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Pra quem gosta de “curiosidades” a Copa da África foi um banquete: pela primeira vez um time europeu venceu o torneio fora do seu continente. Primeira vez que o país anfitrião cai na primeira fase. Pela primeira vez tivemos uma final sem Brasil, Itália, Alemanha ou Argentina. A Europa fica na frente da América do Sul em número de títulos (10 x 9), o que não acontecia desde 1954. O novo campeão saiu na final mais violenta da história.
Após uma primeira fase tenebrosa, o nível melhorou bastante a partir das oitavas. A Espanha acabou fazendo campanha idêntica a Grécia na Eurocopa 2004: venceu todos os jogos decisivos por 1 x 0. Resultados pobres e medíocres da seleção que não jogou o melhor futebol do Mundial. A Alemanha ficou com o posto, indiscutivelmente. Holanda e Espanha, no entanto, foi uma final justa: apostava muito no time holandês, desde o início. Chances incríveis desperdiçadas por Robben – duas sozinho na cara do gol – e um descuido com contribuição do juiz na prorrogação (foi falta em Elia, erro que originou o contra-ataque fatal espanhol – levaram o título para a – não mais – “amarelona”.
Perseguição injusta. A verdade é que a Espanha pouquíssimas vezes teve time para disputar o título. Quando tinha, caia frente os grandes. Logo na primeira final conseguiu o feito. A Holanda segue sendo a “melhor seleção do mundo” que nunca ganhou a Copa. Injustamente.
Jabulani, vuvuzela, saída precoce de Itália e França, escorregadas fatais de Argentina, Brasil e Alemanha. Valorização da juventude: expressa principalmente em Alemanha e Gana, respectivamente com 7 e 11 jogadores de até 23 anos. Surpreendente para a primeira, nem tanto para a segunda (poderio nos Mundiais de base de Gana já exposto aqui). Pena que o time africano desperdiçou a chance de ser a primeira equipe do continente a chegar até a semifinal. O penalti perdido por Gyan abriu caminho pelo retorno do Uruguai entre os 4 primeiros, com uma equipe que foi muito mais longe do que o talento que tinha. E o principal jogador, Fórlan, acabou levando o de “melhor do torneio”.
Alemanha e Gana tem a base de boas equipes já para mais 2 Copas. O Brasil obrigatoriamente renovará a sua, jogando uma Copa com imensa pressão. Renovação tanto pelos jogadores de idade mais avançada que sairão do time quanto pela forçada de barra de Ricardo Teixeira. A oportunidade de levar uma equipe jovem já para essa Copa, preparando para a competição em casa foi desperdiçada. O que não impediria de ter bons resultados, como comprova a Alemanha.
No fim, um torneio melhor que o esperado. E com alta dose de ineditismo, sempre saudável, fugindo do roteiro padrão das últimas Copas. Nossa vez de colocar a casa em ordem e, independente do resultado dentro de campo, tentar aproveitar os investimentos bilionários para melhorar a vida das cidades e dar um belo impulso na economia do país. Algo muito mais importante que qualquer taça.




