Política & Economia

A agonia da extrema-esquerda

Não há dúvidas sobre quem saiu mais derrotado dessa eleição: a extrema-esquerda. Por pior e mais inadequado que o termo seja, ainda é ele que, talvez, expresse melhor a posição em que estes grupos se encontram. Num tempo em que o PT se tornou praticamente um partido de centro, absorvendo muito da ideologia e das práticas da direita (e sendo muito bem-sucedido nisto), deixando o PSDB-DEM vazios, tontos, sem contra-argumentar, querendo se aproximar da “esquerda” – tema que merece outro post – é quase uma anomalia falar em “extrema-esquerda”.

É nela, no entanto, que está presente os últimos redutos do pensamento “socialista”, “comunista”, “trotskista”, etc, etc. E que foi massivamente derrotada nas urnas: Plínio de Arruda Sampaio, com todo barulho que conseguiu fazer, na internet, na mídia e pelas oportunidades que teve (debate na Globo no primeiro turno, chegando a milhões de pessoas), abocanhou míseros 886 mil votos. Uma lástima, brutalmente inferior a vários candidatos a deputado federal, para não falar em vários candidatos a senador derrotados. Somar o resto da tropa também não ajuda muito: Zé Maria, do PSTU, 84 mil votos, Ivan Pinheiro, do PCB, 39 mil e Rui Costa Pimenta, do PCO, 12 mil votos (insuficiente até para se eleger vereador em muitas cidades do país). No total: 1 milhão e 21 mil votos.

Em 2006, Heloísa Helena, pelo PSOL, teve 6,5 milhões de votos, ficando em terceiro lugar no primeiro turno. 4 anos depois, pasmem, não conseguiu sequer se eleger senadora por Alagoas, ficando com 417 mil votos, menos da metade do segundo colocado, Renan Calheiros, com 840 mil. Juntando todos os partidos de “extrema-esquerda”, em 2010, o resultado na eleição de deputados estaduais, federais e senadores é igualmente pífio.

Porque, afinal, o discurso esquerdista caiu tanto na “preferência” do eleitor? Porque ele se mostra totalmente incapaz de atingir a população? De conseguir penetrar, ser visto pelo menos com curiosidade, atenção, de gerar interesse, crítica, debate? Os motivos são muitos. O principal é a canseira da ladainha do discurso repetido infinitamente há décadas. É como se, não importa o que aconteça e quanto o mundo e o país mude, o discurso é sempre o mesmo. E é até hoje porque as “bases” do pensamento socialista, de fato, nunca foram implantadas por aqui. E os problemas que, em tese, o socialismo quer combater, “pioram” com o passar do tempo. Isto no campo primário da discussão. A realidade é outra.

Minha formação, notadamente, é “esquerdista”. Não só como me “formei” no campo teórico como minha própria vida sempre me compeliu para tanto. Daí que, por mais que os principais partidos do Brasil no momento – PT, PMDB, PSB, PV (aka Marina Silva), PSDB e DEM – sejam mais ou menos de centro, o atual governo ainda conserva práticas de esquerda inegáveis que, afinal, não teria como abandonar. Mas para a extrema-esquerda, tudo é traição. Tudo é “se deixar subjulgar pelas forças do neoliberalismo” e etc. O discurso retrógrado de Plínio, usado por Lula em 89, poderia ser o mesmo em 75, 98, por aí afora.

A extrema-esquerda se mostra totalmente incapaz de apresentar suas ideias de maneira razoável, equilibrada, atualizada, palatável para a maioria da população e num projeto minimamente possível de ser aplicado no século XXI. Assim, fica restrita ao mesmo nicho que sempre esteve, jamais avançando: estudantes universitários, adultos convictos, militantes radicais e grupos de inclinações “revolucionárias” diversas. O eterno curral. Com a diferença que as urnas mostram o achatamento cada vez maior da penetração desse discurso. E com razão.

Numa política progressivamente personalista, a extrema-esquerda vive (mal e porcamente) de “explosões de votos” como a de Heloísa Helena em 2006. Algo frágil, sem continuidade e que, como vimos, não leva a nada. É a impossibilidade de reconhecer a administração eficaz do capitalismo, como o PT fez e vem fazendo, com todas suas falhas, injustiças, distorções, lacunas, etc. É o bla-bla-blá incansável de quem se coloca quase numa realidade paralela do resto da população, por mais que alguns apontamentos sejam corretos e necessários. O falatório vazio, sem eco e ressonância.

Como maior derrotada desta eleição, a extrema-esquerda brasileira precisa se reestruturar urgentemente – na teoria e na prática – se não quiser desaparecer de vez e atingir a irrelevância completa. Algo que está bem perto de acontecer.

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O fascínio de M. C. Escher

Absolutamente fenomenal a exposição “O Mundo Mágico de Escher” presente no CCBB em Brasília. Maurits Cornelis Escher foi um dos maiores artistas do século XX, mestre da ilusão de ótica, xilogravura, litografia, etc. São 95 obras do mestre holandês, divididas em 3 galerias principais. A “sala de espelhos” traz obras interativas e de ilusão, em grandes formatos. A galeria principal traz vários de seus trabalhos mais famosos e conta também com um documentário revelador sobre a vida, as buscas, a personalidade e o método de trabalho de Escher. A sub-galeria é recheada de peças da sua fase final, quando se apaixonou pela conceito de metamorfose e infinito.

Há, ainda, obras maiores espalhadas pelas instalações do CCBB. Creio que é a melhor exposição que já conferi por aí. Tanto por Escher em si, digno de todas as louvações possíveis, quanto pela curadoria e forma de apresentação. É a primeira vez das obras no Brasil e a mostra segue até 26 de dezembro, indo para Rio de Janeiro e São Paulo apenas em 2011.

O doc, com aproximadamente 1 hora, aborda toda a vida de Escher, desde os primeiros traços até sua vida no sul da Itália, em Siena, centro da sua inspiração, as passagens por Espanha e Suiça. Tem comentários do próprio, trechos de cartas enviadas a amigos, fotos e fatos relevantes narrados didaticamente e com precisão.

O tipo de exposição em que você gasta tranquilamente mais de 2 horas para desfrutar, descobrir e conhecer tudo. E ainda quer voltar. Não perca. Mesmo.

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