category: Além do esporte
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O mais novo alvo dessa excrescência chamada capitalismo-neo-comunista é o tradicionalíssimo Liverpool. O clube inglês estaria praticamente vendido para um grupo de investidores ligado ao governo chinês pela bagatela de 237 milhões de libras. Kenny Huang, futuro novo dono do clube, já sonha com Messi e outras estrelas. É a enxurrada de dinheiro estrangeiro já conhecida nos últimos anos principalmente no Chelsea e Manchester City.

Além dos três citados, notícia do GE lembra que só na Inglaterra, Arsenal, Aston Villa, Birmingham, Manchester United e Sunderland também estão nas mãos de investidores externos. Todos os maiores clubes da Premier League. E, bom lembrar, todos de fontes no mínimo “excusas”. As operações “pouco ortodoxas” do russo Abramovich no Chelsea e os petrodólares de Mansur bin Zayed al-Nahyan, do Emirados Árabes.

A bolha financeira do futebol já virou um tumor crescente a cada mês. As dívidas dos clubes ingleses, até fevereiro desse ano, já somavam mais de 4 bilhões de dólares, 56% de toda Europa. Situação não muito diferente se encontra os maiores times de Espanha, Itália, Alemanha, etc.

Curioso que os analistas costumeiros do esporte, sempre de calças arriadas para o futebol europeu, quase ignorem este cenário. Os europeus são “modelo de organização, estrutura, profissionalismo, etc”. Quantas vezes você não ouviu esse mantra repetido por aí? O abismo é bem ali.

Na saraivada de clichês e apontamentos vazios que é o futebol, a agonia do futebol europeu revela muito do que circunda o esporte. É paradoxal que o futebol inglês seja salvo pelo capitalismo de países “ex” ou “atuais” comunistas como a Rússia de Abramovich e a China de Huan. Assim como pelos dólares “pouco limpos” do Oriente Médio.

Fora a discussão de que o comunismo como pretendido por seus principais idealizadores jamais foi implantado em lugar nenhum do mundo, a brutal disparidade que os regimes criaram na China e Rússia, lar de boa parte dos bilionários do mundo, mostra suas consequencias. Afinal, quase sempre o sucesso astronômico de uns é conquistado sob a desgraça de multidões. Aforismo clichê cujo maior exemplo óbvio é a China.

Enquanto todos comemoram as taxas de crescimento irresponsáveis, não importa de que jeito e a que custo (social, ambiental, econômico, mental), o futebol é só um pequeno exemplo da armadilha que criamos. Como nenhuma mudança mínima parece se anunciar no fronte, essa brincadeira de canibalismo só tende a piorar. Façam suas apostas de “até quando dura”. E, pra isso, pode escolher um dos sites de apostas que patrocinam alguns dos maiores clubes do mundo (Real Madrid, Milan, etc). Que mundo fantástico é o futebol.

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Nos últimos tempos dois esportistas de renome dos Estados Unidos e Inglaterra se envolveram em casos de “escândalo” parecidos. Tanto Woods quanto Terry cometeram adultério, tiveram suas aventuras reveladas, fizeram a festa da imprensa, perderam milhões em patrocínio e foram condenados por uma moral duvidosa e peculiar.

A colônia, pasmem, exala o mesmo comportamento do império. Não se trata de defender o adultério aqui, são outras águas. Mas é sempre fascinante observar como o politicamente correto, a hipocrisia e os preceitos do “cidadão de bem” dominam o mundo.

Woods sofreu um acidente e viu começar a explodir na imprensa casos de infidelidade. Logo contratos foram quebrados, o golfista admitiu “vício em sexo” e foi se internar numa clínica. Algo bizarro o suficiente. Acaba de “pedir desculpa” por tudo e diz que “tem um longo caminho a percorrer”. Tudo forçado ao extremo.

Terry, um dos principais zagueiros do futebol mundial, capitão da seleção inglesa e do Chelsea, conseguiu trair a esposa com a mulher de Wayne Bridge, também jogador da seleção. Deu-se a desgraça. A matéria do Daily Mail resume bem:  “o jogador que envergonhou a Inglaterra”. Terry foi massacrado e praticamente exigiram que se tirasse a simbólica braçadeira de capitão, “porque o time precisa de alguém para se inspirar”.

A rapidez com que os patrocinadores cancelaram contratos, tentando desvincular a imagem do produto aos antes “exemplares” garotos-propaganda é cristalina: deixaram de servir de molde para o público cristão, exigente, de “boa índole”, paladinos da moral. A ironia sorri.

A reação desmedida aos dois casos indica que, por mais que ares “modernos” sejam alegados por aí, mudamos muito pouco nos últimos séculos. A patrulha dos “bons costumes”, aliás, se intensificou bastante do XVIII pra cá. É a “le pastie de la bourgeoisie” que conhecemos tão bem. O esporte, parece óbvio, indica parte considerável da nossa cultura, mentalidade e comportamento.

Brave new world.

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