﻿{"id":1512,"date":"2013-08-05T17:10:40","date_gmt":"2013-08-05T19:10:40","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1512"},"modified":"2013-08-06T13:47:16","modified_gmt":"2013-08-06T15:47:16","slug":"ninjas-sob-ataque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1512","title":{"rendered":"Ninjas sob ataque"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1513\" style=\"width: 645px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/1002585_579521182089889_1039427590_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1513\" class=\"size-full wp-image-1513\" alt=\"Parece o Hateen, mas \u00e9 parte da equipe da M\u00eddia Ninja\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/1002585_579521182089889_1039427590_n.jpg\" width=\"635\" height=\"423\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/1002585_579521182089889_1039427590_n.jpg 635w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/1002585_579521182089889_1039427590_n-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 635px) 100vw, 635px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1513\" class=\"wp-caption-text\">Parece o Hateen, mas \u00e9 parte da equipe da M\u00eddia Ninja<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante as manifesta\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos meses no Brasil um certo &#8220;movimento&#8221; emergiu e chamou aten\u00e7\u00e3o pela cobertura &#8220;intensa&#8221; que conseguiu fazer, transmitindo &#8220;direto do front&#8221;, pela web, o que acontecia nas ruas do pa\u00eds. A M\u00eddia Ninja logo foi abra\u00e7ada por boa parte da comunidade jornal\u00edstica e do p\u00fablico &#8220;alternativo&#8221; e &#8220;independente&#8221;, ao mesmo tempo em que pouco se sabia de fato sobre ela, exceto que transmitia pelo canal &#8211;<strong> <a href=\"http:\/\/canalpostv.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">a P\u00f3s TV<\/a> &#8211; do <a href=\"http:\/\/foradoeixo.org.br\/\" target=\"_blank\">Fora do Eixo<\/a>,<\/strong> &#8220;coletivo&#8221; que alcan\u00e7ou grande destaque na cena cultural nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o frisson, veio a ressaca. E t\u00e1 todo mundo querendo entender exatamente do que se trata essa tal &#8220;ninja&#8221;. Especialistas em redes sociais e contando com ela como seu principal canal de veicula\u00e7\u00e3o de transmiss\u00f5es em tempo real, fotos, relatos, den\u00fancias, intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, etc, a NINJA tem hoje <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/midiaNINJA\" target=\"_blank\">mais de 150 mil f\u00e3s no Facebook.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atraindo a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia &#8220;tradicional&#8221; no Brasil e no mundo, a NINJA tornou-se pauta. S\u00f3 o Observat\u00f3rio da Imprensa j\u00e1 produziu alguns textos sobre o &#8220;fen\u00f4meno&#8221;. <strong>De modo geral, recomendo alguns aqui:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/news\/view\/o_jornalismo_em_tempo_real_da_midia_ninja\" target=\"_blank\">O jornalismo em tempo real da M\u00eddia Ninja &#8211; Lilia Diniz<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/news\/view\/_ed756_a_militancia_e_as_responsabilidades_do_jornalismo\" target=\"_blank\">A milit\u00e2ncia e as responsabilidades do jornalismo &#8211; Silvia Moretzsohn<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/bbc\/2013\/08\/1321775-sob-holofotes-midia-ninja-pede-dinheiro-do-publico-para-ampliar-alcance.shtml\" target=\"_blank\">Sob holofotes, M\u00eddia Ninja pede dinheiro do p\u00fablico para ampliar alcance<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/blogs\/andre-forastieri\/2013\/07\/31\/uma-entrevista-com-bruno-torturra-da-midia-ninja\/\" target=\"_blank\">Uma entrevista com Bruno Torturra &#8211; Andr\u00e9 Forastieri<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada vive de brisa. E \u00e9 interessante as formas de financiamento que eles pensam em implementar: crowdfunding e assinatura mensal a pre\u00e7os m\u00f3dicos, nesse caso em que h\u00e1 grande identifica\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com os respons\u00e1veis pelo conte\u00fado, tem grande chance de dar certo. J\u00e1 que os dois conceitos se misturam e guardam ideais semelhantes de &#8220;independ\u00eancia&#8221; e &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, em contraponto \u00e0 velha m\u00eddia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 se discutiu exaustivamente &#8211; e bote exaustivamente nisso &#8211; no meio independente brasileiro (coloca a\u00ed no balaio todo mundo envolvido com isso e os jornalistas em geral) sobre os problemas do &#8220;financiamento p\u00fablico&#8221; que o Fora do Eixo recebe e a suposta &#8220;depend\u00eancia&#8221; do FDE em rela\u00e7\u00e3o a editais e leis de incentivo federais, estaduais e municipais. Perdi a conta de quantos textos li sobre o assunto e quantas vezes (e em quantos f\u00f3runs) isso foi discutido amplamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes o FDE \u00e9 atacado de maneira gratuita e exagerada. Mas isso se deve especialmente ao seu<em> modus operandi<\/em> que propriamente pela fonte dos recursos em si. Se o montante de recursos p\u00fablicos injetados no FDE correspondem a menos de 10% do caixa do coletivo, como eles afirmam, h\u00e1 que se questionar o qu\u00e3o essas trocentas outras atividades realizadas s\u00e3o capazes de fechar os outros 90%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que come\u00e7ou focado em festivais de m\u00fasica, maiores ou menores, acabou se tornando uma verdadeira m\u00e1quina de articula\u00e7\u00e3o que incluem a Casa Fora do Eixo em SP e BH, a Universidade Livre e um sem n\u00famero de ideias, projetos e eventos realizados. <strong>Me preocupa menos o financiamento do FDE e mais o fato de que a sua presta\u00e7\u00e3o de contas nunca foi exatamente clara, transparente e precisa.<\/strong> O coletivo se aproveita, claro, dos fr\u00e1geis mecanismos de controle que a gest\u00e3o p\u00fablica brasileira pratica, seja em leis de incentivo, seja no repasse da Uni\u00e3o aos munic\u00edpios e em toda sorte de pol\u00edtica, investimento e destina\u00e7\u00e3o de recursos, como os para a educa\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me preocupa menos a fonte da grana do FDE e mais a sua postura de atacar ferozmente e muitas vezes de maneira articulada quem simplesmente ousa questionar suas pr\u00e1ticas<\/strong>. O esvaziamento de quem consideram &#8220;inimigo&#8221;, o car\u00e1ter de muitos dos seus integrantes, os in\u00fameros relatos de gente que lidou direta e indiretamente com o FDE nesse tempo todo e a verdadeira balb\u00fardia que s\u00e3o capazes de fazer quando confrontados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me preocupa bastante o discurso pseudo-neo-marxista<\/strong> &#8211; ou qualquer outro termo moderno da esquerda festiva que voc\u00ea quiser colocar aqui &#8211; usado para cooptar muita gente que mal sabe onde est\u00e1 se metendo, a que, como e porqu\u00ea o que ela ouve e faz, levada pelas lideran\u00e7as, t\u00eam alguma conex\u00e3o com todo o resto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A M\u00eddia NINJA, assim como o pr\u00f3prio FDE no seu in\u00edcio, \u00e9 recebida com j\u00fabilo e del\u00edrios revolucion\u00e1rios, \u00e9 abra\u00e7ada como uma &#8220;alternativa poss\u00edvel&#8221;, cria empatia instant\u00e2nea com o p\u00fablico e a maioria dos jornalistas. E, da mesma forma como o FDE, trata com desprezo, arrog\u00e2ncia e ataques quem pensa em critic\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a fase do oba-oba, \u00e9 prov\u00e1vel que as coisas comecem a engrossar para os NINJAS. Como j\u00e1 come\u00e7aram, e foi bem r\u00e1pido. A entrevista desastrosa com o governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a s\u00e9rie de coment\u00e1rios nas redes sociais de gente realizando que &#8220;n\u00e3o \u00e9 bem assim&#8221;, as reflex\u00f5es de quem vive o bagulho no dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bem f\u00e1cil e perigoso cair na velh\u00edssima dicotomia entre &#8220;m\u00eddia tradicional&#8221; e &#8220;alternativa&#8221;, entre &#8220;depend\u00eancia do mercado&#8221; e &#8220;independ\u00eancia financeira&#8221;. Estamos num momento em que j\u00e1 n\u00e3o faz mais sentido embarcar em tais conceitos. Nesse momento de transi\u00e7\u00e3o, em que ningu\u00e9m tem a f\u00f3rmula para a nada &#8211; porque ela simplesmente n\u00e3o existe &#8211; e o que temos s\u00e3o dezenas de caminhos poss\u00edveis (e, claro, cheios de problemas), tentativas, arroubos, questionamentos, esfor\u00e7os de grandes e pequenos grupos, todo mundo pensando para onde ir, como fazer, como financiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 natural que a M\u00eddia Ninja seja recebida com entusiasmo.<\/strong> Centenas &#8211; talvez milhares de colaboradores &#8211; de in\u00fameras forma\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e viv\u00eancias diferentes gerando conte\u00fado multifacetado em todos os sentidos para um mesmo lugar, financiados de maneira igualmente plural. Soa \u00f3timo, n\u00e3o? E \u00e9 natural que receba uma tonelada de cr\u00edticas por estar diretamente vinculada ao seio do FDE &#8211; desde financiamento e estrutura at\u00e9 a pr\u00f3pria resid\u00eancia de boa parte dos colaboradores. Experi\u00eancias de &#8220;jornalismo colaborativo, coletivo, comunit\u00e1rio e p\u00fablico&#8221; surgiram aos montes na \u00faltima d\u00e9cada na web. Poucos realmente vingaram e\/ou deram em algo que deixou alguma marca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 modelo. N\u00e3o h\u00e1 garantias. Na m\u00eddia, na cultura, na ind\u00fastria da informa\u00e7\u00e3o, nos modos de produ\u00e7\u00e3o, nos levantes sociais. N\u00e3o h\u00e1 blindagem. Pagamos o pre\u00e7o por viver exatamente numa \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o, em que tudo se modifica, se quebra e se reconstr\u00f3i a todo momento.\u00a0 A quarta ou a quinta onda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui que as &#8220;refer\u00eancias cl\u00e1ssicas&#8221; d\u00e3o as m\u00e3os com um Marshall Berman, um Alvin Toffler e as trocentas pessoas que produzem efeito direto e indireto no mundo hoje, na teoria e na pr\u00e1tica. No fim, n\u00e3o ter a certeza de qual caminho seguir pode ser a melhor coisa que acontece para essa gera\u00e7\u00e3o. Resta fazer bom proveito das ferramentas e das discuss\u00f5es que temos ao nosso dispor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Update:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Torturra e Pablo Capil\u00e9 no Roda Viva: nada de novo, mas vale assistir<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vYgXth8QI8M\">httpv:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vYgXth8QI8M<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante as manifesta\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos meses no Brasil um certo &#8220;movimento&#8221; emergiu e chamou aten\u00e7\u00e3o pela cobertura &#8220;intensa&#8221; que conseguiu fazer, transmitindo &#8220;direto do front&#8221;, pela web, o que acontecia nas ruas do pa\u00eds. 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