Música

Last Night by Moby

Moby – Last Night – 2008 – *****

O melhor trabalho desde “Play”, de 1999, parece ser a primeira coisa que vêm a cabeça de quem ouve este novo “Last Night”. Não que isto seja exatamente um feito. Moby não andou tão inspirado desde lá. E olhe que eu tenho “Play” em muito boa conta. Pra ser sincero, considero um dos melhores álbuns de música eletrônica já lançados.

Last Night traz conexões com aquela pequena obra-prima. É Moby se retro-alimentando de seu melhor material, e experimentando novos ritmos e sons, sempre com aquela batida negra, por vezes dançante, outras melancólica, melodias belíssimas e envolventes, soul music, piano, cordas, vocais, uma ponte digna e absolutamente bem construída sob o que ele fazia uma década atrás, e para o que busca agora. Isto é o que os fãs do carequinha vegan polêmico estavam esperando. Suculento, de se lamber os dedos. E apertar “play” muitas vezes seguidas. 😉

Padrão
Filmes

Vidas em Jogo

The Game – David Fincher – 1997 – ***

Well, well, well…uma produção “estranha” de Fincher. Partiu de uma premissa interessante mas simplesmente não soube como conduzi-la, ficando claro que o filme não teria um final decente. O tipo de suspense que cai em suas próprias armadilhas. Mas friso: não é um suspense medíocre. Além de ótimos atores, Michael Douglas e Sean Penn, é uma película que tem a assinatura de David, ou seja, mais pontos altos, sobriedade e capacidade estilística que a imensa maioria dos diretores da atualidade. Contudo, longe da genialidade de outras obras.

Padrão
Filmes

Gangs Of New York

Gangs Of New York – Martin Scorcese – 2002 – ***

O filme mais cruel e sanguinário de Scorcese. E, até a cena onde Bill, insone, senta na cadeira enrolado na bandeira dos Estados Unidos e tem uma conversa olho no olho com Vallon, a primeira “pessoal” deles até ali, um dos piores.

Vale mais por resgatar de forma precisa e brilhante uma parte da história esquecida, propositadamente, pela “América”, tocando (e abrindo) inúmeras feridas políticas, sociais e históricas, mesmo. Brilhante e necessário neste ponto, nem tanto em outros.

Padrão
Filmes

Reservoir Dogs

Cães de Aluguel – Quentin Tarantino – 1992 – ****

A estréia de Tarantino para o cinema mundial definiu também muitas das características que seriam exploradas posteriormente em seus filmes. A cena inicial, com uma mesa redonda de bandidos vestidos em seus smokings discutindo o sentido das músicas e a carreira de Madonna é sintomática. Reunindo uma gama de atores que se tornaram imediatamente uma espécie de “ícones”, Reservoir Dogs é um ótimo exemplo de como Tarantino trabalha suas influências cinematográficas, de cultura pop e também a parte técnica do cinema para gerar seu estilo próprio. E se é algo que Quentin tem, se existe uma palavra que o defina, é isto: estilo. Impossível não reconhecer um filme dele desde as primeiras cenas da projeção.

Seu surgimento foi um importante sopro de irreverência e ar fresco no cinema estadunidense, e, embora errando a mão em outros casos, Quentin permanece interessantíssimo.

Padrão
Filmes

Natural Born Killers

Natural Born Killers – Oliver Stone – 1994 – *****

Seu ritmo urgente e alucinógeno, totalmente adequado para a proposta e estilização que é feita, tem o suporte num Oliver Stone inspirado, trabalhando em cima de uma ótima estória de Quentin Tarantino, uma trilha sonora fantástica e um dos meus atores favoritos: Woody Harrelson. O estilo e as feições absolutamente únicas de Woody, meio “exóticas”, digamos, encontra respaldo num ator que transforma todo material que cai em suas mãos (e ele faz boas escolhas) em personagens e atuações marcantes.

Natural Born Killers revela-se ainda uma crítica ácida e pungente, de uma forma totalmente caótica-apocalíptica-falência do humano e das instituições no estilo “the world is fucking burning in nineties” acertadíssima, mesclando sua forma com o conteúdo e os diálogos que melhoram gradativamente. Um dos filmes chave da última década, sem dúvida.

Padrão
Filmes

The Mission

The Mission – Roland Joffé – 1986 – *****

Aclamado com a Palma de Ouro em Cannes, além do Bafta em 1987 e sete indicações ao Oscar no mesmo ano, incluindo a vitória de melhor fotografia para Chris Menges, “A Missão” vai além dos prêmios. A começar pelas atuações incríveis de Jeremy Irons e Robert De Niro (que parece possesso pelo personagem o tempo todo).

É um filme que se beneficia imensamente de suas locações, e retrata muito bem certo acontecimento histórico, ocorrido na América do Sul. Além de contar com outra trilha genial de Ennio Morricone. Recomendadíssimo.

Padrão
Filmes

Ratatouille

Ratatouille – Brad Bird – 2007 – *****

Finalmente assisti a este que foi considerado, por inúmeros críticos e associações ao redor do globo, um dos melhores filmes do ano passado. Realmente Brad Bird consegue ter um charme único, com uma aproximação criativa e original para todo tipo de público. Ratatouille, com seu argumento brilhante, prova definitivamente que animações do mainstream não precisam ficar reféns de estórias encantadas e super heróis.

Remy, o ratinho cozinheiro, obviamente é uma metáfora para uma série de questões clássicas deste tipo de produção, mas que, felizmente, não caem em clichês exagerados, gerando uma película envolvente, tocante e divertida, no ponto certo.

Brad Bird, em pouquíssimo tempo, fez duas obras-primas. Parece que continuará no topo por muito – sorte a nossa.

Padrão