﻿{"id":1181,"date":"2011-07-24T22:45:28","date_gmt":"2011-07-25T00:45:28","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1181"},"modified":"2011-07-24T22:46:40","modified_gmt":"2011-07-25T00:46:40","slug":"pensamento-browniano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1181","title":{"rendered":"Pensamento browniano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1182\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/memento-mori-series-by-douglas-little-for-dl-co.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/memento-mori-series-by-douglas-little-for-dl-co.jpg 800w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/memento-mori-series-by-douglas-little-for-dl-co-150x150.jpg 150w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/memento-mori-series-by-douglas-little-for-dl-co-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Por Tiago L. Garcia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Daquilo que leio esque\u00e7o quase tudo. Resta, como nos resta daquilo que aprendemos com a fam\u00edlia, certos gestos, certa maneira de caminhar e olhar o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentar viver novamente nossas lembran\u00e7as \u00e9 um equ\u00edvoco. Boa parte da alegria agregada \u00e0s lembran\u00e7as \u00e9 uma d\u00e1diva do tecido opaco em que a mem\u00f3ria as reveste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria recorta o real, o resume, o generaliza, o  sentencia&#8230;faz dele um aforismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria suport\u00e1vel a companhia humana sem a companhia liter\u00e1ria (e vice-versa)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo vivido obedece a um <em>movimento browniano<\/em>. Deste movimento, contudo, \u00e9 poss\u00edvel imaginar um desenho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o construirmos um arco at\u00e9 sua \u00faltima pedra ele desmorona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ideias abondonadas enferrujam, decaem e desaparecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar em ingl\u00eas me faz sentir novamente um adolescente \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 de todo ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornar-se uma pessoa melhor n\u00e3o significa essencialmente tornar-se mais moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pessoa m\u00e1 \u00e9 aquela cuja maldade transcende os males de seu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do contentamento exala a moralidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dos fracassados a vis\u00e3o privilegiada em rela\u00e7\u00e3o aos equ\u00edvocos da disputa. O ressentimento nunca est\u00e1 de todo incorreto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lamento pela opress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma ode \u00e0 fraqueza, mas um elogio \u00e0 for\u00e7a oprimida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da alegria retiramos centenas de matizes. Do desvario \u00e0 beatitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda algo de puro no desejo ego\u00edsta de fruir das coisas. O dem\u00f4nio prefere comprar almas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qu\u00edmica das rela\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o obedece a uma rela\u00e7\u00e3o causal: De dois bons sujeitos \u00e0s vezes se faz metade de uma trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem descobre sua estupidez. Deus, contente com este primeiro lampejo de sanidade de suas crias, o perdoa. Eis a ess\u00eancia do cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aben\u00e7oados sejam aqueles que cr\u00eaem Deus ser inef\u00e1vel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conhecimento profundo dos v\u00edcios pode nos tornar hip\u00f3critas. Quanto mais profundamente conhecemos os v\u00edcios e seus meandros, mais envergonhados e angustiados nos tornamos em confess\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar contra a corrente, recusar a julgar atrav\u00e9s dos valores vigentes em determinados meios \u00e9 algo que envolve um esfor\u00e7o perene. H\u00e1 sempre o risco da \u201creca\u00edda\u201d: nos alegrarmos com elogios injustos ou ditos por pessoas que desprezamos, ou ainda rejeitarmos reprimendas honestas ditas por pessoas em quem confiamos. O fato \u00e9 que uma mente livre est\u00e1 sempre em \u201creabilita\u00e7\u00e3o\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o posso livrar-me da vaidade se voc\u00ea n\u00e3o permite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor da amizade \u00e9 poder permanecer feliz estando equivocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior equ\u00edvoco \u00e9 procurar o sucesso em um jogo fundado sobre crit\u00e9rios que desprezamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em toda cr\u00edtica \u00e9 necess\u00e1rio enfatizar os crit\u00e9rios que permitem os ju\u00edzos, mais do que os ju\u00edzos realizados atrav\u00e9s destes crit\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma ponte s\u00f3lida \u00e9 s\u00f3lida porque assim a constru\u00edmos. \u00c9 necess\u00e1rio confiar em nossa capacidade de erigir valores robustos. O que n\u00e3o significa desprezar a hist\u00f3ria, mas sim reordenar as constela\u00e7\u00f5es, como quis Walter Benjamim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tiago L. Garcia Daquilo que leio esque\u00e7o quase tudo. Resta, como nos resta daquilo que aprendemos com a fam\u00edlia, certos gestos, certa maneira de caminhar e olhar o mundo. Tentar viver novamente nossas lembran\u00e7as \u00e9 um equ\u00edvoco. 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