Nos últimos tempos dois esportistas de renome dos Estados Unidos e Inglaterra se envolveram em casos de “escândalo” parecidos. Tanto Woods quanto Terry cometeram adultério, tiveram suas aventuras reveladas, fizeram a festa da imprensa, perderam milhões em patrocínio e foram condenados por uma moral duvidosa e peculiar.

A colônia, pasmem, exala o mesmo comportamento do império. Não se trata de defender o adultério aqui, são outras águas. Mas é sempre fascinante observar como o politicamente correto, a hipocrisia e os preceitos do “cidadão de bem” dominam o mundo.

Woods sofreu um acidente e viu começar a explodir na imprensa casos de infidelidade. Logo contratos foram quebrados, o golfista admitiu “vício em sexo” e foi se internar numa clínica. Algo bizarro o suficiente. Acaba de “pedir desculpa” por tudo e diz que “tem um longo caminho a percorrer”. Tudo forçado ao extremo.

Terry, um dos principais zagueiros do futebol mundial, capitão da seleção inglesa e do Chelsea, conseguiu trair a esposa com a mulher de Wayne Bridge, também jogador da seleção. Deu-se a desgraça. A matéria do Daily Mail resume bem:  “o jogador que envergonhou a Inglaterra”. Terry foi massacrado e praticamente exigiram que se tirasse a simbólica braçadeira de capitão, “porque o time precisa de alguém para se inspirar”.

A rapidez com que os patrocinadores cancelaram contratos, tentando desvincular a imagem do produto aos antes “exemplares” garotos-propaganda é cristalina: deixaram de servir de molde para o público cristão, exigente, de “boa índole”, paladinos da moral. A ironia sorri.

A reação desmedida aos dois casos indica que, por mais que ares “modernos” sejam alegados por aí, mudamos muito pouco nos últimos séculos. A patrulha dos “bons costumes”, aliás, se intensificou bastante do XVIII pra cá. É a “le pastie de la bourgeoisie” que conhecemos tão bem. O esporte, parece óbvio, indica parte considerável da nossa cultura, mentalidade e comportamento.

Brave new world.

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