Bem-vindo, garoto!

A volta de Zico ao Flamengo dá o primeiro resultado prático: Antonio, volante capitão da seleção sub-20 sob o comando de Rogério Lourenço, vem para o clube através da parceria com o CFZ. Antonio atuou junto de Sandro, do Internacional, que se destacou depois, chegando a seleção brasileira e ficando até na “lista de espera” de Dunga para a Copa. Voltando de lesão, Antonio pode ser ótimo nome para o crônico problema do meio campo rubro-negro.

Do outro lado, a velha incoerência e amadorismo ainda rondam a Gávea. Depois de dizer que desistiria do atacante Emerson por não concordar em pagar a multa de 1 milhão de dólares ao time árabe, e que esse dinheiro seria investido no novo CT, o Fla (pasmem!) topa pagar 3 milhões por 60% dos direitos do duvidoso Jobson e 8,5 milhões de salário para o veterano Riquelme, em dois anos e meio de contrato.

O CT é prioridade ou não é? Ou foi só uma desculpa esfarrapada para tentar driblar os árabes e conseguir o jogador de graça? Emerson é outro fenômeno inexplicável da janela atual: de tosco pra mediano, é apenas um atacante qualquer, e, de repente, disputado por Flamengo, Fluminense e Internacional. Não justifica fazer investimento alto num jogador desse nível e com essa idade. Assim como provam as experiências recentes com Gil e Dênis Marques. Duas apostas caras e altamente furadas, que se tornaram dois encostos da pior espécie.

Gil vai sem deixar saudade no contrato que acaba no fim do mês, para alegria geral da Nação (literalmente). Dênis Marques (livrai-nos do mal, amém), que o clube não conseguiu de jeito nenhum dar um jeito de encurtar o compromisso e se livrar dele até hoje, deve ser “emprestado” ao Atlético/PR com o Fla pagando parte dos salários. Vale tudo, mesmo. Dois caminhões de dinheiro jogados no lixo em atacantes ruins e veteranos que não fizeram absolutamente nada fora comer, treinar e dormir. Apostar em Emerson é a máxima personificação do “vivendo e não aprendendo”.

Expressão que define o Flamengo, aliás. Nenhum time comete tantos erros endêmicos, repetidos, testados e reprovados com essa frequencia. A formulinha do “equilibrar jogadores de qualidade comprovada e experiência com jovens de talento” é onipresente no futebol. E, grosso modo, não está errada. Qual a política com os juniores então?

Como explicar o sumiço repentino de Fabrício, bom zagueiro, com passagem por seleções de base, que fez boas partidas no time entre 2009/2010, criado na Gávea e ótima opção diante da peneira completa que foi a defesa no primeiro semestre? Não há explicação. Assim como Erick Flores, meia de nítido potencial que não teve tempo suficiente para mostrar futebol e também desapareceu, depois sendo emprestado ao Ceará. Sem falar em Bruno Paulo, lateral de futuro que se envolveu numa briga até hoje misteriosa com Marcos Braz e foi parar no Palmeiras.

Enquanto despeja rios de dinheiro em jogadores “experientes” extremamente medíocres e queima os jovens formados na base, o Flamengo faz tudo de errado possível. Que Zico consiga dar um outro rumo a esta novela já largamente conhecida. Nem que seja à fórceps.

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É a melhor notícia para o futebol do Flamengo em muito tempo, sim. Zico, o ícone, perfeito em campo e quase fora dele, símbolo máximo de uma nação e único capaz de impor respeito geral e não deixar sanguessuga-que-não-larga-a-teta abrir o bico, tá de volta. 20 anos depois de se despedir.

Para os rubro-negros, é o Deus da sua religião. Mas Zico não vai fazer milagre. Um bom indício é que o Galinho volta ao Fla pelas mãos de Patrícia Amorim, que parece mais confiável que a corja costumeira que comandava o clube. E os poderes dados a Zico caminham para não ocorrer a palhaçada que fizeram com Júnior em 2004. José Ilan foi preciso:

Zico tem visão empresarial e conhece muito o futebol dentro e fora das quatro linhas. Portanto, tem credenciais para organizar os bastidores de um gigante, que precisa mesmo se agigantar na estrutura.
Nesse contexto, a torcida vai ter papel fundamental. Precisa entender que erros ou omissões de décadas não serão corrigidos em semanas ou meses. E soluções a médio e longo prazo não podem estar atreladas a resultados imediatos do time de futebol.

Zico tem visão empresarial e conhece muito o futebol dentro e fora das quatro linhas. Portanto, tem credenciais para organizar os bastidores de um gigante, que precisa mesmo se agigantar na estrutura. Nesse contexto, a torcida vai ter papel fundamental. Precisa entender que erros ou omissões de décadas não serão corrigidos em semanas ou meses. E soluções a médio e longo prazo não podem estar atreladas a resultados imediatos do time de futebol.

No Brasil, muito mais difícil que na Europa, trazer um grande ídolo de qualquer clube para ocupar cargo importante no futebol (seja técnico, dirigente ou presidente) não costuma funcionar bem. Vide Roberto Dinamite no Vasco e alguns outros. É sempre delicado equilibrar a história eterna e o respeito conquistado dentro das quatro linhas com as obrigações, cobranças, politicagem e toda uma série de problemas acumulados ao longo de décadas e que não dependem exclusivamente de uma única pessoa para serem resolvidos.

No campo, um gênio pode resolver sozinho. Fora dele, costuma depender de uma série de imbecis, amadores, sanguessugas, múmias, da burrice e dos interesses escusos de muitos. É complicado. Difícil implantar uma transformação real, profunda. De longuíssimo prazo. Fazer uma limpa nas células cancerígenas da Gávea. Profissionalizar um clube que quase sempre foi amador até o tutano. Difícil não meter a mão na lama. Sair ileso e vencedor no meio de tanto encosto.

Mas Zico talvez seja o único capaz de reunir o respeito máximo de todos por SER parte fundamental do Flamengo, com mais moral e história que qualquer outro, e a competência fora do campo. O Galinho rodou bastante nesses 20 anos, como técnico, dirigente e sabe das coisas. Conhece tudo de bola. Sabe administrar. Tem inteligência e competência. E o maior respaldo que alguém pode ter. Muitas coisas a favor diante de um clube sempre nebuloso.

Mesmo com todas as previsíveis turbulências, a entrada de Zico no futebol do Flamengo pode significar o autêntico renascimento da instituição. Dentro e fora das quatro linhas. Seu nome (e admiradores, amigos, etc) podem trazer as pessoas certas para mudar o Flamengo. Não fará milagre, mas tem muito pra dar certo. 35 milhões com apoio irrestrito. E bem além disso. A comoção da torcida desde que a notícia saiu foi única. Maior do que a por um título. Porque sabe o que isso pode significar.

Ninguém melhor que o eterno camisa 10 da Gávea pra botar as coisas nos trilhos.

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