora.
A velha prepotência rubro-negra. Perdeu e pronto. E se cuida que é daí pra pior.
Entendo o velho incômodo que o Flamengo causa. Mas raramente o futebol é tão simplista quanto isto. Abs.
[...] seja qual for, é um mal necessário. Para não dizer que não falei antes, repito trechos do que escrevi aqui nesse blog em 18 de fevereiro de 2010, entremeado com uma análise [...]