﻿{"id":1057,"date":"2011-01-23T16:03:15","date_gmt":"2011-01-23T18:03:15","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1057"},"modified":"2011-01-23T21:25:24","modified_gmt":"2011-01-23T23:25:24","slug":"easy-riders-raging-bulls-peter-biskind","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1057","title":{"rendered":"Easy Riders, Raging Bulls &#8211; Peter Biskind"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1058\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/raging-bull-robert-deniro.jpg\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/raging-bull-robert-deniro.jpg 377w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/raging-bull-robert-deniro-251x300.jpg 251w\" sizes=\"(max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ando em 1998 l\u00e1 fora e no finalzinho de 2009 por aqui, em tradu\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/anamariabahiana\" target=\"_blank\">Ana Maria Bahiana<\/a>, pela editora Intr\u00ednseca, <a href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/scripts\/cultura\/resenha\/resenha.asp?nitem=2968603&amp;sid=20017166412225415893860739&amp;k5=32C8EAE2&amp;uid=\" target=\"_blank\">&#8220;Easy Riders, Raging Bulls&#8221; <\/a>conta os bastidores do surgimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cineastas e astros em Hollywood, na virada dos anos 60\/70 e como eles transformaram a face da ind\u00fastria para sempre. <a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0359203\/\" target=\"_blank\">O livro deu origem tamb\u00e9m a um document\u00e1rio. <\/a>Este per\u00edodo \u00e9 tido por imensa parte dos cr\u00edticos e p\u00fablico como os melhores anos de Hollywood: \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u00e1pice do cinema estadunidense, a busca pelo controle maior dos diretores por seus filmes, da pretens\u00e3o autoral aguda e tamb\u00e9m dos sucessos de bilheteria conquistados que acabaram financiando tudo aquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em certo momento, &#8220;O Poderoso Chef\u00e3o&#8221; (1972), &#8220;O Exorcista&#8221; (1973) e &#8220;Tubar\u00e3o&#8221; (1975) eram as tr\u00eas maiores bilheterias de todos os tempos, sem falar em &#8220;Star Wars&#8221;, de 1977, que redefiniu tudo. &#8220;The Godfather&#8221;, na \u00e9poca, ultrapassou em 6 meses a bilheteria que &#8220;E O Vento Levou&#8221; (1939) atingiu em 33 anos e v\u00e1rios relan\u00e7amentos. <a href=\"http:\/\/www.boxofficemojo.com\/alltime\/adjusted.htm\" target=\"_blank\">Embora os valores ajustados para a infla\u00e7\u00e3o<\/a> &#8211; e o n\u00famero de tickets vendidos &#8211; mudem o jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por mais que seja arbitr\u00e1rio colocar os anos 70 como a melhor \u00e9poca do cinema USA, sem esquecer de nomes como William \u00a0Wyler, John Ford, Frank Capra, Hitchcock, Howard Hawks, George Cukor e tantos outros, o interesse maior de Biskind \u00e9 contar os bastidores, a personalidade de cada um, as rela\u00e7\u00f5es e os conflitos. N\u00e3o faz uma an\u00e1lise profunda do cinema em si, aborda apenas superficialmente as influ\u00eancias do cinema europeu em toda nova trupe de diretores, muitas vezes tentando emular &#8220;in a american way&#8221; as inova\u00e7\u00f5es e o estilo da Novelle Vaugue, do realismo italiano, Bergman, etc. Biskind &#8211; e a revista que editava, a Premiere &#8211; n\u00e3o representam exatamente uma vis\u00e3o suficientemente cr\u00edtica e inteligente do cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, muitas vezes o livro se perde em demasiados detalhes n\u00e3o exatamente relevantes, em intermin\u00e1veis reprodu\u00e7\u00f5es de brigas, reuni\u00f5es, provoca\u00e7\u00f5es, em cada namoradinha ou cada transa que cada um teve, em quem tomava mais drogas, era mais louco e insuport\u00e1vel, etc. Mas retirando todos estes excessos &#8211; que n\u00e3o s\u00e3o poucos &#8211; e omiss\u00f5es importantes, Biskind conseguiu fazer um bom caldo com os mais de 100 personagens que entrevistou: trabalho imenso que precisa ser valorizado, que enriquece e d\u00e1 maior consist\u00eancia ao livro. Em anexo, h\u00e1 uma lista de todas as entrevistas realizadas, todos os personagens e filmes citados no livro e filmografia recomendada dos diretores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando como o in\u00edcio da quebra de paradigmas &#8220;Bonnie &amp; Clyde&#8221;, de 67 e &#8220;Easy Rider&#8221;, de 69, os cap\u00edtulos se dividem em mostrar como Warren Beatty, Dennis Hopper, Arthur Penn, Bert Schneider, Bob Rafelson, Martin Scorsese, Robert Altman, William Friedkin, Francis Ford Coppola, Roman Polanski, Hal Ashby, Brian De Palma, George Lucas, Steven Spielberg, Paul Schrader, Terrence Mallick, Robert Towne, Peter Bogdanovich e atores como Jack Nicholson, Harvey Keitel, Al Pacino e Robert De Niro, entre tantos, transformaram Hollywood, conquistaram poder e prest\u00edgio jamais vistos e ao mesmo tempo criaram o cen\u00e1rio para seu pr\u00f3prio decl\u00ednio. Woody Allen, Milos Forman e Stanley Kubrick s\u00e3o citados apenas eventualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro em si \u00e9 incapaz de ajudar a entender as mudan\u00e7as ocorridas no mundo naquele per\u00edodo e este nem \u00e9 seu objetivo, afinal. A libera\u00e7\u00e3o sexual, a politiza\u00e7\u00e3o, a entrada maci\u00e7a das drogas na sociedade, a ang\u00fastia e os anseios de uma gera\u00e7\u00e3o: tudo isso est\u00e1 nos filmes que estes nomes realizaram. O livro foca nas mudan\u00e7as da ind\u00fastria &#8211; seja t\u00e9cnica, de equipamentos pesados para mais leves, com maiores possibilidades &#8211; seja administrativo, com os velhos figur\u00f5es dos est\u00fadios saindo de cena, dando lugar a outros nomes e os diretores tendo mais voz de decis\u00e3o frente os produtores. A espera pelo sucesso ou fracasso de um filme \u00e9 comum a todos, especialmente num tempo em que estavam apenas come\u00e7ando e o sucesso e a mitifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea causaram pesados danos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A competi\u00e7\u00e3o extrema e os egos inflados paralelamente com a amizade e o esquema de ajuda m\u00fatua entre os diretores, frequentemente um participando e opinando no trabalho do outro. A funda\u00e7\u00e3o e os problemas da <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/American_Zoetrope\" target=\"_blank\">American Zoetrope<\/a> fundada por Coppola e Lucas. As rusgas e disputas eternas entre diretores-roteiristas-produtores-atores-m\u00eddia. Pauline Kael, o nome mais famoso da cr\u00edtica estadunidense, \u00e9 citada exaustivamente e tida com enorme poder e influ\u00eancia, capaz de garantir o sucesso ou fracasso de alguns filmes. Algo a se contestar. O per\u00edodo marcou tamb\u00e9m a mudan\u00e7a no processo de distribui\u00e7\u00e3o &#8211; de poucas salas espec\u00edficas para grandes esquemas simult\u00e2neos e do in\u00edcio do marketing na TV (que &#8220;Tubar\u00e3o&#8221; tratou de intensificar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 boas hist\u00f3rias entre toneladas de coca\u00edna, \u00e1cido, \u00e1lcool, trai\u00e7\u00f5es, explos\u00f5es de f\u00faria, del\u00edrios de grandeza e trai\u00e7\u00f5es diversas &#8211; Dennis Hopper e William Friedkin s\u00e3o retratados como as personalidades mais insuport\u00e1veis, com Coppola chegando l\u00e1 no auge do prest\u00edgio. Francis, ali\u00e1s, n\u00e3o queria dirigir &#8220;O Poderoso Chef\u00e3o&#8221; de jeito algum, topando por fazer uma troca, uma esp\u00e9cie de passaporte para os filmes realmente &#8220;autorais&#8221; que queria fazer, como &#8220;A Conversa\u00e7\u00e3o&#8221;, de 74. Certo da recep\u00e7\u00e3o fria at\u00e9 a estreia, Coppola chegou a declarar: &#8220;acho que fracassei, peguei um livro popular, supercomercial, lascivo e transformei-o num bando de caras sentados em quartos escuros, falando&#8221;. Desnecess\u00e1rio reafirmar o impacto que o filme teve na cultura popular, no cinema e na vida de Coppola. E \u00e9 interessante em, mesmo assim, a sua relut\u00e2ncia em dirigir a segunda parte: al\u00e9m de continua\u00e7\u00f5es n\u00e3o serem comuns na ind\u00fastria aquela \u00e9poca, seu receio \u00e9 que, se falhasse, boa parte do cr\u00e9dito do primeiro filme iria para Marlon Brando. Est\u00e1 aqui, tamb\u00e9m, toda a hist\u00f3rica produ\u00e7\u00e3o e filmagem catastr\u00f3fica de &#8220;Apocalypse Now&#8221; em tr\u00eas fases nas Filipinas, incluindo o ataque card\u00edaco de Martin Sheen, as tempestades tropicais que varreram sets inteiro, as dezenas de doen\u00e7as pegas por membros da equipe, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do outro lado da turma, Spielberg foi o \u00fanico que acreditou em &#8220;Star Wars&#8221;: todo os outros debocharam, ridicularizaram e duvidaram do projeto de Lucas: o inferno no set e a pouca habilidade de Lucas para lidar com atores, descritos no livro, afastaram George da dire\u00e7\u00e3o durante 22 anos, at\u00e9 o &#8220;Epis\u00f3dio I&#8221;. Como Spielberg previu, foi o maior sucesso de todos os tempos at\u00e9 ent\u00e3o, gerando mudan\u00e7as profundas no modus operandi de Hollywood e culpado pelo decl\u00ednio do &#8220;cinema autoral&#8221; daquela \u00e9poca para a era dos blockbusters. N\u00e3o \u00e0 toa, Spielberg e Lucas s\u00e3o descritos como o que sempre foram: um caso a parte dos outros diretores, criados com a televis\u00e3o, de mentalidade muito mais pop e comercial, sem pudores de chegar at\u00e9 l\u00e1. A diferen\u00e7a dos dois \u00e9 \u00f3bvia e explica porque continuaram juntos por toda a d\u00e9cada de 80 e al\u00e9m, produzindo j\u00f3ias pop como &#8220;Indiana Jones&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scorsese, que mal usava drogas, se afundou na coca\u00edna e chegou a beira da morte por uma hemorragia interna entre &#8220;New York, New York&#8221;, de 77 e &#8220;Raging Bulls&#8221;, de 80. Simbolicamente, &#8220;O Portal do Para\u00edso&#8221; &#8211; que custou 50 milh\u00f5es e faturou 1,5 mi &#8211; de Michael Cimino, \u00e9 tido como o fim da &#8220;Nova Hollywood&#8221; e a retomada total do poder pelos est\u00fadios, pelo ambiente que eles pr\u00f3prios criaram, o que levou a desaguarem todas as brigas e inimizades feitas nos anos 70 na derrocada brutal de quase todos os diretores nos anos 80. (Tamb\u00e9m) por uma esp\u00e9cie de troco que levaram. E grande parte n\u00e3o s\u00f3 por terem propiciado o esquema dos blockbusters mas por eles mesmo terem envelhecido e se distanciado do p\u00fablico sem saber direito o que fazer, pelo pre\u00e7o que as drogas e os abusos cobraram, por tantas vidas destru\u00eddas no per\u00edodo e pelo o que a fama, o dinheiro e o status de g\u00eanios e deuses que consquistaram levaram junto o talento e a paix\u00e3o pelo cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais falho e excessivamente centrado na fragilidade, nos egos e del\u00edrios de todos eles, &#8220;Easy Riders, Raging Bulls&#8221; \u00e9 fundamental para entender n\u00e3o s\u00f3 o cinema e o esp\u00edrito daquela \u00e9poca mas tudo que aconteceu com a ind\u00fastria at\u00e9 hoje, mergulhando na vida de tanta gente essencial e, por consequencia, nos aproximando do cinema de todos eles: que \u00e9 o que realmente importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">h\u00e1 um bom embate entre Rafael Galv\u00e3o e Luiz Biajoni sobre o livro, <a href=\"http:\/\/www.rafael.galvao.org\/2010\/05\/easy-riders-raging-bulls\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/biajoni.opsblog.org\/2010\/05\/11\/como-a-geracao-sexo-drogas-e-rocknroll-salvou-hollywood-resposta-a-rafael-galvao\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ando em 1998 l\u00e1 fora e no finalzinho de 2009 por aqui, em tradu\u00e7\u00e3o de Ana Maria Bahiana, pela editora Intr\u00ednseca, &#8220;Easy Riders, Raging Bulls&#8221; conta os bastidores do surgimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cineastas e astros em Hollywood, na virada dos anos 60\/70 e como eles transformaram a face da ind\u00fastria para sempre. 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