﻿{"id":15,"date":"2007-11-27T09:23:24","date_gmt":"2007-11-27T09:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.wordpress.com\/2007\/11\/27\/ocupacao-da-usp-movimento-estudantil-no-brasil\/"},"modified":"2007-11-27T09:23:24","modified_gmt":"2007-11-27T09:23:24","slug":"ocupacao-da-usp-movimento-estudantil-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=15","title":{"rendered":"Ocupa\u00e7\u00e3o da USP &#38; Movimento Estudantil no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size:12pt;font-family:Arial;\">Em maio de 2007 estudantes paulistas da maior universidade do pa\u00eds decidiram fazer uma greve, que acabou se espalhando para outros setores da USP e tamb\u00e9m para v\u00e1rios estados do Brasil, contra uma medida do governador de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Serra, que previa a cria\u00e7\u00e3o de uma secretaria superior que se tornaria a decis\u00e3o final \u00e0 tudo que concerne ao ambiente universit\u00e1rio de certas institui\u00e7\u00f5es, \u201cadministrando\u201d estes locais. Com isso, o medo era que se perdesse a autonomia e o controle ficasse na m\u00e3o de interesses escusos, de gente que, al\u00e9m de tudo, n\u00e3o estaria diretamente envolvida no que ocorreu dentro dos campus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:12pt;font-family:Arial;\"><br \/>\n<span><\/span>A  greve, que durou mais de um m\u00eas, acabou bem sucedida pois fez que Serra recuasse em seus objetivos preliminares e fizesse v\u00e1rias concess\u00f5es que atenderam \u00e0s reinvidica\u00e7\u00f5es feitas. A m\u00eddia brasileira, em sua maioria, fez uma cobertura parcial e duvidosa do movimento, centrando-se nos pontos negativos da greve e de tom claramente reacion\u00e1rio, com algumas honrosas exce\u00e7\u00f5es, como programas de debate na TV que trouxeram v\u00e1rias partes para serem ouvidas e a<span>  <\/span>Carta Capital<span>.<\/span><\/span><\/p>\n<h3>Entrevista \u2013 Daniel M. Delfino<\/h3>\n<p class=\"MsoNormal\"><b><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align:justify;margin:0 0 0.0001pt;\"><span style=\"font-family:Arial;\">30 anos, formado em sociologia, cursando o oitavo per\u00edodo de filosofia da USP, Daniel Delfino, marxista assumido, sempre esteve envolvido em movimentos sociais e grupos de resist\u00eancia: \u00e9 um pensador que sai da teoria e vai para as ruas, demonstrar na pr\u00e1tica o que seus escritos denunciam e os objetivos que apregoa.<span>  <\/span>\u201c&#8221;N\u00e3o se revoltar\u00e3o enquanto n\u00e3o tiverem consci\u00eancia e n\u00e3o ter\u00e3o consci\u00eancia enquanto n\u00e3o se revoltarem&#8221;, \u00e9 com esta passagem de Orwell em mente que Delfino produz seus escritos. Uma conversa franca com quem esteve por dentro do movimento. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><b><span style=\"font-family:Arial;color:black;\"><br \/>\n&#8211; Quais os antecedentes hist\u00f3ricos da ocupa\u00e7\u00e3o da USP realizada este ano?<\/span><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-family:Arial;\">       Os antecedentes mais gerais do movimento que teve seu foco na ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria da USP est\u00e3o na pol\u00edtica geral de sucateamento do ensino p\u00fablico em curso no Brasil. As Universidades p\u00fablicas est\u00e3o sendo asfixiadas por cortes de verbas que impossibilitam a contrata\u00e7\u00e3o de professores e servidores, submetem esses profissionais ao arrocho salarial, precarizam as condi\u00e7\u00f5es de moradia e assist\u00eancia estudantil, rebaixam as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de ensino, pesquisa e extens\u00e3o da universidade, seus laborat\u00f3rios, bibliotecas, etc. Ao mesmo tempo, os empres\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo premiados com a compra de vagas ociosas na rede privada com dinheiro p\u00fablico por meio de programas de \u201cinclus\u00e3o social\u201d como o PROUNI. Esse conjunto de medidas configura uma concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7os p\u00fablicos em geral em que o \u201cmercado\u201d deve ser a inst\u00e2ncia capaz de atender \u00e0s necessidades da sociedade, ao passo em que o Estado se omite de sua tarefa de, atrav\u00e9s das Universidades, projetar estrategicamente o futuro da sociedade, sua infra-estrutura cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, sua forma\u00e7\u00e3o cultural, a capacidade cr\u00edtica de seus cidad\u00e3os, etc.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Esse processo geral de sucateamento da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e1 em curso no Brasil h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e as universidades estaduais paulistas n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o a ele. O movimento estudantil j\u00e1 estava atento a essas medidas e tentava combat\u00ea-lo. A \u00faltima grande greve na USP aconteceu em 2002 reivindicando justamente a  <!-- D([\"mb\",\"contrata\u00e7\u00e3o de professores para repor as vagas daqueles que se aposentavam.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O antecedente imediato que detonou o movimento em 2007 foram os decretos do governador Jos\u00e9 Serra, que\\u003cbr \/\\&amp;gt;retiravam a autonomia administrativa das universidades estaduais paulistas (USP, UNICAMP, UNESP, FATECs),\\u003cbr \/\\&amp;gt;subordinando-as a uma secretaria rec\u00e9m-criada destinada a apertar ainda mais seu or\u00e7amento. A movimenta\u00e7\u00e3o dos\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes contra a implanta\u00e7\u00e3o desses decretos foi o que gerou a greve dos tr\u00eas setores (estudantes,\\u003cbr \/\\&amp;gt;funcion\u00e1rios e professores) e a ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;- Na vis\u00e3o de algu\u00e9m que esteve envolvido diretamente no ocorrido, como os estudantes se organizaram para\\u003cbr \/\\&amp;gt;fazer suas reinvidica\u00e7\u00f5es? A dire\u00e7\u00e3o da universidade foi flex\u00edvel e aberta para a negocia\u00e7\u00e3o?\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O processo de organiza\u00e7\u00e3o tradicional s\u00e3o as assembl\u00e9ias por curso, por unidade e a assembl\u00e9ia geral dos\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes. As assembl\u00e9ias votam uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es e elegem uma comiss\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o encarregada de\\u003cbr \/\\&amp;gt;discutir com as autoridades. A reitora da USP, entretanto, se recusou a receber a comiss\u00e3o eleita pelos estudantes.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Uma vez que a dire\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da USP se recusou a defender a universidade contra os ataques do governo, os\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes legitimamente tomaram essa defesa nas pr\u00f3prias m\u00e3os e ocuparam a reitoria. A reitora \u201cfugiu\u201d da USP\\u003cbr \/\\&amp;gt;e um n\u00famero significativo de estudantes permaneceu acampado no pr\u00e9dio da administra\u00e7\u00e3o por 51 dias. A partir da\\u003cbr \/\\&amp;gt;ocupa\u00e7\u00e3o, desencadeou-se a greve dos estudantes, professores e funcion\u00e1rios. O governo amea\u00e7ou usar a tropa de\\u003cbr \/\\&amp;gt;choque para desocupar a reitoria pela for\u00e7a, mas os estudantes decidiram ficar. A tropa de choque permaneceu\\u003cbr \/\\&amp;gt;fora do campus, e a partir da\u00ed o movimento se fortaleceu. A reitora foi for\u00e7ada a &nbsp;negociar a pauta dos\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes para encontrar uma sa\u00edda para o impasse.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;- O que ocorria nas assembl\u00e9ias? Foi algo organizado e uno no sentido de uma dire\u00e7\u00e3o comum das diversas partes\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> contrata\u00e7\u00e3o de professores para repor as vagas daqueles que se aposentavam.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<b>&#8211; Na vis\u00e3o de algu\u00e9m que esteve envolvido diretamente no ocorrido, como os estudantes se organizaram para fazer suas reinvidica\u00e7\u00f5es? A dire\u00e7\u00e3o da universidade foi flex\u00edvel e aberta para a negocia\u00e7\u00e3o?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\nO processo de organiza\u00e7\u00e3o tradicional s\u00e3o as assembl\u00e9ias por curso, por unidade e a assembl\u00e9ia geral dos estudantes. As assembl\u00e9ias votam uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es e elegem uma comiss\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o encarregada de discutir com as autoridades. A reitora da USP, entretanto, se recusou a receber a comiss\u00e3o eleita pelos estudantes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       Uma vez que a dire\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da USP se recusou a defender a universidade contra os ataques do governo, os estudantes legitimamente tomaram essa defesa nas pr\u00f3prias m\u00e3os e ocuparam a reitoria. A reitora \u201cfugiu\u201d da USP e um n\u00famero significativo de estudantes permaneceu acampado no pr\u00e9dio da administra\u00e7\u00e3o por 51 dias. A partir da ocupa\u00e7\u00e3o, desencadeou-se a greve dos estudantes, professores e funcion\u00e1rios. O governo amea\u00e7ou usar a tropa de choque para desocupar a reitoria pela for\u00e7a, mas os estudantes decidiram ficar. A tropa de choque permaneceu fora do campus, e a partir da\u00ed o movimento se fortaleceu. A reitora foi for\u00e7ada a negociar a pauta dos estudantes para encontrar uma sa\u00edda para o impasse.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><b><span style=\"font-family:Arial;\">       &#8211; O que ocorria nas assembl\u00e9ias? Foi algo organizado e uno no sentido de uma dire\u00e7\u00e3o comum das diversas partes  <!-- D([\"mb\",\"envolvidas ou houveram focos de discord\u00e2ncia, pelegos e interesses escusos reunidos?\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;No auge do movimento as assembl\u00e9ias eram massivas e representativas. Havia sempre algo em torno de 2 ou 3 mil\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes, sendo que o segmento mais numeroso era composto pelos estudantes de ci\u00eancias humanas. A dire\u00e7\u00e3o\\u003cbr \/\\&amp;gt;\u201coficial\u201d das atividades caberia ao DCE (Diret\u00f3rio Central dos Estudantes), entidade hierarquicamente superior\\u003cbr \/\\&amp;gt;aos Centros Acad\u00eamicos de cada curso. Entretanto, os partidos pol\u00edticos que dirigem o DCE (PT, PCdoB e\\u003cbr \/\\&amp;gt;MR8-PMDB) estavam contra a luta e tentavam encaminhar propostas contr\u00e1rias \u00e0 greve e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o. Acabaram\\u003cbr \/\\&amp;gt;portanto sendo desconhecidos pelo conjunto dos estudantes, que deu continuidade ao movimento \u00e0 revelia de sua\\u003cbr \/\\&amp;gt;dire\u00e7\u00e3o oficial. Foram praticamente expulsos das assemb\u00e9ias.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O movimento dos estudantes da USP se estruturou de forma \u201cclandestina\u201d. Na aus\u00eancia do DCE e dos CAs, os\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes na ocupa\u00e7\u00e3o se organizaram em comiss\u00f5es encarregadas de tarefas espec\u00edficas (seguran\u00e7a, limpeza,\\u003cbr \/\\&amp;gt;alimenta\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, etc), descentralizadas, horizontais, aut\u00f4nomas e auto-geridas. A aus\u00eancia de uma\\u003cbr \/\\&amp;gt;lideran\u00e7a oficial dificultou o trabalho da repress\u00e3o. Por outro lado, esse modelo de organiza\u00e7\u00e3o foi resultado\\u003cbr \/\\&amp;gt;de uma improvisa\u00e7\u00e3o e se manteve sempre funcionando de maneira problem\u00e1tica.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Ao longo do processo, identificaram-se diversas diverg\u00eancias t\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas entre os representantes de\\u003cbr \/\\&amp;gt;diferentes linhas pol\u00edticas nele envolvidos. Havia as linhas particulares dos diferentes agrupamentos pol\u00edticos\\u003cbr \/\\&amp;gt;engajados na ocupa\u00e7\u00e3o e na greve, como PSOL, PSTU, PCO, LER, etc., e a linha dos estudantes \u201cindependentes\u201d,\\u003cbr \/\\&amp;gt;n\u00e3o ligados a nenhum partido, os anarquistas, etc. Esse segmento independente teve bastante peso nas atividades\\u003cbr \/\\&amp;gt;do movimento e da ocupa\u00e7\u00e3o em particular, mas muitas vezes desconhecia resolu\u00e7\u00f5es de assembl\u00e9ia, descumpria\\u003cbr \/\\&amp;gt;tarefas, descuidava das atividades, esvaziava as comiss\u00f5es, etc. A continuidade da greve e da ocupa\u00e7\u00e3o em cada\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> envolvidas ou houveram focos de discord\u00e2ncia, pelegos e interesses escusos reunidos?<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><b><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<\/span><\/b><span style=\"font-family:Arial;\">       No auge do movimento as assembl\u00e9ias eram massivas e representativas. Havia sempre algo em torno de 2 ou 3 mil estudantes, sendo que o segmento mais numeroso era composto pelos estudantes de ci\u00eancias humanas. A dire\u00e7\u00e3o \u201coficial\u201d das atividades caberia ao DCE (Diret\u00f3rio Central dos Estudantes), entidade hierarquicamente superior aos Centros Acad\u00eamicos de cada curso. Entretanto, os partidos pol\u00edticos que dirigem o DCE (PT, PCdoB e MR8-PMDB) estavam contra a luta e tentavam encaminhar propostas contr\u00e1rias \u00e0 greve e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o. Acabaram, portanto, sendo desconhecidos pelo conjunto dos estudantes, que deu continuidade ao movimento \u00e0 revelia de sua dire\u00e7\u00e3o oficial. Foram praticamente expulsos das assembl\u00e9ias.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       O movimento dos estudantes da USP se estruturou de forma \u201cclandestina\u201d. Na aus\u00eancia do DCE e dos CAs, os estudantes na ocupa\u00e7\u00e3o se organizaram em comiss\u00f5es encarregadas de tarefas espec\u00edficas (seguran\u00e7a, limpeza, alimenta\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, etc), descentralizadas, horizontais, aut\u00f4nomas e auto-geridas. A aus\u00eancia de uma lideran\u00e7a oficial dificultou o trabalho da repress\u00e3o. Por outro lado, esse modelo de organiza\u00e7\u00e3o foi resultado de uma improvisa\u00e7\u00e3o e se manteve sempre funcionando de maneira problem\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       Ao longo do processo, identificaram-se diversas diverg\u00eancias t\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas entre os representantes de diferentes linhas pol\u00edticas nele envolvidos. Havia as linhas particulares dos diferentes agrupamentos pol\u00edticos engajados na ocupa\u00e7\u00e3o e na greve, como PSOL, PSTU, PCO, LER, etc., e a linha dos estudantes \u201cindependentes\u201d, n\u00e3o ligados a nenhum partido, os anarquistas, etc. Esse segmento independente teve bastante peso nas atividades do movimento e da ocupa\u00e7\u00e3o em particular, mas muitas vezes desconhecia resolu\u00e7\u00f5es de assembl\u00e9ia, descumpria tarefas, descuidava das atividades, esvaziava as comiss\u00f5es, etc. A continuidade da greve e da ocupa\u00e7\u00e3o em cada  <!-- D([\"mb\",\"assembl\u00e9ia era a resultante do debate entre essas correntes. E o debate nem sempre era cordial, mas pelo\\u003cbr \/\\&amp;gt;contr\u00e1rio, expunha disputas que iam al\u00e9m da diverg\u00eancia pol\u00edtica e resvalavam na rivalidade f\u00edsica entre as\\u003cbr \/\\&amp;gt;diversas correntes (v\u00edcio recorrente da esquerda brasileira). No final do movimento, cada organiza\u00e7\u00e3o acusava a\\u003cbr \/\\&amp;gt;outra de haver errado na condu\u00e7\u00e3o da luta, de haver feito reivindica\u00e7\u00f5es irreais, de haver recuado quando ainda\\u003cbr \/\\&amp;gt;n\u00e3o era a hora, de haver tra\u00eddo, etc.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;- O que voc\u00ea identifica como os principais problemas encontrados durante o epis\u00f3dio e quais frutos ele gerou?\\u003cbr \/\\&amp;gt;Foi v\u00e1lido, num todo?\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O principal problema do movimento \u00e9 a despolitiza\u00e7\u00e3o geral e a falta de participa\u00e7\u00e3o do conjunto dos\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes. Nem todos os cursos da USP aderiram \u00e0 greve e nem todos apoiavam a ocupa\u00e7\u00e3o. O setor engajado no\\u003cbr \/\\&amp;gt;movimento foi sempre minorit\u00e1rio. A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores \u00e9 que essa minoria constitu\u00eda uma\\u003cbr \/\\&amp;gt;massa suficientemente grande para dar vida ao movimento. Faltou por\u00e9m capacidade de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das\\u003cbr \/\\&amp;gt;lideran\u00e7as estudantis entre si e de maior integra\u00e7\u00e3o com o conjunto dos estudantes.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Apesar de todas essas debilidades, o movimento teve for\u00e7a suficiente para fazer o governador recuar. Os\\u003cbr \/\\&amp;gt;decretos foram \u201creinterpretados\u201d e acabaram n\u00e3o sendo plenamente implantados. Nesse sentido, o movimento obteve\\u003cbr \/\\&amp;gt;uma vit\u00f3ria extraordin\u00e1ria. A pauta de reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi atendida no seu conjunto e ficaram v\u00e1rias\\u003cbr \/\\&amp;gt;quest\u00f5es pendentes, mas no geral os estudantes sa\u00edram fortalecidos.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O saldo mais importante do movimento foi o exemplo organizativo legado aos estudantes de outras universidades.\\u003cbr \/\\&amp;gt;A \u201cmoda\u201d da ocupa\u00e7\u00e3o de reitorias se espalhou pelas universidades do pa\u00eds naquele per\u00edodo e desencadeou uma\\u003cbr \/\\&amp;gt;s\u00e9rie de processos de luta direta como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via. Esse processo teve reflexos tardios que se\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> assembl\u00e9ia era a resultante do debate entre essas correntes. E o debate nem sempre era cordial, mas pelo contr\u00e1rio, expunha disputas que iam al\u00e9m da diverg\u00eancia pol\u00edtica e resvalavam na rivalidade f\u00edsica entre as diversas correntes (v\u00edcio recorrente da esquerda brasileira). No final do movimento, cada organiza\u00e7\u00e3o acusava a outra de haver errado na condu\u00e7\u00e3o da luta, de haver feito reivindica\u00e7\u00f5es irreais, de haver recuado quando ainda n\u00e3o era a hora, de haver tra\u00eddo, etc.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<b>       &#8211; O que voc\u00ea identifica como os principais problemas encontrados durante o epis\u00f3dio e quais frutos ele gerou? Foi v\u00e1lido, num todo?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\nO principal problema do movimento \u00e9 a despolitiza\u00e7\u00e3o geral e a falta de participa\u00e7\u00e3o do conjunto dos estudantes. Nem todos os cursos da USP aderiram \u00e0 greve e nem todos apoiavam a ocupa\u00e7\u00e3o. O setor engajado no movimento foi sempre minorit\u00e1rio. A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores \u00e9 que essa minoria constitu\u00eda uma massa suficientemente grande para dar vida ao movimento. Faltou, por\u00e9m, capacidade de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das lideran\u00e7as estudantis entre si e de maior integra\u00e7\u00e3o com o conjunto dos estudantes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       Apesar de todas essas debilidades, o movimento teve for\u00e7a suficiente para fazer o governador recuar. Os decretos foram \u201creinterpretados\u201d e acabaram n\u00e3o sendo plenamente implantados. Nesse sentido, o movimento obteve uma vit\u00f3ria extraordin\u00e1ria. A pauta de reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi atendida no seu conjunto e ficaram v\u00e1rias quest\u00f5es pendentes, mas no geral os estudantes sa\u00edram fortalecidos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt;\"><span style=\"font-family:Arial;\">O saldo mais importante do movimento foi o exemplo organizativo legado aos estudantes de outras universidades.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt;\"><span style=\"font-family:Arial;\">A \u201cmoda\u201d da ocupa\u00e7\u00e3o de reitorias se espalhou pelas universidades do pa\u00eds naquele per\u00edodo e desencadeou uma s\u00e9rie de processos de luta direta como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via. Esse processo teve reflexos tardios que se  <!-- D([\"mb\",\"prolongaram at\u00e9 recentemente, com epis\u00f3dios semelhantes na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 (entre setembro e outubro) e na\\u003cbr \/\\&amp;gt;PUC (agora em novembro). O movimento estudantil saiu nacionalmente fortalecido e rompeu a estagna\u00e7\u00e3o em que a\\u003cbr \/\\&amp;gt;UNE o havia deixado. Nesse sentido, o saldo foi extremamente positivo.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;- Como voc\u00ea analisa a cobertura da m\u00eddia sobre o processo? Ela foi isenta?\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A m\u00eddia exercitou uma apar\u00eancia de imparcialidade, pois chegou a mostrar a justeza de algumas das\\u003cbr \/\\&amp;gt;reivindica\u00e7\u00f5es dos estudantes e criticar a amea\u00e7a de Serra de usar a tropa de choque no campus, coisa que\\u003cbr \/\\&amp;gt;aconteceu pela \u00faltima vez na \u00e9poca da ditadura militar (1968). Essa tentativa de parecer imparcial se justifica\\u003cbr \/\\&amp;gt;tamb\u00e9m pelo fato de que a maioria dos estudantes da USP (e especificamente os que permaneciam na ocupa\u00e7\u00e3o) ser\\u003cbr \/\\&amp;gt;de extra\u00e7\u00e3o social pequeno-burguesa e burguesa, camadas que constituem tamb\u00e9m o p\u00fablico consumidor dos grandes\\u003cbr \/\\&amp;gt;jornais e revistas (os trabalhadores que freq\u00fcentam a USP, no geral uma minoria e geralmente em cursos\\u003cbr \/\\&amp;gt;noturnos, por mais que desejassem apoiar e participar do movimento, evidentemente n\u00e3o podiam ficar acampados na\\u003cbr \/\\&amp;gt;reitoria, nem infelizmente participar de assembl\u00e9ias prolixas que se arrastavam meia-noite adentro).\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Em fun\u00e7\u00e3o dessa extra\u00e7\u00e3o social, os estudantes n\u00e3o podiam ser atacados diretamente. Tinham que ser desgastados\\u003cbr \/\\&amp;gt;indiretamente. Foram expostos como \u201crebeldes sem causa\u201d, nost\u00e1lgicos de uma \u00e9poca que n\u00e3o viveram,\\u003cbr \/\\&amp;gt;\u201crevolucion\u00e1rios de araque\u201d, p\u00e1lidos reflexos de 1968, etc. As debilidades, incoer\u00eancias, inexperi\u00eancia, das\\u003cbr \/\\&amp;gt;organiza\u00e7\u00f5es de esquerda foram fartamente ridicularizadas pelos articulistas de direita.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O que a m\u00eddia jamais aceitou por\u00e9m foi o m\u00e9todo de luta. A via da luta direta (ocupa\u00e7\u00e3o) era tratada como\\u003cbr \/\\&amp;gt;atividade criminosa, na mesma linha com a qual se condenam as a\u00e7\u00f5es dos sem-terra ou sem-teto. O respeito \u00e0\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> prolongaram at\u00e9 recentemente, com epis\u00f3dios semelhantes na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 (entre setembro e outubro) e na PUC (agora em novembro). O movimento estudantil saiu nacionalmente fortalecido e rompeu a estagna\u00e7\u00e3o em que a UNE o havia deixado. Nesse sentido, o saldo foi extremamente positivo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<b><span style=\"color:black;\">       &#8211; Como voc\u00ea analisa a cobertura da m\u00eddia sobre o processo? Ela foi isenta?<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\nA m\u00eddia exercitou uma apar\u00eancia de imparcialidade, pois chegou a mostrar a justeza de algumas das reivindica\u00e7\u00f5es dos estudantes e criticar a amea\u00e7a de Serra de usar a tropa de choque no campus, coisa que aconteceu pela \u00faltima vez na \u00e9poca da ditadura militar (1968). Essa tentativa de parecer imparcial se justifica tamb\u00e9m pelo fato de que a maioria dos estudantes da USP (e especificamente os que permaneciam na ocupa\u00e7\u00e3o) ser de extra\u00e7\u00e3o social pequeno-burguesa e burguesa, camadas que constituem tamb\u00e9m o p\u00fablico consumidor dos grandes jornais e revistas (os trabalhadores que freq\u00fcentam a USP, no geral uma minoria e geralmente em cursos noturnos, por mais que desejassem apoiar e participar do movimento, evidentemente n\u00e3o podiam ficar acampados na reitoria, nem infelizmente participar de assembl\u00e9ias prolixas que se arrastavam meia-noite adentro).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       Em fun\u00e7\u00e3o dessa extra\u00e7\u00e3o social, os estudantes n\u00e3o podiam ser atacados diretamente. Tinham que ser desgastados indiretamente. Foram expostos como \u201crebeldes sem causa\u201d, nost\u00e1lgicos de uma \u00e9poca que n\u00e3o viveram, \u201crevolucion\u00e1rios de araque\u201d, p\u00e1lidos reflexos de 1968, etc. As debilidades, incoer\u00eancias, inexperi\u00eancia, das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda foram fartamente ridicularizadas pelos articulistas de direita.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       O que a m\u00eddia jamais aceitou, por\u00e9m, foi o m\u00e9todo de luta. A via da luta direta (ocupa\u00e7\u00e3o) era tratada como atividade criminosa, na mesma linha com a qual se condenam as a\u00e7\u00f5es dos sem-terra ou sem-teto. O respeito \u00e0  <!-- D([\"mb\",\"propriedade \u00e9 o valor fundamental que pauta a m\u00eddia. Toda a\u00e7\u00e3o com conte\u00fado de transgress\u00e3o, invas\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o,\\u003cbr \/\\&amp;gt;expropria\u00e7\u00e3o, precisa ser devidamente demonizada, descaracterizada e combatida. Mesmo que esse m\u00e9todo tenha\\u003cbr \/\\&amp;gt;sido o \u00fanico que restou.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;- Voc\u00ea considera que o movimento estudantil no Brasil ainda \u00e9 forte e atuante? Se sim, quais as principais\\u003cbr \/\\&amp;gt;frentes de luta hoje em dia? E, se n\u00e3o, o que ele perdeu ao longo do tempo e quais seriam alguns dos caminhos\\u003cbr \/\\&amp;gt;para se reestruturar?\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O movimento estudantil foi fort\u00edssimo nos anos 1960 (at\u00e9 ser reprimido pela ditadura) e 1980 (colaborando para\\u003cbr \/\\&amp;gt;o fim da ditadura) e atualmente vive uma fase embrion\u00e1ria de retomada, cujo principal marco foram os\\u003cbr \/\\&amp;gt;acontecimentos da USP em 2007. A ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria durou 51 dias e acabou se constituindo no principal foco\\u003cbr \/\\&amp;gt;de aten\u00e7\u00e3o; mas no geral o movimento era muito mais amplo e mais rico do que o fato de que um grupo de\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantes permaneceu acampado na reitoria. Esse movimento se constituiu de assembl\u00e9ias massivas, de piquetes\\u003cbr \/\\&amp;gt;di\u00e1rios para garantir a greve e a paralisa\u00e7\u00e3o das aulas, de atividades de greve, como palestras, debates,\\u003cbr \/\\&amp;gt;apresenta\u00e7\u00f5es culturais; e de atividades exteriores \u00e0 universidade, como as passeatas. Tudo isso consumiu o\\u003cbr \/\\&amp;gt;esfor\u00e7o de uma ampla camada de ativistas, cada um com maior ou menor grau de engajamento.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Esses ativistas, muitos dos quais rec\u00e9m-despertaram para a luta pol\u00edtica, est\u00e3o defrontados com a dur\u00edssima\\u003cbr \/\\&amp;gt;tarefa de enfrentar os ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, que prosseguem. Depois do PROUNI, \u00e9 a vez do REUNI, que\\u003cbr \/\\&amp;gt;generaliza para o conjunto das universidades federais uma s\u00e9rie de medidas de arrocho financeiro e perda de\\u003cbr \/\\&amp;gt;autonomia semelhantes \u00e0quelas que desabaram sobre a USP. Para fazer frente a esse processo de sucateamento o\\u003cbr \/\\&amp;gt;movimento carece de uma urgente reestrutura\u00e7\u00e3o, que passa pela supera\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es tradicionais (como a UNE,\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> propriedade \u00e9 o valor fundamental que pauta a m\u00eddia. Toda a\u00e7\u00e3o com conte\u00fado de transgress\u00e3o, invas\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o, expropria\u00e7\u00e3o, precisa ser devidamente demonizada, descaracterizada e combatida. Mesmo que esse m\u00e9todo tenha sido o \u00fanico que restou.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<b>&#8211; Voc\u00ea considera que o movimento estudantil no Brasil ainda \u00e9 forte e atuante? Se sim, quais as principais frentes de luta hoje em dia? E, se n\u00e3o, o que ele perdeu ao longo do tempo e quais seriam alguns dos caminhos para se reestruturar?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><b><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<\/span><\/b><span style=\"font-family:Arial;\">       O movimento estudantil foi fort\u00edssimo nos anos 1960 (at\u00e9 ser reprimido pela ditadura) e 1980 (colaborando para o fim da ditadura) e atualmente vive uma fase embrion\u00e1ria de retomada, cujo principal marco foram os acontecimentos da USP em 2007. A ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria durou 51 dias e acabou se constituindo no principal foco de aten\u00e7\u00e3o; mas no geral o movimento era muito  mais amplo e mais rico do que o fato de que um grupo de estudantes permaneceu acampado na reitoria. Esse movimento se constituiu de assembl\u00e9ias massivas, de piquetes di\u00e1rios para garantir a greve e a paralisa\u00e7\u00e3o das aulas, de atividades de greve, como palestras, debates, apresenta\u00e7\u00f5es culturais; e de atividades exteriores \u00e0 universidade, como as passeatas. Tudo isso consumiu o esfor\u00e7o de uma ampla camada de ativistas, cada um com maior ou menor grau de engajamento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       Esses ativistas, muitos dos quais rec\u00e9m-despertaram para a luta pol\u00edtica, est\u00e3o defrontados com a dur\u00edssima tarefa de enfrentar os ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, que prosseguem. Depois do PROUNI, \u00e9 a vez do REUNI, que generaliza para o conjunto das universidades federais uma s\u00e9rie de medidas de arrocho financeiro e perda de autonomia semelhantes \u00e0quelas que desabaram sobre a USP. Para fazer frente a esse processo de sucateamento o movimento carece de uma urgente reestrutura\u00e7\u00e3o, que passa pela supera\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es tradicionais (como a UNE,  <!-- D([\"mb\",\"que repete no plano nacional a postura fat\u00eddica do malfadado DCE da USP).\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A supera\u00e7\u00e3o dessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa para a qual ser\u00e1 decisiva a atua\u00e7\u00e3o da vanguarda organizada. No\\u003cbr \/\\&amp;gt;interior da camada mais ampla de ativistas localizam-se os militantes das correntes pol\u00edticas, que s\u00e3o\\u003cbr \/\\&amp;gt;geralmente os dirigentes dos CAs de cada curso. Caberia a esse n\u00facleo militante a tarefa de integrar o conjunto\\u003cbr \/\\&amp;gt;dos estudantes ao movimento. Essa tarefa deveria ser uma pr\u00e1tica cotidiana dos militantes e das entidades\\u003cbr \/\\&amp;gt;estudantis, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 realizada h\u00e1 muito tempo. Desse modo, as entidades e as correntes pol\u00edticas que nelas\\u003cbr \/\\&amp;gt;atuam acabam aparecendo apenas na \u00e9poca das greves (nas universidades p\u00fablicas a greve praticamente faz parte\\u003cbr \/\\&amp;gt;do curr\u00edculo) e das elei\u00e7\u00f5es dos dirigentes.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A quase inoper\u00e2ncia pr\u00e1tica das entidades estudantis \u00e9 um reflexo das debilidades acumuladas das organiza\u00e7\u00f5es\\u003cbr \/\\&amp;gt;da esquerda. De modo geral, as organiza\u00e7\u00f5es se perdem em discuss\u00f5es bizantinas nos convent\u00edculos\\u003cbr \/\\&amp;gt;\u201crevolucion\u00e1rios\u201d e n\u00e3o desenvolvem trabalho de base, n\u00e3o dialogam com a massa dos estudantes na sala de aula,\\u003cbr \/\\&amp;gt;expressam-se numa linguagem \u00e0 parte, desconhecem as quest\u00f5es cotidianas dos cursos. As media\u00e7\u00f5es pelas quais as\\u003cbr \/\\&amp;gt;quest\u00f5es imediatas poderiam ser relacionadas \u00e0s quest\u00f5es gerais das universidades e da sociedade s\u00e3o ignoradas\\u003cbr \/\\&amp;gt;e com isso se perde a possibilidade de mobilizar um n\u00famero maior de estudantes. As entidades estudantis\\u003cbr \/\\&amp;gt;aparecem j\u00e1 com uma pauta pronta, que parece estranha \u00e0 massa dos estudantes, que por n\u00e3o se setirem\\u003cbr \/\\&amp;gt;representados por aquele discurso, afastam-se do movimento.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;De modo geral, \u00e9 saud\u00e1vel que existam diversas posi\u00e7\u00f5es diferentes contribuindo na constru\u00e7\u00e3o do movimento. O\\u003cbr \/\\&amp;gt;problema \u00e9 que boa parte das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda est\u00e1 mais preocupada em impor sua pr\u00f3pria linha pol\u00edtica\\u003cbr \/\\&amp;gt;do que em fortalecer o movimento no seu conjunto. As propostas das diferentes organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas e\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> que repete no plano nacional a postura fat\u00eddica do malfadado DCE da USP).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       A supera\u00e7\u00e3o dessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa para a qual ser\u00e1 decisiva a atua\u00e7\u00e3o da vanguarda organizada. No interior da camada mais ampla de ativistas localizam-se os militantes das correntes pol\u00edticas, que s\u00e3o geralmente os dirigentes dos CAs de cada curso. Caberia a esse n\u00facleo militante a tarefa de integrar o conjunto dos estudantes ao movimento. Essa tarefa deveria ser uma pr\u00e1tica cotidiana dos militantes e das entidades estudantis, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 realizada h\u00e1 muito tempo. Desse modo, as entidades e as correntes pol\u00edticas que nelas atuam acabam aparecendo apenas na \u00e9poca das greves (nas universidades p\u00fablicas a greve praticamente faz parte do curr\u00edculo) e das elei\u00e7\u00f5es dos dirigentes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       A quase inoper\u00e2ncia pr\u00e1tica das entidades estudantis \u00e9 um reflexo das debilidades acumuladas das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda. De modo geral, as organiza\u00e7\u00f5es se perdem em discuss\u00f5es bizantinas nos convent\u00edculos \u201crevolucion\u00e1rios\u201d e n\u00e3o desenvolvem trabalho de base, n\u00e3o dialogam com a massa dos estudantes na sala de aula, expressam-se numa linguagem \u00e0 parte, desconhecem as quest\u00f5es cotidianas dos cursos. As media\u00e7\u00f5es pelas quais as quest\u00f5es imediatas poderiam ser relacionadas \u00e0s quest\u00f5es gerais das universidades e da sociedade s\u00e3o ignoradas e com isso se perde a possibilidade de mobilizar um n\u00famero maior de estudantes. As entidades estudantis aparecem j\u00e1 com uma pauta pronta, que parece estranha \u00e0 massa dos estudantes, que por n\u00e3o se sentirem representados por aquele discurso, afastam-se do movimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       De modo geral, \u00e9 saud\u00e1vel que existam diversas posi\u00e7\u00f5es diferentes contribuindo na constru\u00e7\u00e3o do movimento. O problema \u00e9 que boa parte das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda est\u00e1 mais preocupada em impor sua pr\u00f3pria linha pol\u00edtica do que em fortalecer o movimento no seu conjunto. As propostas das diferentes organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas e  <!-- D([\"mb\",\"defendidas pelos respectivos militantes como se sua aprova\u00e7\u00e3o fosse quest\u00e3o de vida ou morte, mesmo quando tais\\u003cbr \/\\&amp;gt;propostas nem sequer tenham manifestam diferen\u00e7as substanciais, como acontece muitas vezes. O que importa para\\u003cbr \/\\&amp;gt;cada organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 aparecer mais que a outra e fazer uso do microfone mais vezes nas assembl\u00e9ias. Consolidou-se\\u003cbr \/\\&amp;gt;assim no senso comum da maioria dos estudantes uma certa consci\u00eancia \u201canti-partido\u201d, hostis \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es\\u003cbr \/\\&amp;gt;pol\u00edticas, materializada no segmento dos estudantes \u201cindependentes\u201d. De acordo com essa forma de consci\u00eancia,\\u003cbr \/\\&amp;gt;toda e qualquer organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou partido somente se forma em fun\u00e7\u00e3o de interesses escusos e como tal\\u003cbr \/\\&amp;gt;precisa ser combatida.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A reestrutura\u00e7\u00e3o do movimento estudantil exigir\u00e1 portanto uma revolu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica na atua\u00e7\u00e3o dos militantes\\u003cbr \/\\&amp;gt;e dirigentes das entidades, de modo a readquirir a confian\u00e7a das bases, superar o pensamento anti-partido e\\u003cbr \/\\&amp;gt;incorporar a massa mais ampla dos estudantes ao movimento.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;- Numa abertura mais ampla, enxerga a sociedade brasileira c\u00f4nscia de seus problemas, empenhada no debate\\u003cbr \/\\&amp;gt;pol\u00edtico e preparada para efetuar uma mudan\u00e7a no processo hist\u00f3rico? O que se anuncia no horizonte e, neste\\u003cbr \/\\&amp;gt;momento \u00edmpar da hist\u00f3ria nacional - onde as for\u00e7as pol\u00edticas se aglutinam praticamente numa \u00fanica via - como a\\u003cbr \/\\&amp;gt;luta de classes atua e qual o nosso papel nisto tudo?\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Numa vis\u00e3o mais ampla a sociedade est\u00e1 num compasso de espera, mas com sombras de inquieta\u00e7\u00e3o. Cada classe e\\u003cbr \/\\&amp;gt;setor de classe v\u00ea as coisas de uma maneira e reage de modo particular. A burguesia segue faturando alto no\\u003cbr \/\\&amp;gt;governo Lula, especialmente os segmentos dos banqueiros e do agroneg\u00f3cio. Entretanto, os partidos tradicionais\\u003cbr \/\\&amp;gt;da direita procedem uma tentativa de \u201cdespetiza\u00e7\u00e3o\u201d do Estado, tentando arrancar os neopelegos do PT das\\u003cbr \/\\&amp;gt;sinecuras onde foram alojados por Lula, atrav\u00e9s dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o sistematicamente jogados ao\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> defendidas pelos respectivos militantes como se sua aprova\u00e7\u00e3o fosse quest\u00e3o de vida ou morte, mesmo quando tais propostas nem sequer manifestam diferen\u00e7as substanciais, como acontece muitas vezes. O que importa para cada organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 aparecer mais que a outra e fazer uso do microfone mais vezes nas assembl\u00e9ias. Consolidou-se assim no senso comum da maioria dos estudantes uma certa consci\u00eancia \u201canti-partido\u201d, hostis \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, materializada no segmento dos estudantes \u201cindependentes\u201d. De acordo com essa forma de consci\u00eancia, toda e qualquer organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou partido somente se forma em fun\u00e7\u00e3o de interesses escusos e como tal precisa ser combatida.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       A reestrutura\u00e7\u00e3o do movimento estudantil exigir\u00e1 portanto uma revolu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica na atua\u00e7\u00e3o dos militantes e dirigentes das entidades, de modo a readquirir a confian\u00e7a das bases, superar o pensamento anti-partido e incorporar a massa mais ampla dos estudantes ao movimento.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<b>&#8211; Numa abertura mais ampla, enxerga a sociedade brasileira c\u00f4nscia de seus problemas, empenhada no debate pol\u00edtico e preparada para efetuar uma mudan\u00e7a no processo hist\u00f3rico? O que se anuncia no horizonte e, neste momento \u00edmpar da hist\u00f3ria nacional &#8211; onde as for\u00e7as pol\u00edticas se aglutinam praticamente numa \u00fanica via &#8211; como a luta de classes atua e qual o nosso papel nisto tudo?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><\/span><\/p>\n<p>Numa vis\u00e3o mais ampla a sociedade est\u00e1 num compasso de espera, mas com sombras de inquieta\u00e7\u00e3o. Cada classe e setor de classe v\u00ea as coisas de uma maneira e reage de modo particular. A burguesia segue faturando alto no governo Lula, especialmente os segmentos dos banqueiros e do agroneg\u00f3cio. Entretanto, os partidos tradicionais da direita procedem uma tentativa de \u201cdespetiza\u00e7\u00e3o\u201d do Estado, tentando arrancar os neopelegos do PT das sinecuras onde foram alojados por Lula, atrav\u00e9s dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o sistematicamente jogados ao  <!-- D([\"mb\",\"ventilador. Enquanto isso, no dia a dia das lutas sociais, a repress\u00e3o se abate sobre os ativistas da classe\\u003cbr \/\\&amp;gt;trabalhadora, com mortes, criminaliza\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00e3o, demiss\u00f5es. Os diversos segmentos da classe\\u003cbr \/\\&amp;gt;trabalhadora mostram-se ainda incapazes de uma a\u00e7\u00e3o coordenada contra essa ofensiva da burguesia.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Parte dos setores organizados da classe trabalhadora, como servidores p\u00fablicos, professores, metal\u00fargicos,\\u003cbr \/\\&amp;gt;banc\u00e1rios, que (junto com a pequena-burguesia e a intelectualidade) constitu\u00edam a sustenta\u00e7\u00e3o eleitoral e\\u003cbr \/\\&amp;gt;pol\u00edtica do PT, desmobilizaram-se ao longo do governo Lula, seja por decep\u00e7\u00e3o com os rumos que foram tomados e\\u003cbr \/\\&amp;gt;desencanto com a luta; seja por ades\u00e3o ao &nbsp;projeto de administra\u00e7\u00e3o \u201cem fogo brando\u201d do capitalismo perif\u00e9rico\\u003cbr \/\\&amp;gt;brasileiro e suas mis\u00e9rias. Um dos m\u00e9todos de administra\u00e7\u00e3o consiste justamente na coopta\u00e7\u00e3o dos setores\\u003cbr \/\\&amp;gt;desorganizados da classe, os pobres da cidade e do campo, que via bolsa-esmola, tornam-se materialmente\\u003cbr \/\\&amp;gt;dependentes e ideologicamente anestesiados pelo assistencialismo, portanto incapazes de reagir e lutar contra a\\u003cbr \/\\&amp;gt;mis\u00e9ria em que estacionaram.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Por outro lado, parte dos setores organizados partiu para a luta. E na luta, defrontaram-se exatamente com o\\u003cbr \/\\&amp;gt;PT como seu maior obst\u00e1culo. As entidades \u201coficiais\u201d do movimento sindical e popular (CUT, UNE, MST, pastorais\\u003cbr \/\\&amp;gt;sociais da Igreja) s\u00e3o dirigidas por integrantes do PT e est\u00e3o mais preocupadas em defender o governo Lula do\\u003cbr \/\\&amp;gt;que em encaminhar de fato lutas de interesse da classe trabalhadora (pois essas lutas necessariamente teriam\\u003cbr \/\\&amp;gt;que se chocar contra Lula). Nesse caso, as lutas (das quais o movimento dos estudantes da USP \u00e9 um reflexo)\\u003cbr \/\\&amp;gt;tiveram que ser encaminhadas por entidades paralelas, improvisadas, \u201cclandestinas\u201d ou ainda embrion\u00e1rias, como\\u003cbr \/\\&amp;gt;a Conlutas (Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Lutas).\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Essa reorganiza\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria da classe trabalhadora \u00e9 ainda incipiente diante da imensa tarefa de enfrentar\\u003cbr \/\\&amp;gt;\",1] );  \/\/--> ventilador. Enquanto isso, no dia a dia das lutas sociais, a repress\u00e3o se abate sobre os ativistas da classe trabalhadora, com mortes, criminaliza\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00e3o, demiss\u00f5es. Os diversos segmentos da classe trabalhadora mostram-se ainda incapazes de uma a\u00e7\u00e3o coordenada contra essa ofensiva da burguesia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Parte dos setores organizados da classe trabalhadora, como servidores p\u00fablicos, professores, metal\u00fargicos, banc\u00e1rios, que (junto com a pequena-burguesia e a intelectualidade) constitu\u00edam a sustenta\u00e7\u00e3o eleitoral e pol\u00edtica do PT, desmobilizaram-se ao longo do governo Lula, seja por decep\u00e7\u00e3o com os rumos que foram tomados e desencanto com a luta; seja por ades\u00e3o ao projeto de administra\u00e7\u00e3o \u201cem fogo brando\u201d do capitalismo perif\u00e9rico brasileiro e suas mis\u00e9rias. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt;\"><span style=\"font-family:Arial;\">Um dos m\u00e9todos de administra\u00e7\u00e3o consiste justamente na coopta\u00e7\u00e3o dos setores desorganizados da classe, os pobres da cidade e do campo, que via bolsa-esmola, tornam-se materialmente dependentes e ideologicamente anestesiados pelo assistencialismo, portanto incapazes de reagir e lutar contra a mis\u00e9ria em que estacionaram.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\">       Por outro lado, parte dos setores organizados partiu para a luta. E na luta, defrontaram-se exatamente com o PT como seu maior obst\u00e1culo. As entidades \u201coficiais\u201d do movimento sindical e popular (CUT, UNE, MST, pastorais sociais da Igreja) s\u00e3o dirigidas por integrantes do PT e est\u00e3o mais preocupadas em defender o governo Lula do que em encaminhar de fato lutas de interesse da classe trabalhadora (pois essas lutas necessariamente teriam que se chocar contra Lula). Nesse caso, as lutas (das quais o movimento dos estudantes da USP \u00e9 um reflexo) tiveram que ser encaminhadas por entidades paralelas, improvisadas, \u201cclandestinas\u201d ou ainda embrion\u00e1rias, como a Conlutas (Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Lutas).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Arial;\"><br \/>\n<span>        <\/span>Essa reorganiza\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria da classe trabalhadora \u00e9 ainda incipiente diante da imensa tarefa de enfrentar  <!-- D([\"mb\",\"aquele projeto de gest\u00e3o do capitalismo perif\u00e9rico, sustentado por um amplo e coeso bloco de for\u00e7as sociais\\u003cbr \/\\&amp;gt;(bloco que al\u00e9m da burguesia, seus partidos, seus gerentes de plant\u00e3o no governo Lula e no PT, conta com o\\u003cbr \/\\&amp;gt;apoio maci\u00e7o da grande m\u00eddia). Entretanto dada a pr\u00f3pria natureza desse capitalismo perif\u00e9rico, a sua gest\u00e3o\\u003cbr \/\\&amp;gt;tende a se tornar extremamente problem\u00e1tica, t\u00e3o logo se esgote o atual ciclo peri\u00f3dico de expans\u00e3o da economia\\u003cbr \/\\&amp;gt;capitalista mundial (ciclo cujo in\u00edcio coincide com o do pr\u00f3prio governo Lula) e tenha in\u00edcio o pr\u00f3ximo ciclo\\u003cbr \/\\&amp;gt;de recess\u00e3o. Nesse momento, os ataques da burguesia e do governo deixar\u00e3o de ser levados \u201cem fogo brando\u201d e\\u003cbr \/\\&amp;gt;ser\u00e3o desencadeados celeremente com toda sua virul\u00eancia.\\u003cbr \/\\&amp;gt; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A tarefa que se coloca para enfrentar esses ataques \u00e9 fortalecer as novas inst\u00e2ncias &nbsp;paralelas, improvisadas\\u003cbr \/\\&amp;gt;e embrion\u00e1rias de articula\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, agregar a elas os setores ainda dispersos e confusos da\\u003cbr \/\\&amp;gt;classe, furar o bloqueio da m\u00eddia, do senso comum, das dire\u00e7\u00f5es neopelegas e difundir o mais amplamente\\u003cbr \/\\&amp;gt;poss\u00edvel a consci\u00eancia da necessidade de se organizar e lutar.\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003cbr \/\\&amp;gt;\\u003c\/div\\&amp;gt;\",0] ); D([\"ce\"]);  \/\/--> aquele projeto de gest\u00e3o do capitalismo perif\u00e9rico, sustentado por um amplo e coeso bloco de for\u00e7as sociais (bloco que al\u00e9m da burguesia, seus partidos, seus gerentes de plant\u00e3o no governo Lula e no PT, conta com o apoio maci\u00e7o da grande m\u00eddia). Entretanto dada a pr\u00f3pria natureza desse capitalismo perif\u00e9rico, a sua gest\u00e3o tende a se tornar extremamente problem\u00e1tica, t\u00e3o logo se esgote o atual ciclo peri\u00f3dico de expans\u00e3o da economia capitalista mundial (ciclo cujo in\u00edcio coincide com o do pr\u00f3prio governo Lula) e tenha in\u00edcio o pr\u00f3ximo ciclo de recess\u00e3o. Nesse momento, os ataques da burguesia e do governo deixar\u00e3o de ser levados \u201cem fogo brando\u201d e ser\u00e3o desencadeados celeremente com toda sua virul\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:12pt;font-family:Arial;\">       A tarefa que se coloca para enfrentar esses ataques \u00e9 fortalecer as novas inst\u00e2ncias paralelas, improvisadas e embrion\u00e1rias de articula\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, agregar a elas os setores ainda dispersos e confusos da classe, furar o bloqueio da m\u00eddia, do senso comum, das dire\u00e7\u00f5es neopelegas e difundir o mais amplamente poss\u00edvel a consci\u00eancia da necessidade de se organizar e lutar. <\/span><span style=\"font-size:12pt;font-family:Arial;\"><span>       <\/span><br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em maio de 2007 estudantes paulistas da maior universidade do pa\u00eds decidiram fazer uma greve, que acabou se espalhando para outros setores da USP e tamb\u00e9m para v\u00e1rios estados do Brasil, contra uma medida do governador de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Serra, que previa a cria\u00e7\u00e3o de uma secretaria superior que se tornaria a decis\u00e3o final [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[304,189],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15"}],"collection":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}