category: Basquete
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Que o único resultado que o brasileiro consegue admitir é o título, não há dúvidas. Mal herdado diretamente do futebol, com a ilusão de soberania. Somos péssimos perdedores. Basta ver as marcas que toda Copa do Mundo perdida traz para o país, em atuações lamentadas até hoje. Há sempre alguma desculpa, algum fator externo, alguma “injustiça”. Também pela mentalidade tacanha, medíocre e limitada.

No basquete, somos uma espécie de Uruguai. Bi-campeões do mundo há mais de 40 anos que passou as últimas décadas sempre com uma equipe no máximo mediana, excetuando os lampejos da geração de Oscar (que também deixou vícios questionáveis). O basquete brasileiro vinha numa draga terrível há bastante tempo. O gerenciamento desastroso da Confederação Nacional, os ídolos afastados da seleção, as brigas entre jogadores, técnicos e dirigentes. Tudo isso levou aos piores resultados em Mundiais e a que ficássemos fora das Olimpíadas desde 1996.

Por tudo, deu gosto de ver a atuação da equipe no Mundial da Turquia. Pelas mãos de um argentino, ironia, Rubén Magnano conseguiu dar boa sequencia ao trabalho de Moncho Monsalve. As três partidas em que fomos derrotados (EUA, Eslovênia e Argentina), sempre por ínfima diferença de pontos, no máximo 4, contra os hermanos. Magnano teve pouco tempo para trabalhar jogadores que até pouco tempo eram apenas um amontoado, não um time. Perdeu Nenê, por contusão. E ainda teve que lidar com as lesões de Andersão Varejão e Tiago Splitter (revelada só após o término do campeonato). Três nomes que seriam referência absoluta na equipe. E mesmo assim arrancamos o 9 lugar, jogando bem e protagonizando duelos apertados contra equipes mais fortes.

Por todos os problemas e pelo pouco tempo de trabalho, foi ótimo. Ótimo ver os principais nomes do país reunidos novamente, jogando com vontade, dando o sangue e sentindo a derrota. Com mais calma pra trabalhar, tudo indica que esta equipe tem tudo pra crescer e fazer boa campanha no Pré-Olímpico em 2011. Se conseguir chegar até Londres em 2012, a Olimpíada tem tudo para ser o canto de cisne de boa parte dessa geração, pela idade já avançada de alguns nomes.

Saber valorizar e enxergar um trabalho para além dos primeiros lugares é fundamental para ultrapassar o nefasto maniqueísmo reinante no esporte e em praticamente todas as áreas da vida. Se quase sempre perdemos pela falta de controle mental necessário para decidir nos detalhes, tudo indica que isto pode ser mudado num futuro não muito distante.

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