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Início de ano é sempre a melhor época para especulações, balões de ensaio e a bandalheira costumeira. Assis sabe bem disso e transformou a volta de Ronaldinho Gaúcho nisto aí que acompanhamos nos últimos dias: a maior badalação e cobertura midiática de uma negociação de todos os tempos no Brasil. Entrevista coletiva despropositadas, repórteres de plantão em vários locais e estados, disse-me-disse, três clubes garantindo simultaneamente o acerto, tvs, jornais e rádios comentando quase 24 horas desde o fim de dezembro.

O mais incrível é nenhum jornalista ter percebido o óbvio: ao contrário de ter “forçado” a saída do Milan, como alardearam alguns, Assis na verdade fechou um negócio excelente para o clube italiano: em seis meses, Ronaldinho poderia deixar o Milan sem nenhum impedimento e nenhum lucro para o clube. Antecipando sua volta ao Brasil, o Milan faturou alto na negociação e ainda supervalorizou Ronaldinho. Por isso a entrevista coletiva de Assis e Galiani, sorridentes, certo de estarem fazendo o melhor para os dois. Muito longe de qualquer mal estar, foi o melhor dos mundos para o Milan.

Coisa que, aliás, não ficou claro: o Flamengo pagará os 3 milhões de euros diretamente? Em parcelas? Há outras questões envolvidas? O rubro-negro teve que penhorar metade da categoria de base para trazer Ronaldinho? Deu “prioridade na compra” dos garotos para Galiani? O que mais está por trás?

De altíssimo risco, pela idade avançada, já se diz que a Traffic ficará com parte dos lucros pelos anunciantes na camisa, garantia do acordo. Quanto por cento seria isso? Em cima do patrocínio principal ou das mangas? Quanto vai para Ronaldinho? O Flamengo conseguirá ressarcir o salário de R$ 1,8 mi mensal em lucros e no campo? Ronaldinho levará a sério o futebol o suficiente para valer a investida?

Apesar de ter feito as negociações em silêncio e sem oba-oba, uma raridade na Gávea, os fogos do acerto não responderam (ainda) nenhuma dessas questões. Com Botinelli, Gaúcho e Thiago Neves o meio-de-campo do Flamengo melhora absurdamente. Mas Luxemburgo não foi atrás de nenhum zagueiro (quando 2 seriam necessários), o ataque é apenas razoável com Deivid e Diego Maurício (sem nenhum reserva decente) e a lateral está vaga com a saída de Juan. Sem um time equilibrado, o que no momento não é, as chances de uma temporada boa são quase nulas. Conhecemos bem essa história. Vide 1995, sempre lembrado, na volta de Romário, no auge e do “supertime” que pouco ganhou, sem falar no abismo financeiro, sentido até hoje.

O Flamengo é mestre em cometer delírios inexplicáveis – como pagar 475 mil reais para Deivid, algo totalmente acima do mercado e do que ele encontraria em qualquer outro time. É difícil precisar se a aposta em Ronaldinho, apesar de tudo que representa dentro e fora do campo, valerá a pena. Veremos.

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115 anos é uma marca única. Datas “redondas” sempre tem um charme a mais para essas efemérides. Já falei bastante sobre “o ser Flamengo”, aqui. Infelizmente, ao contrário de 2009 – a melhor temporada em muito, muito tempo – 2010 foi a ressaca total. O pior ano da história do clube. E explico – o óbvio – porquê.

Ganhar um brasileiro depois de 17 anos teve seu preço. Os egos inflados do elenco e a mentalidade do “minha fatia do bolo é menor que a dele”. Adriano rendendo muito menos que em 2009, envolvido em confusões e mais confusões. Vágner Love, idem, mas fazendo bonito dentro de campo. Perda do tetra-carioca para o esfomeado Botafogo. A Libertadores, que tinha tudo para ser tranquila, foi o maior exemplo da falta de compromisso e irregularidade do time: classificação para as oitavas complicadíssima e que veio graças a uma combinação de resultados improváveis (num ano em que 2 mexicanos entraram direto nas oitavas). Depois de eliminar o Corinthians, a partida bisonha no Maracanã contra o Universidade do Chile. E quando resolveram jogar, já era tarde. O basquete, que vinha ganhando tudo nos últimos 2 anos, também caiu diante do Brasília.

Caso Bruno, que dispensa comentários. Adriano foi embora, como previsto. Love fez de tudo, mesmo, não conseguiu. Andrade caiu pela falta de comando. Rogério Lourenço foi o tapa buraco que durou tempo demais. Time sem ataque, Brasileirão irregular desde o início. Zico chega amparado por Patrícia Amorim e com ele a esperança de novos tempos como poucas vezes vista. 2 meses e muitas confusões depois, o Galinho não resistiu e saiu do clube processando o “capitão Léo”, presidente do Conselho Fiscal, responsável por denúncias infundadas contra Zico. Que promete voltar como presidente.

Silas, coitado, mal chegou e saiu. O golpe final: Luxemburgo e seu “pojeto”. Agonia no campeonato brasileiro até as últimas rodadas para tentar evitar o rebaixamento com um elenco inchado, desmotivado, envelhecido e com jovens promessas queimadas antes da hora comandados por um técnico altamente duvidoso e bravateiro, nem sombra do que já foi.

Se, resumidamente, este não foi o pior ano da história do Flamengo. Está bem próximo. Claro que é só momento. O maior clube do mundo é muito mais forte que qualquer turbulência temporária.

Parabéns aos rubro-negros, a maior e mais orgulhosa torcida do planeta.

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Aos 24 anos, Rafael Nadal completa o que apenas 6 tenistas antes dele conseguiram: conquistar os 4 principais torneios de Grand Slam do Mundo (sem falar nas 3 Copas Davis e no ouro olímpico em Pequim). Pentacampeão em Roland Garros, rei absoluto do saibro, Nadal teve a capacidade de corrigir seus defeitos rapidamente em outros tipos de pisos, chegando ao bi em Wimbledom, ao título no Australia Open e finalmente pra ser campeão do US Open de forma brilhante, perdendo apenas 1 único set em todo o torneio, justamente na final.

Djokovic é o tenista que todos amam. E não há como ser diferente. Simpático, autêntico, cômico, fugindo do padrão, sem nenhum pudor de demonstrar suas emoções. O que o faz adorável se torna também sua fraqueza dentro de quadra. Djoko é o cara que enfia a raquete nos pés, na cabeça, que a destrói no chão. Que se irrita profundamente a cada ponto perdido, cada erro. Que fala sozinho, briga com o árbitro, grita, xinga a si mesmo. Chuta a bolinha. Que no último set, sentindo a derrota iminente, é capaz de brincar agradecendo aos céus uma deixadinha que finalmente caiu. Um cara de espírito único e ótimo tênis. Mas obviamente abaixo de Nadal na cabeça, no físico e na técnica.

Nadal é monstro absoluto, inquestionável. Adaptou o saque para Flushing Meadows, melhorando o serviço. Teve o bônus de só pegar tenistas mais “tranquilos” neste US Open: Verdasco é velho freguês, longe de fazer sombra e Youznhy esforçado, nada mais. Djoko teve seu grande jogo contra Federer. O melhor jogo do torneio, diga-se. Salvando dois match-point de forma brilhante. Derrotando aquele que é provavelmente o melhor tenista de todos os tempos. Aos 23, Djoko tem tudo para seguir sendo o principal adversário de Nadal assim que o declínio inevitável de Federer vem chegando, pela idade. E Juan Martín Del Potro, o assustador Del Potro, que atropelou Nadal e Federer no US Open ano passado, assim que se recuperar de lesão, também.

Nadal, merecidíssimo, deve morder muitos canecos ainda. Chegou ao ápice muito precocemente. Consegue manter altíssimo nível durante toda a partida. Oscila muito pouco. Tem incrível força mental, foco. O físico e a técnica, sempre melhorando, dispensam comentários. O que Federer conseguiu apenas aos 28 anos (conquistar os 4 principais torneios), Nadal atinge aos 24. É uma baita diferença. Claro que pelo menos igualar os 16 Grand Slam de Federer é tarefa para gênios únicos. Nadal pode chegar lá.

Temos o privilégio de poder assistir tantos tenistas de altíssimo nível jogando numa mesma época. Em confrontos, com frequencia, capazes de figurar entre os melhores da história. Parabéns para Nadal, monstro. Sorte a nossa.

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Um futuro assustador

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Que o único resultado que o brasileiro consegue admitir é o título, não há dúvidas. Mal herdado diretamente do futebol, com a ilusão de soberania. Somos péssimos perdedores. Basta ver as marcas que toda Copa do Mundo perdida traz para o país, em atuações lamentadas até hoje. Há sempre alguma desculpa, algum fator externo, alguma “injustiça”. Também pela mentalidade tacanha, medíocre e limitada.

No basquete, somos uma espécie de Uruguai. Bi-campeões do mundo há mais de 40 anos que passou as últimas décadas sempre com uma equipe no máximo mediana, excetuando os lampejos da geração de Oscar (que também deixou vícios questionáveis). O basquete brasileiro vinha numa draga terrível há bastante tempo. O gerenciamento desastroso da Confederação Nacional, os ídolos afastados da seleção, as brigas entre jogadores, técnicos e dirigentes. Tudo isso levou aos piores resultados em Mundiais e a que ficássemos fora das Olimpíadas desde 1996.

Por tudo, deu gosto de ver a atuação da equipe no Mundial da Turquia. Pelas mãos de um argentino, ironia, Rubén Magnano conseguiu dar boa sequencia ao trabalho de Moncho Monsalve. As três partidas em que fomos derrotados (EUA, Eslovênia e Argentina), sempre por ínfima diferença de pontos, no máximo 4, contra os hermanos. Magnano teve pouco tempo para trabalhar jogadores que até pouco tempo eram apenas um amontoado, não um time. Perdeu Nenê, por contusão. E ainda teve que lidar com as lesões de Andersão Varejão e Tiago Splitter (revelada só após o término do campeonato). Três nomes que seriam referência absoluta na equipe. E mesmo assim arrancamos o 9 lugar, jogando bem e protagonizando duelos apertados contra equipes mais fortes.

Por todos os problemas e pelo pouco tempo de trabalho, foi ótimo. Ótimo ver os principais nomes do país reunidos novamente, jogando com vontade, dando o sangue e sentindo a derrota. Com mais calma pra trabalhar, tudo indica que esta equipe tem tudo pra crescer e fazer boa campanha no Pré-Olímpico em 2011. Se conseguir chegar até Londres em 2012, a Olimpíada tem tudo para ser o canto de cisne de boa parte dessa geração, pela idade já avançada de alguns nomes.

Saber valorizar e enxergar um trabalho para além dos primeiros lugares é fundamental para ultrapassar o nefasto maniqueísmo reinante no esporte e em praticamente todas as áreas da vida. Se quase sempre perdemos pela falta de controle mental necessário para decidir nos detalhes, tudo indica que isto pode ser mudado num futuro não muito distante.

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Desculpas, desculpas, desculpas...

Há técnicos que conseguem extrair o máximo de um time medíocre, arrancando resultados em tese além da capacidade do grupo (Joel Santana no Botafogo atual e no Flamengo 2007, por exemplo). A imensa maioria deles, no entanto, costuma fazer um ótimo trabalho quando…tem um excelente plantel (Muricy Ramalho sorri). Outros, também, conseguem a proeza de estragar uma boa equipe, acumulando resultados pífios com um time que tinha tudo pra ir bem. Caso de Luxemburgo no Atlético/MG. O que explica uma campanha com absurdas 12 derrotas em 17 jogos? O time que mais perdeu, ao lado do Goiás. Com a diferença de estrutura, de plantel e de milhões e milhões de investimento a mais. “Só”.

Que Luxemburgo deixou de ser técnico de futebol há muito tempo pra se tornar empresário e outras coisas mais, todo mundo sabe. Luxa é o típico caso do cara que vive da “grife” que criou em torno do seu nome. Apenas um arremedo distante do bom treinador que já foi. O Atlético paga por apostar errado e por vê-se obrigado a manter a aposta. Não é difícil de se imaginar que qualquer outro técnico de menor expressão, se tivesse a campanha de Luxemburgo, teria sido mandado embora há bastante tempo. Sem dó nem dúvida.

Vanderlei, por sua vez, é um imbróglio tão grande não só pelo nome mas pelo custo que vem com ele. Mandar embora um técnico “top” desses, mais sua comissão técnica, gera multas milionárias iguais ou superiores ao custo de mantê-lo. Problema criado. Basta lembrar de Muricy Ramalho, que saiu do Palmeiras este ano na mesma situação (e provavelmente o clube do Parque Antárctica está pagando por ele até hoje).

Kalil não tem peito nem vergonha na cara pra mandar Luxa embora. Vale muito além do quanto pesa. Enquanto isso quem arca com a brincadeira é o Atlético, sua torcida e seus patrocinadores. Que o técnico está longe de ter a importância que costumamos atribuir à eles o futebol mundial vem provando continuamente há bastante tempo. Luxa é apenas o sintoma mais flagrante e extremo do caso. Triste situação do agonizante Atlético, que vem colecionando fracassos nos últimos 11 anos, mas pode fazer muito mais do que tem feito.

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