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É a melhor notícia para o futebol do Flamengo em muito tempo, sim. Zico, o ícone, perfeito em campo e quase fora dele, símbolo máximo de uma nação e único capaz de impor respeito geral e não deixar sanguessuga-que-não-larga-a-teta abrir o bico, tá de volta. 20 anos depois de se despedir.

Para os rubro-negros, é o Deus da sua religião. Mas Zico não vai fazer milagre. Um bom indício é que o Galinho volta ao Fla pelas mãos de Patrícia Amorim, que parece mais confiável que a corja costumeira que comandava o clube. E os poderes dados a Zico caminham para não ocorrer a palhaçada que fizeram com Júnior em 2004. José Ilan foi preciso:

Zico tem visão empresarial e conhece muito o futebol dentro e fora das quatro linhas. Portanto, tem credenciais para organizar os bastidores de um gigante, que precisa mesmo se agigantar na estrutura.
Nesse contexto, a torcida vai ter papel fundamental. Precisa entender que erros ou omissões de décadas não serão corrigidos em semanas ou meses. E soluções a médio e longo prazo não podem estar atreladas a resultados imediatos do time de futebol.

Zico tem visão empresarial e conhece muito o futebol dentro e fora das quatro linhas. Portanto, tem credenciais para organizar os bastidores de um gigante, que precisa mesmo se agigantar na estrutura. Nesse contexto, a torcida vai ter papel fundamental. Precisa entender que erros ou omissões de décadas não serão corrigidos em semanas ou meses. E soluções a médio e longo prazo não podem estar atreladas a resultados imediatos do time de futebol.

No Brasil, muito mais difícil que na Europa, trazer um grande ídolo de qualquer clube para ocupar cargo importante no futebol (seja técnico, dirigente ou presidente) não costuma funcionar bem. Vide Roberto Dinamite no Vasco e alguns outros. É sempre delicado equilibrar a história eterna e o respeito conquistado dentro das quatro linhas com as obrigações, cobranças, politicagem e toda uma série de problemas acumulados ao longo de décadas e que não dependem exclusivamente de uma única pessoa para serem resolvidos.

No campo, um gênio pode resolver sozinho. Fora dele, costuma depender de uma série de imbecis, amadores, sanguessugas, múmias, da burrice e dos interesses escusos de muitos. É complicado. Difícil implantar uma transformação real, profunda. De longuíssimo prazo. Fazer uma limpa nas células cancerígenas da Gávea. Profissionalizar um clube que quase sempre foi amador até o tutano. Difícil não meter a mão na lama. Sair ileso e vencedor no meio de tanto encosto.

Mas Zico talvez seja o único capaz de reunir o respeito máximo de todos por SER parte fundamental do Flamengo, com mais moral e história que qualquer outro, e a competência fora do campo. O Galinho rodou bastante nesses 20 anos, como técnico, dirigente e sabe das coisas. Conhece tudo de bola. Sabe administrar. Tem inteligência e competência. E o maior respaldo que alguém pode ter. Muitas coisas a favor diante de um clube sempre nebuloso.

Mesmo com todas as previsíveis turbulências, a entrada de Zico no futebol do Flamengo pode significar o autêntico renascimento da instituição. Dentro e fora das quatro linhas. Seu nome (e admiradores, amigos, etc) podem trazer as pessoas certas para mudar o Flamengo. Não fará milagre, mas tem muito pra dar certo. 35 milhões com apoio irrestrito. E bem além disso. A comoção da torcida desde que a notícia saiu foi única. Maior do que a por um título. Porque sabe o que isso pode significar.

Ninguém melhor que o eterno camisa 10 da Gávea pra botar as coisas nos trilhos.

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Perdidão

Perdidão

Tem gente que dá sorte na vida. Ou não exatamente sorte, mas aquela oportunidade que cai no colo, não sem méritos próprios. Exatamente o que aconteceu com Rogério Lourenço. Mas no momento errado. Num clube zoneado como o Flamengo e num momento de turbulência, a “sorte” pode se transformar numa “queimada” profunda na carreira. Ajudada por vacilos diversos.

Andrade caiu porque perdeu o comando e o pardieiro tava sem rumo. Lourenço, auxiliar de Andrade, assume como o famoso “não tem você, vai você mesmo, salva aí agora maluco!”. Leva no bico e empurra com a barriga enquanto dá. Passa pelo Corinthians. É eliminado pela Universidade do Chile num jogo patético no Maracanã. Fim trágico do primeiro semestre para o Fla. Desde o início, as contradições. O “não sei o que to fazendo mas vamo que vamo”.

Rômulo surge do terceiro escalão e vira solução, a “peça que faltava pra arrumar o time”. Alçado a condição de “curinga” do treinador, não fica nem no banco nos últimos jogos. Pet, disparado o melhor armador da equipe apesar da idade avançada, teve pouquíssimas chances na Libertadores e agora vira “é Pet e mais 10″. O time terá que jogar de acordo e para o meia. Solução conhecida desde o ano passado, pelo menos. E só agora? Do dia pra noite? Rogério treina com um time e escala outro. 2 zagueiros, 3 zagueiros. 4-4-2. 3-5-2. 3-4-2-1. Sem padrão, sem noção. Rogério tá “perdidasso”.

Não dá pra vacilar no Flamengo. E não dá para dar motivos constantes para ser olhado com desconfiança. A experiência na seleção brasileira sub-20 é muito válida e a história como bom jogador e vencedor no Flamengo também conta. Os vários desfalques (contusões, expulsões, convocação – Kléberson, Fierro – saída de Adriano, zaga inoperante o ano todo, etc) contribuem. Não dá pra fazer milagre. Mas Rogério terá que aprender a fazer “omelete sem ovos” rapidinho e, quem sabe, aguentar o tranco até Zico colocar ordem na casa. Veremos.

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A inscrição gravada ali na parede na apresentação de Adriano no Flamengo em 2009 foi profética: realmente, o “Imperador” veio, viu e venceu. Artilheiro do campeonato e fundamental na conquista do título Brasileiro, tirando o Flamengo de uma fila de 17 anos. Não é pouca coisa. Voltou “crescido” para fazer história no clube que o revelou. Coisa que não teve tempo por sair cedíssimo da Gávea. Andrade, Petkovic, Bruno, Maldonado, Léo Moura, Juan e a boa fase da defesa na segunda metade também contribuíram, claro. Mas Adriano sobrou tão fácil em campo, mesmo sem estar 100%, que era até covardia com os outros atacantes.

Adriano, claro, é desequilibrado. Não é preciso ser nenhum especialista para perceber isso. Seja pelo sucesso repentino, os milhões de dólares, a morte do pai, a fraqueza mental, o peso da responsabilidade, o longo processo de adaptação na Europa, etc. Tudo isso junto. O carinho do Flamengo foi seu renascimento e também um mal. Deu super certo em 2009 e naufragou em 2010. Não só para o clube, como para o próprio: não foi para a Copa por “méritos” próprios. Resolveu se dedicar tarde demais na Libertadores. Nunca esteve focado e motivado o suficiente. Não cabe passar a mão na cabeça. Ganha muito bem e era tratado como rei para fazer o que sabe. Quem quer emprego e reconhecimento melhor no mundo?

Veio as vaias. Merecidas. Vaias que demoraram: o crédito com a torcida fez com que fosse perdoado várias e várias vezes antes da paciência acabar. Trégua na lua-de-mel. Desclassificação na Libertadores. Devassa na vida pessoal constante pela imprensa. Certas implicações disso tudo já foram tratadas aqui mesmo nesse texto.

Adriano, então, finalmente aceita a oferta da Roma e volta pra Itália. Justificativa? Nenhuma. Anualmente, ganhará “apenas” 800 mil reais a mais do que no Flamengo. Mixaria pra quem mal sabe quanto tem na conta. A imprensa européia, coisa que alguns esquecem, também não alivia: basta lembrar das fotos de Adriano na balada, fumando, bêbado e o escambau.

A “felicidade” reconquistada, o choro, a “alegria” do time do coração e a proximidade dos “amigos” cai por terra. Adriano foge. A coisa engrossa, e o Imperador foge. Dos problemas, da mídia, da polícia, da imprensa, o diabo. Vislumbra inocentemente encontrar a paz longe das “pessoas ruins”. A justificativa, furada, é “dar à Itália o que ela me proporcionou, porque estava em dívida”. Não faz mal. A torcida do Flamengo tem pouco o que reclamar. A pessoa Adriano é que preocupa. Não será o primeiro ou último craque que se complica pelas “coisas da vida”.

Mesmo um mestre do que faz não rende o suficiente sem paz de espírito. Se não estiver com a cabeça em dia. Em vários sentidos, Adriano acaba dando o que nunca se preocupou em dar: exemplo. Que siga bem, o garoto.

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Para o bem e para o mal. Se reerguer depois de uma eliminação, sempre dolorosa, seja qual for, é um mal necessário. Para não dizer que não falei antes, repito trechos do que escrevi aqui nesse blog em 18 de fevereiro de 2010, entremeado com uma análise atual:

“O Flamengo tem um problema histórico: não respeita time pequeno. Por não respeitar, quase sempre acaba se complicando.”

Sim, La U é um time pequeno, claramente inferior ao elenco do Fla e de todos os brasileiros na Libertadores. Pequeno como seu estádio e a mentalidade de sua “torcida”, atirando objetos contra o adversário. Tipo de coisa que acontece na Libertadores desde sempre em todos os países da América Latina e a patética Conmebol nunca faz absolutamente nada. Deve ser “parte” da “mística” do evento permitir atitudes anti-desportivas.

O Flamengo não entrou em campo no primeiro jogo no Maracanã. Sonolento, teve uma pane geral parcialmente solucionada apenas no segundo tempo. Assim como teve outra pane contra o Corinthians no Pacaembu nos primeiros 45 minutos. É o que o colega Rica Perrone analisou bem: o Fla pediu pra cair em vários momentos e sempre recuperou. Contra o Universidad, não.

“Quanto mais pressionado e desafiado, mais o time rende. Mais leva o jogo a sério.”

Depois da inexplicável sonolência no Maraca, aconteceu justamente o que disse acima. A mudança de postura, de atitude, de pegada e de vontade de jogar bola no Chile foi totalmente outra. Vacilou num único momento: o gol que deu para o adversário, abrindo espaço para o jogador avançar até onde queria, sem ninguém para combater e Bruno totalmente perdido. Pimba. Foi o suficiente. Correu atrás, meteu outro logo depois, pressionou, caiu na catimba, desespero, o de sempre. Não deu. O Flamengo precisa ainda reaprender a jogar Libertadores. Enquanto entrar em campo como se estivesse disputando o carioca, perderá sempre.

Isso passa, aliás, pela cultura e estilo do futebol do Rio: o jogo largado, “tranquilo”, na maciota, levado como uma partida de fim de semana, só que profissional. Basta ver que o estado tem apenas dois títulos da Libertadores: Flamengo em 81 e Vasco em 98. O primeiro um dos melhores de todos os tempos. O do Vasco, excelente e inquestionável. Mas não é preciso um time histórico para ganhar a Liberta. Não é preciso estar muito acima da média pra levar o caneco. A história do torneio comprova. A quantidade de times ridículos que já o venceram, apenas nos últimos 10 anos, é incrível. Com postura, com pegada, com foco, marcação implacável e sangue nos olhos, não é preciso ser gênio.

“É óbvio que o Flamengo precisa de pelo menos 2 zagueiros. Um pra ser titular, de peso, e outro pra reserva. Não pode depender da guarda de Maldonado, nem da eterna fase ruim de Angelim e Álvaro. David e Fabrício, apesar de mais novos e mais altos, ainda não inspiram confiança.”

Surpresa: a defesa foi o pior ponto do time durante toda a temporada. Alertei em fevereiro, quando era flagrante, e não fizeram nada. “Ah, ganhamos o Brasileiro com esta zaga, dá pra levar a Liberta”. Não, não dá. Como um time que bate cabeça e toma 2, 3 dos pequenos do Rio pode ir tranquilo para uma competição continental com uma defesa dessas? Passou sufoco na primeira fase e a pane absoluta no Rio contra La U cobrou o preço. Falta visão para a diretoria, falta gente que entende de futebol, falta menos oba-oba.

“Se levamos o campeonato mais difícil do mundo nos pontos corridos, o mata-mata da Liberta dá também”. Não dá. A zona eterna do clube sempre atrapalha: demite técnico, vaza briga entre jogadores, o melhor armador do time fica no banco por briguinhas com dirigentes, manda embora o homem forte do futebol e ninguém vem para o lugar. “Vamo que dá, tá dando certo. Quando não der mais, aí vemos o que fazer”. Quando Patrícia Amorim vai cumprir a promessa de bater de frente com os sangue-sugas históricos do Fla e profissionalizar o futebol definitivamente? Não é simples, eu sei. E tudo indica que não será fácil. Falta muita coisa para que tenhamos que nos preocupar apenas com o campo.

“O desempenho do time na Libertadores na última década foi pífio. Saiu na primeira fase em 2002 e foi eliminado de forma trágica para Defensor em 2007 e América-MEX em 2008. Os rubro-negros estão escaldados e cautelosos. O tetra carioca, se vier, ótimo. Mas é a Liberta que preocupa. Não chegando ao título, ser eliminado de forma digna já seria um avanço.”

Foi digno, sim. “Caímos em pé”, como diz o clichê. Dava pra ter sido bem melhor. Os vários “detalhes” do primeiro e segundo jogo contra La U não dão pra engolir. Principalmente a postura. O Flamengo, mestre em complicar o fácil, mestre em perder para si mesmo, conseguiu novamente. Quem sabe a participação constante na competição, se vier acompanhada com um mínimo de profissionalismo administrativo, dê em alguma coisa. Fato é que essa foi a Liberta mais fácil dos últimos tempos. Inter x SPFC é a final antecipada. Quem passar precisará de muito esforço, mas muito esforço mesmo, para não levar o título em cima de Chivas ou La U. O tipo de vacilo que só o Flamengo consegue dar.

“E todo mundo sabe que depois da Copa do Mundo, Adriano, Love e cia deixam o barco. O Brasileirão será guerrilha total.”

Como previsto mais de três meses antes, tudo aconteceu. E, pelo visto, acontecerá. A diretoria já dormiu e perdeu Zé Roberto, quase fechado com o Fla, para o Vasco. Love vai embora com certeza e fez bem o seu papel, como legitimo rubro-negro que é (algo importante na disposição e no brilho do cara). Adriano foi fundamental no título brasileiro e se acomodou em 2010. Sentiu o peso, na seleção e no clube. Quem mais vai embora? Quem vem? Quais juniores serão promovidos novamente ao time principal? Erick Flores, Lenon, Jorbison, Galhardo, Camacho, Vítor Saba? Lourenço não deve ser efetivado. Foi tão perdido este quanto Andrade. Há poucas opções decentes no mercado. A bagunça é quase completa, salvo a base do time desde 2006.

O Flamengo evoluiu absurdamente nos últimos 5 anos. Os resultados, os títulos, o time e as disputas mostram isso. Está no caminho certo. Falta muito trabalho para ir além. É ajustar este mastodonte, do peso dos seus 35 milhões de torcedores. A guerrilha está só começando.

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