﻿{"id":136,"date":"2008-04-18T21:15:02","date_gmt":"2008-04-18T21:15:02","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.wordpress.com\/?p=137"},"modified":"2008-04-18T21:15:02","modified_gmt":"2008-04-18T21:15:02","slug":"o-som-e-o-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=136","title":{"rendered":"O Som e o Sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/silence-album-cover3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-144\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/silence-album-cover3.jpg\" alt=\"\" width=\"323\" height=\"316\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Minha rela\u00e7\u00e3o com o som, talvez, seja a  coisa mais importante e vital que existe. [Este \u00e9 o meu hiperbolismo falando alto]. Mas um hiperbolismo nem t\u00e3o exagerado assim. Minha m\u00e3e diz que cantou para mim desde os primeiros dias de vida. Que contava hist\u00f3rias quando ainda estava no ventre. E, n\u00e3o s\u00f3 estudos cient\u00edficos comprovam o quanto isto influencia positivamente e tem influ\u00eancia sobre um beb\u00ea, como eu acredito e sinto isto, intensamente. Minha vida, sem som, n\u00e3o existiria. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque \u201cgosto muito\u201d \u2013 eufemismo \u2013 de m\u00fasica. N\u00e3o falo somente de notas musicais, de estruturas, arranjos e harmonias diferentes que suscitam as mais variadas sensa\u00e7\u00f5es, gostos e impress\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Talvez o par\u00e1grafo mais feliz que eu tenha escrito foi este, quando tentei \u201cresumir\u201d, brevemente, o que \u201cm\u00fasica\u201d significa:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><em><span style=\"font-family:Arial;\">M\u00fasica, para mim, \u00e9 extens\u00e3o do corpo, dos sentidos, da mente, das ang\u00fastias, desejos, aspira\u00e7\u00f5es. \u00c9 inquieta por natureza. \u00c9 uma linguagem ampla, poderosa e universal. \u00c9 puramente matem\u00e1tica ao mesmo tempo que abstrata. R\u00edgida por\u00e9m livre. Organizada em sua estrutura apenas para ser decomposta e digerida por cada um de maneira peculiar. Mexe com o racional e as emo\u00e7\u00f5es. O c\u00e9rebro e a alma. Traz infindas possibilidades, deixando sempre um impacto por onde passa. \u00c9 nossa face mais met\u00f3dica, mas tamb\u00e9m indefin\u00edvel e ilimitada. \u00c9 D\u2019us, em sua ess\u00eancia. \u00c9 a maior for\u00e7a que tenho not\u00edcia.<\/span><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/silence2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-139\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/silence2.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"216\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Este aforismo exemplifica, em parte, aquilo que \u00e9 a ess\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00edntima, bem como do modo como enxergo, hoje, o \u201ctrabalho\u201d de \u201ccr\u00edtico\u201d. \u00c9 absurdo, inimagin\u00e1vel e incompreens\u00edvel, para Maur\u00edcio Gomes Angelo, ficar limitado a um \u00fanico estilo. Ter, em seu card\u00e1pio, seus momentos, sua vida, tipos limitados de manifesta\u00e7\u00e3o sonora. Se criamos r\u00f3tulos, n\u00e3o s\u00f3 por uma necessidade humana de compreens\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o e par\u00e2metros m\u00ednimos de refer\u00eancias, bem como para a ind\u00fastria, \u00e9 apenas para nos guiar, para \u201cdar um nome\u201d aquilo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">H\u00e1 tanta coisa para ser explorada, tanto para se descobrir, degustar, sentir. Uma m\u00fasica para cada tempo. Muitos sentimentos para cada m\u00fasica. H\u00e1 que se ter cuidado em se ouvir determinadas obras: elas mudam, drasticamente, de acordo com o momento, a hora, a ilumina\u00e7\u00e3o, as cores, os sentimentos pr\u00e9vios, o aparato t\u00e9cnico usado para, se de olhos fechados ou abertos, se de fone de ouvido ou n\u00e3o, se mecanicamente ou ao vivo, se sozinho ou acompanhado. \u00c9 impressionante o quanto ela se altera, se transforma, se revela, se esconde, demonstra suas in\u00fameras e praticamente inesgot\u00e1veis facetas. N\u00e3o seria assim com tudo? Cada coisa, cada momentum de nossa vida n\u00e3o teria suas condi\u00e7\u00f5es, suas mudan\u00e7as e seu pr\u00f3prio universo sens\u00edvel? Creio que sim. Na maioria das vezes, a m\u00fasica serve apenas como um complemento para uma situa\u00e7\u00e3o qualquer. Est\u00e1 ali, ponto. Em outras, conseguimos ouvi-la. E em outros casos, raros, penetramos e vivemos nela. <\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/abstract.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-140\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/abstract.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Creio que eu tenha aprendido a desfrutar, respeitar e descobrir, a meu modo, a brutalidade de um metal extremo, o suingue de um samba, o virtuosismo do jazz, as in\u00fameras texturas do \u201cpop\u201d, o rock  explodindo em tes\u00e3o, tens\u00e3o e atitude, a amplitude de uma pe\u00e7a cl\u00e1ssica, a alma do blues, o balan\u00e7o do funk, a desintoxica\u00e7\u00e3o do soul, a beleza de uma mpb, a transcend\u00eancia corporal do trance, o universo multifacetado e em erup\u00e7\u00e3o da m\u00fasica eletr\u00f4nica, a experimenta\u00e7\u00e3o e o envolvimento do progressivo, a urg\u00eancia do hip-hop, a for\u00e7a sens\u00edvel das divas e trovadores solit\u00e1rios, a adrenalina e o estalar de um metal \u201ctradicional\u201d, o aconchego da bossa nova e a capacidade infinda que todos estes citados, al\u00e9m de in\u00fameros outros \u201cestilos\u201d, fundidos ou n\u00e3o, colaborando entre si ou radicalmente convencionais, o poder que eles tem de gerar algo novo, ou de apenas embalar-nos em suas entranhas.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Ao mesmo tempo que o som, em si, \u00e9 como o ar para mim, o sil\u00eancio tamb\u00e9m o \u00e9. Como que o sil\u00eancio, ou seja, a aus\u00eancia total de qualquer ru\u00eddo, tem a sua sonoridade especifica, a sua forma de atuar, tamb\u00e9m faz parte da m\u00fasica, da vida, \u00e9 necess\u00e1rio e pungente, pode ser mais agressivo e implac\u00e1vel que qualquer manifesta\u00e7\u00e3o furiosa. O sil\u00eancio ecoa. Completa. Faz-se presente. \u00c9 sens\u00edvel, forte, intenso. Destaca-se. \u00c0s vezes, penso que desconhe\u00e7o coisa mais poderosa que ele. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">O mundo \u00e9 barulhento demais. O barulho destr\u00f3i nossa capacidade de pensar. As pessoas falam muito, falam sem pensar, por falar, for\u00e7osa e desnecessariamente. Profundo desperd\u00edcio de energia vital. O barulho, a grosso modo, simboliza o contr\u00e1rio de introspec\u00e7\u00e3o. E, para refletir, ela \u00e9 necess\u00e1ria. A introspec\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, inflam\u00e1vel. Processando e florescendo a experi\u00eancia. O \u00fanico lugar onde suporto uma multid\u00e3o ruidosa \u00e9 em shows de m\u00fasica. Se par\u00e1ssemos de falar tanto, talvez viver\u00edamos melhor, ter\u00edamos a oportunidade de perceber coisas que nunca antes percebemos.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/stjoes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-141\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/stjoes.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"189\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Se par\u00e1ssemos de falar&#8230;ouvir\u00edamos. Ser\u00edamos capazes de notar maiores nuances do som, do ambiente, das coisas. At\u00e9 mesmo as cores, a natureza, os sentimentos&#8230;o outro. A n\u00f3s mesmos. Observar melhor o que nos rodeia. O sil\u00eancio torna o barulho percept\u00edvel. Permite repensar, criticar, refletir, analisar, graduar, sentir. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Somente aprendendo a respeitar e admirar o sil\u00eancio teremos a capacidade, m\u00ednima, de compreender nosso \u00edntimo e o mundo circundante. De olhar para o outro sem pressa, analisando as sutilezas e peculiaridades da vida humana. Bem como de absorver a m\u00fasica em toda sua ess\u00eancia e possibilidades. Onde, por um lapso, o \u201csentido\u201d passa a existir. Ou a aus\u00eancia dele.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Aben\u00e7oado seja.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha rela\u00e7\u00e3o com o som, talvez, seja a coisa mais importante e vital que existe. [Este \u00e9 o meu hiperbolismo falando alto]. Mas um hiperbolismo nem t\u00e3o exagerado assim. Minha m\u00e3e diz que cantou para mim desde os primeiros dias de vida. Que contava hist\u00f3rias quando ainda estava no ventre. 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