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É extremamente perigoso – e comum – o ato de condenar alguém previamente, antes que o caso esteja totalmente esclarecido, com o mínimo de brechas possíveis e a sentença dada. A imprensa adora fazer isso. É quase regra. Regra invertida do jornalismo. Hábito que funciona a favor do sensacionalismo barato e todas aquelas práticas que estamos acostumados e já não causam espanto em ninguém.

Infelizmente, todos os sinais até agora apontam que Bruno no mínimo foi mandante do crime. Gostaria muito que este caso fosse um “novo Escola Base”. Parece que não é. Há um milhão de questões envolvidas neste que se tornou a última obsessão da imprensa pós-Isabella Nardoni. Não há nada que justifique uma possível ação criminosa dessa natureza. Se normalmente já não pode ser aceitável, no caso de Bruno ainda pior.

O que levaria a alguém rico, famoso, campeão, ídolo de uma torcida, com uma carreira estabelecida e promissora pela frente, chegando a ser cogitado para  a Seleção Brasileira, jogar tudo pelo ralo através de um assassinato? Que motivo Bruno teria para ordenar a morte de Eliza? Nenhum, absolutamente nenhum. Sem falar nos requintes de crueldade extensivamente relatados, impossíveis de acreditar.

O repertório de bobagens de Bruno no Flamengo era extenso: a festinha no tal sítio em 2008 quando levou jogadores do clube para uma orgia com prostitutas que foi acabar na delegacia, o desrespeito a Andrade em 2009, as declarações “polêmicas”, como “estar se lixando’ para a torcida após eliminação da Libertadores, as próprias confusões em que se meteu ao lado de Adriano e Vágner Love, quando deu a infeliz declaração: “quem nunca saiu na porrada com a mulher? é inevitável”.

Capitão do time, um dos melhores goleiros do Brasil, fundamental no título brasileiro de 2009 do Flamengo, após fila de 17 anos, a cabeça fraca e a personalidade “pouco aprazível”, digamos, sempre foi problema. Mas daí a chegar a cometer um crime hediondo dessa natureza há um abismo infinito e inimaginável. Não lembro de caso semelhante na história do futebol brasileiro.

Bruno tem 25 anos de idade, bom lembrar. Está no Flamengo desde 2006, com 234 jogos pelo clube. O tri-carioca em 2007-2008-2009 e o título Brasileiro de 2009, todos com participação ativa, são mais do que suficientes para colocá-lo no hall de maiores goleiros da história do clube. O CRF comprou os direitos do jogador por 8 milhões de reais.

Se confirmada, sua possível condenação é uma mancha não só para a instituição, como para a história do futebol brasileiro. E assinala um caso bizarro de perturbação mental gravíssima. Porque “racionalmente”, nada, absolutamente nada explica algo assim.

Triste e lamentável em todos os sentidos imagináveis. Não há palavras para comentar um caso desse.

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1 comment

julho 9th, 2010

[...] sobre o lado humano e “esportivo” do caso Bruno lá no Olímpico, neste texto aqui. Há outro, inevitável. É regra que a imprensa eleja seus fetiches e proporcione [...]

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