﻿{"id":1209,"date":"2011-08-12T12:41:13","date_gmt":"2011-08-12T14:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1209"},"modified":"2011-08-12T14:48:25","modified_gmt":"2011-08-12T16:48:25","slug":"melancholia-o-2012-de-lars-von-trier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1209","title":{"rendered":"Melancholia: o 2012 de Lars Von Trier"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1210\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/melancholia1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/melancholia1.jpg 500w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/melancholia1-300x161.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algum momento da sua carreira Lars Von Trier passou a acreditar &#8211; e se auto-proclamar, diga-se &#8211; que \u00e9 mesmo &#8220;o melhor diretor do mundo&#8221;. A aclama\u00e7\u00e3o absurda de &#8220;Dogville&#8221;, ancorada pelo menos num \u00f3timo filme, n\u00e3o fez bem pra sua cabe\u00e7a, seu ego e seu cinema, supervalorizado desde o surgimento com o &#8220;manifesto&#8221; Dogma 95.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, nos \u00faltimos anos, essa seguran\u00e7a em ser &#8220;o melhor do mundo&#8221; veio acompanhada por uma necessidade adolescente de criar pol\u00eamicas baratas em Cannes: em 2009 com &#8220;O Anticristo&#8221;, ao afirmar que tinha feito o filme com &#8220;60% da capacidade mental&#8221; ou novamente este ano no festival franc\u00eas onde declarou &#8220;simpatia&#8221; por Hitler, tendo que se explicar at\u00e9 hoje. Artif\u00edcios rid\u00edculos para qualquer um, ainda mais para um diretor que se prop\u00f5e ter um certo quilate. Talvez pelo receio de deixar o seu cinema falar e atrair a aten\u00e7\u00e3o por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Melancholia&#8221;, o filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Von Trier, n\u00e3o poderia ter paralelo mais ir\u00f4nico com o &#8220;2012&#8221; de Roland Emmerich. Enquanto o segundo \u00e9 fruto do histrionismo mais absurdo e abjeto poss\u00edvel de Hollywood, Von Trier, como j\u00e1 conhecido, prima pelo minimalismo, a constru\u00e7\u00e3o de climas de tens\u00e3o, medo, ang\u00fastia, d\u00favida e um certo desconforto onipresente. No m\u00e1ximo em que um filme, em \u00faltima inst\u00e2ncia, sobre a destrui\u00e7\u00e3o da humanidade, pode ser sutil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kirsten Dunst consegue passar toda a afli\u00e7\u00e3o que lhe cabe como peso dram\u00e1tico central do que est\u00e1 por vir e soa como uma escolha melhor que Pen\u00e9lope Cruz, para quem o papel foi inicialmente pensado. O casamento da sua Justine com Michael (Alexander Skarsgard), que toma boa parte da pel\u00edcula, \u00e9 o pr\u00f3logo em que Von Trier pode trabalhar todas as tens\u00f5es do seu argumento principal. A fam\u00edlia destru\u00edda, o casamento de realiza\u00e7\u00e3o irreal, a pseudo-alegria que logo ser\u00e1 despeda\u00e7ada, o peso das conven\u00e7\u00f5es sociais em situa\u00e7\u00f5es de constrangimento cortante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed brilham coadjuvantes de peso como John Hurt e Charlote Rampling. Mas a premissa, t\u00e3o bem explorada por diretores com talento infinitamente maior que Von Trier, escorrega naquela gratuidade perigosa que o dinamarqu\u00eas costuma entrar. O mal estar permanente de Justine, as crises, a obsess\u00e3o vazia do John de Kiefer Sutherland e uma perdida Charlotte Gainsbourg, a quem a segunda metade \u00e9 dedicada. \u00a0Trier consegue criar belas imagens: todas elas pl\u00e1sticas. A rela\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia dos astros na hist\u00f3ria \u00e9 sempre \u00f3bvia e rasa demais. N\u00e3o que saber de antem\u00e3o o que ir\u00e1 acontecer seja um problema em si, especialmente num filme-cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas &#8220;Melancholia&#8221; sofre com a auto-indulg\u00eancia e a zona de semi-deus em que Von Trier acredita pertencer. Fornece pistas infantis: o buraco de golfe n\u00famero 19, o cavalo que jamais atravessa a ponte, a s\u00fabita tomada messi\u00e2nica de Claire, etc. De desconforto familiar, a agonia artificial dos personagens em nenhum momento sai da tela para atingir os espectadores com a pretens\u00e3o que tem. Um filme razo\u00e1vel que fica abaixo do que poderia ser. Mais palat\u00e1vel, provavelmente, a quem se identificar com a ang\u00fastia retratada. Mesmo com todas as ressalvas poss\u00edveis, a beleza da melancolia, aqui, se presta quase que totalmente ao ego megaloman\u00edaco de Von Trier.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em algum momento da sua carreira Lars Von Trier passou a acreditar &#8211; e se auto-proclamar, diga-se &#8211; que \u00e9 mesmo &#8220;o melhor diretor do mundo&#8221;. 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