﻿{"id":1954,"date":"2015-10-20T12:28:59","date_gmt":"2015-10-20T14:28:59","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1954"},"modified":"2015-10-20T12:30:06","modified_gmt":"2015-10-20T14:30:06","slug":"escrever-e-meter-as-maos-da-imundicie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=1954","title":{"rendered":"&#8220;Escrever \u00e9 meter as m\u00e3os na imund\u00edcie&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/madame-bovary-mia1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1955\" alt=\"madame-bovary-mia1\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/madame-bovary-mia1.jpg\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/madame-bovary-mia1.jpg 600w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/madame-bovary-mia1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.suplementopernambuco.com.br\/edicao-impressa\/71-ensaio\/1486-contra-os-engenhosos.html\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff0000;\">A brilhante estreia de Jos\u00e9 Castello no Suplemento Pernambuc<\/span><\/a>o<\/strong><\/span>, resumindo muito do que eu acredito na literatura (e muito do que est\u00e1 errado hoje em dia na nossa eterna obsess\u00e3o tecnicista). Um trecho:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vivemos a era da t\u00e9cnica \u2014 vivemos o tempo da per\u00edcia, da habilidade e da atua\u00e7\u00e3o. O tempo do desempenho e da compet\u00eancia. Flaubert, por\u00e9m, desprezava enfaticamente os engenhosos. Defendia a for\u00e7a, e n\u00e3o a engenhosidade. No lugar da destreza, preferia a pot\u00eancia. Entendia que a maior caracter\u00edstica do artista era justamente ser forte, e n\u00e3o ser h\u00e1bil. \u201cLogo, o que eu mais detesto nas artes, o que me crispa, \u00e9 o engenhoso\u201d. N\u00e3o se trata de fazer bem feito. Tampouco de ostentar autoridade, ou compet\u00eancia. Trata-se de outra coisa bem mais dif\u00edcil: da doa\u00e7\u00e3o. Ou o escritor se entrega a sua escrita, ou ele a faz com sangue e com febre, ou nada o salvar\u00e1. Nem a eleg\u00e2ncia, nem a corre\u00e7\u00e3o, nem a habilidade. Nada. Por isso o escritor n\u00e3o deve ser visto como um t\u00e9cnico que desempenha adequadamente seu papel, mas como um homem que, entregue a seus impulsos e \u00e0 sua desordem interior, simplesmente se deixa fazer. Faz at\u00e9 o que desconhece. Faz at\u00e9 o que n\u00e3o sabe que faz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que as palavras deformam e aniquilam aqueles que escrevem. \u201cEstou arrasado de fadigas e de fadiga e de t\u00e9dio\u201d, diz Flaubert no ano de 1853. No per\u00edodo em que se dedica a escrever sua Bovary, ele desabafa: \u201cEsse livro me mata; nunca mais farei nada semelhante\u201d. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com sentimentos e impulsos extremos. N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil encarnar o outro. Exausto, retido sob o peso da pr\u00f3pria escrita, Flaubert reconhece, por\u00e9m, que n\u00e3o lhe resta outro caminho. Que escrever \u00e9 isso: entregar-se, deixar-se aniquilar, submergir. Nada daquela escrita ass\u00e9ptica e \u201cbem editada\u201d que tanto fascina os escritores _ e os editores _ de hoje. Escrever \u00e9 meter as m\u00e3os na imund\u00edcie. \u00c9 sujar-se daquilo que se desconhece, ou nada que preste se far\u00e1.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A brilhante estreia de Jos\u00e9 Castello no Suplemento Pernambuco, resumindo muito do que eu acredito na literatura (e muito do que est\u00e1 errado hoje em dia na nossa eterna obsess\u00e3o tecnicista). Um trecho: &#8220;Vivemos a era da t\u00e9cnica \u2014 vivemos o tempo da per\u00edcia, da habilidade e da atua\u00e7\u00e3o. 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