category: Tenis
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Aos 24 anos, Rafael Nadal completa o que apenas 6 tenistas antes dele conseguiram: conquistar os 4 principais torneios de Grand Slam do Mundo (sem falar nas 3 Copas Davis e no ouro olímpico em Pequim). Pentacampeão em Roland Garros, rei absoluto do saibro, Nadal teve a capacidade de corrigir seus defeitos rapidamente em outros tipos de pisos, chegando ao bi em Wimbledom, ao título no Australia Open e finalmente pra ser campeão do US Open de forma brilhante, perdendo apenas 1 único set em todo o torneio, justamente na final.

Djokovic é o tenista que todos amam. E não há como ser diferente. Simpático, autêntico, cômico, fugindo do padrão, sem nenhum pudor de demonstrar suas emoções. O que o faz adorável se torna também sua fraqueza dentro de quadra. Djoko é o cara que enfia a raquete nos pés, na cabeça, que a destrói no chão. Que se irrita profundamente a cada ponto perdido, cada erro. Que fala sozinho, briga com o árbitro, grita, xinga a si mesmo. Chuta a bolinha. Que no último set, sentindo a derrota iminente, é capaz de brincar agradecendo aos céus uma deixadinha que finalmente caiu. Um cara de espírito único e ótimo tênis. Mas obviamente abaixo de Nadal na cabeça, no físico e na técnica.

Nadal é monstro absoluto, inquestionável. Adaptou o saque para Flushing Meadows, melhorando o serviço. Teve o bônus de só pegar tenistas mais “tranquilos” neste US Open: Verdasco é velho freguês, longe de fazer sombra e Youznhy esforçado, nada mais. Djoko teve seu grande jogo contra Federer. O melhor jogo do torneio, diga-se. Salvando dois match-point de forma brilhante. Derrotando aquele que é provavelmente o melhor tenista de todos os tempos. Aos 23, Djoko tem tudo para seguir sendo o principal adversário de Nadal assim que o declínio inevitável de Federer vem chegando, pela idade. E Juan Martín Del Potro, o assustador Del Potro, que atropelou Nadal e Federer no US Open ano passado, assim que se recuperar de lesão, também.

Nadal, merecidíssimo, deve morder muitos canecos ainda. Chegou ao ápice muito precocemente. Consegue manter altíssimo nível durante toda a partida. Oscila muito pouco. Tem incrível força mental, foco. O físico e a técnica, sempre melhorando, dispensam comentários. O que Federer conseguiu apenas aos 28 anos (conquistar os 4 principais torneios), Nadal atinge aos 24. É uma baita diferença. Claro que pelo menos igualar os 16 Grand Slam de Federer é tarefa para gênios únicos. Nadal pode chegar lá.

Temos o privilégio de poder assistir tantos tenistas de altíssimo nível jogando numa mesma época. Em confrontos, com frequencia, capazes de figurar entre os melhores da história. Parabéns para Nadal, monstro. Sorte a nossa.

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Um futuro assustador

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category: Basquete
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Que o único resultado que o brasileiro consegue admitir é o título, não há dúvidas. Mal herdado diretamente do futebol, com a ilusão de soberania. Somos péssimos perdedores. Basta ver as marcas que toda Copa do Mundo perdida traz para o país, em atuações lamentadas até hoje. Há sempre alguma desculpa, algum fator externo, alguma “injustiça”. Também pela mentalidade tacanha, medíocre e limitada.

No basquete, somos uma espécie de Uruguai. Bi-campeões do mundo há mais de 40 anos que passou as últimas décadas sempre com uma equipe no máximo mediana, excetuando os lampejos da geração de Oscar (que também deixou vícios questionáveis). O basquete brasileiro vinha numa draga terrível há bastante tempo. O gerenciamento desastroso da Confederação Nacional, os ídolos afastados da seleção, as brigas entre jogadores, técnicos e dirigentes. Tudo isso levou aos piores resultados em Mundiais e a que ficássemos fora das Olimpíadas desde 1996.

Por tudo, deu gosto de ver a atuação da equipe no Mundial da Turquia. Pelas mãos de um argentino, ironia, Rubén Magnano conseguiu dar boa sequencia ao trabalho de Moncho Monsalve. As três partidas em que fomos derrotados (EUA, Eslovênia e Argentina), sempre por ínfima diferença de pontos, no máximo 4, contra os hermanos. Magnano teve pouco tempo para trabalhar jogadores que até pouco tempo eram apenas um amontoado, não um time. Perdeu Nenê, por contusão. E ainda teve que lidar com as lesões de Andersão Varejão e Tiago Splitter (revelada só após o término do campeonato). Três nomes que seriam referência absoluta na equipe. E mesmo assim arrancamos o 9 lugar, jogando bem e protagonizando duelos apertados contra equipes mais fortes.

Por todos os problemas e pelo pouco tempo de trabalho, foi ótimo. Ótimo ver os principais nomes do país reunidos novamente, jogando com vontade, dando o sangue e sentindo a derrota. Com mais calma pra trabalhar, tudo indica que esta equipe tem tudo pra crescer e fazer boa campanha no Pré-Olímpico em 2011. Se conseguir chegar até Londres em 2012, a Olimpíada tem tudo para ser o canto de cisne de boa parte dessa geração, pela idade já avançada de alguns nomes.

Saber valorizar e enxergar um trabalho para além dos primeiros lugares é fundamental para ultrapassar o nefasto maniqueísmo reinante no esporte e em praticamente todas as áreas da vida. Se quase sempre perdemos pela falta de controle mental necessário para decidir nos detalhes, tudo indica que isto pode ser mudado num futuro não muito distante.

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category: Futebol
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Desculpas, desculpas, desculpas...

Há técnicos que conseguem extrair o máximo de um time medíocre, arrancando resultados em tese além da capacidade do grupo (Joel Santana no Botafogo atual e no Flamengo 2007, por exemplo). A imensa maioria deles, no entanto, costuma fazer um ótimo trabalho quando…tem um excelente plantel (Muricy Ramalho sorri). Outros, também, conseguem a proeza de estragar uma boa equipe, acumulando resultados pífios com um time que tinha tudo pra ir bem. Caso de Luxemburgo no Atlético/MG. O que explica uma campanha com absurdas 12 derrotas em 17 jogos? O time que mais perdeu, ao lado do Goiás. Com a diferença de estrutura, de plantel e de milhões e milhões de investimento a mais. “Só”.

Que Luxemburgo deixou de ser técnico de futebol há muito tempo pra se tornar empresário e outras coisas mais, todo mundo sabe. Luxa é o típico caso do cara que vive da “grife” que criou em torno do seu nome. Apenas um arremedo distante do bom treinador que já foi. O Atlético paga por apostar errado e por vê-se obrigado a manter a aposta. Não é difícil de se imaginar que qualquer outro técnico de menor expressão, se tivesse a campanha de Luxemburgo, teria sido mandado embora há bastante tempo. Sem dó nem dúvida.

Vanderlei, por sua vez, é um imbróglio tão grande não só pelo nome mas pelo custo que vem com ele. Mandar embora um técnico “top” desses, mais sua comissão técnica, gera multas milionárias iguais ou superiores ao custo de mantê-lo. Problema criado. Basta lembrar de Muricy Ramalho, que saiu do Palmeiras este ano na mesma situação (e provavelmente o clube do Parque Antárctica está pagando por ele até hoje).

Kalil não tem peito nem vergonha na cara pra mandar Luxa embora. Vale muito além do quanto pesa. Enquanto isso quem arca com a brincadeira é o Atlético, sua torcida e seus patrocinadores. Que o técnico está longe de ter a importância que costumamos atribuir à eles o futebol mundial vem provando continuamente há bastante tempo. Luxa é apenas o sintoma mais flagrante e extremo do caso. Triste situação do agonizante Atlético, que vem colecionando fracassos nos últimos 11 anos, mas pode fazer muito mais do que tem feito.

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