﻿{"id":351,"date":"2009-02-13T17:17:19","date_gmt":"2009-02-13T20:17:19","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/?p=343"},"modified":"2018-09-27T16:27:37","modified_gmt":"2018-09-27T18:27:37","slug":"tem-que-ler-noam-chomsky-acerca-do-pos-modernismo-teorias-modas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=351","title":{"rendered":"Noam Chomsky &#8211; Acerca do p\u00f3s-modernismo, teorias, modas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment wp-att-344 centered\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/noam-chomsky.jpg\" alt=\"noam-chomsky\" width=\"294\" height=\"423\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noam Chomsky \u00e9 um dos maiores intelectuais do \u00faltimo (e deste) s\u00e9culo. <a href=\"https:\/\/universoracionalista.org\/noam-chomsky-contra-o-pos-modernismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No texto abaixo<\/a> &#8211; que li h\u00e1 alguns anos e me tocou de imediato &#8211; Chomsky desmascara boa parte da prosa &#8220;herm\u00e9tica&#8221; e in\u00fatil do &#8220;p\u00f3s-modernismo&#8221;. Coloca em xeque muitas teorias, adora\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas e discuss\u00f5es que muitas vezes carecem de total sentido e s\u00e3o incapazes de servir para algo. Derrida, Foucault e cia, com quem o pr\u00f3prio Chomsky travou um longo embate, s\u00e3o criticados com compet\u00eancia e dom\u00ednio. N\u00e3o s\u00f3 a empola\u00e7\u00e3o dos intelectuais franceses e suas &#8220;teorias&#8221; fundadas no puro floreio desnecess\u00e1rio de fatos hist\u00f3ricos que outros fizeram antes, melhor e de modo mais claro, como a pr\u00f3pria e deliberada aliena\u00e7\u00e3o dos ditos intelectuais de esquerda dos problemas pr\u00e1ticos e das arenas populares. A lucidez de Chosmky \u00e9 um al\u00edvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/ead2.fgv.br\/ls5\/centro_rec\/docs\/acerca_pos_modernismo_teoria_modas.doc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Acerca do p\u00f3s-modernismo, teoria, modas, etc.<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Alguns trechos selecionados:<\/p>\n<ul>\n<li>Devemos voltar-nos para <em>teoria<\/em>, <em>filosofia<\/em>, <em>constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas<\/em> e similares para remediar esta defici\u00eancia nos nossos esfor\u00e7os para compreender e abordar o que acontece no mundo. N\u00e3o quero falar por Mike. A minha resposta at\u00e9 agora tem sobretudo consistido em reiterar algo que escrevi h\u00e1 35 anos, muito antes do <em>p\u00f3s-modernismo<\/em> ter irrompido na cultura liter\u00e1ria e intelectual: <em>se h\u00e1 um corpo de teorias, bem testadas e verificadas, que se aplicam \u00e0 condu\u00e7\u00e3o dos assuntos externos ou \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de conflitos dom\u00e9sticos e internacionais, a sua exist\u00eancia tem sido um segredo bem guardado<\/em>, apesar de muita <em>pose pseudocient\u00edfica<\/em>.<\/li>\n<li>O que mudou no \u00ednterim, tanto quanto julgo saber, foi uma imensa explos\u00e3o de auto-elogio e elogios m\u00fatuos entre aqueles que prop\u00f5em o que chamam <em>teoria<\/em> e <em>filosofia<\/em>, mas pouco que eu possa detectar al\u00e9m de uma <em>pose pseudocient\u00edfica<\/em>. Esse pouco \u00e9, como escrevi, algumas vezes bastante interessante, mas sem conseq\u00fc\u00eancias para os problemas do mundo real que ocupam o meu tempo e energias.<\/li>\n<li>Os proponentes da <em>teoria<\/em> e <em>filosofia<\/em> t\u00eam uma tarefa muito f\u00e1cil se quiserem estabelecer o seu ponto de vista. Fa\u00e7am-me simplesmente conhecer o que era e continua a ser um <em>segredo<\/em> para mim: terei todo o gosto em ver. Perguntei muitas vezes antes e ainda espero uma resposta que deveria ser f\u00e1cil dar: d\u00eaem simplesmente alguns exemplos de <em>um corpo de teorias, bem testadas e verificadas, que se aplique <\/em>aos g\u00eaneros de problemas e assuntos em que Mike, eu, e muitos outros <em>\u2013 <\/em>de fato, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o mundial que, julgo, est\u00e1 fora dos limitados e, notavelmente, autocontrolados c\u00edrculos intelectuais<em> \u2013 <\/em>est\u00e3o ou deveriam estar interessados: os problemas e assuntos de que falamos e escrevemos, por exemplo, e outros semelhantes.<\/li>\n<li>Mais uma vez, estas s\u00e3o exig\u00eancias simples. Fi-las antes e continuo no meu estado de ignor\u00e2ncia. Tirei igualmente algumas conclus\u00f5es disso.<\/li>\n<li>Mas em vez de tentarem fornecer uma resposta a estas exig\u00eancias simples, a resposta consiste em gritos de c\u00f3lera: levantar estas quest\u00f5es mostra <em>elitismo<\/em> <em>antiintelectualismo<\/em> e outros crimes \u2013 embora aparentemente n\u00e3o seja <em>elitista<\/em> pertencer a sociedades de auto-elogio e elogios m\u00fatuos de intelectuais que falam apenas uns para os outros e<em> \u2013 <\/em>tanto quanto sei<em> \u2013 <\/em>n\u00e3o entram no g\u00eanero de mundo em que prefiro viver.<\/li>\n<li>\u00c9 poss\u00edvel que esteja simplesmente a n\u00e3o conseguir ver algo, ou que me falte a capacidade intelectual para compreender as profundidades que foram desenterradas nos \u00faltimos 20 anos pelos intelectuais de Paris e pelos seus seguidores. Tenho o esp\u00edrito completamente aberto, e tive-o durante anos, quando acusa\u00e7\u00f5es similares me foram feitas \u2013 mas sem responderem \u00e0s minhas quest\u00f5es. Uma vez mais, s\u00e3o quest\u00f5es simples e, se existe uma resposta, deveriam ser f\u00e1ceis de responder. Se n\u00e3o estou a ver algo, ent\u00e3o mostrem-me o que \u00e9 em termos que possa compreender. Claro que se est\u00e1 para al\u00e9m da minha compreens\u00e3o, o que \u00e9 poss\u00edvel, sou uma causa perdida e serei obrigado a dedicar-me a coisas que pare\u00e7o ser capaz de compreender, e a associar-me com o g\u00eanero de pessoas que tamb\u00e9m parecem por elas interessar-se e compreend\u00ea-las<em> \u2013 <\/em>o que me deixa muito feliz fazer, uma vez que n\u00e3o tenho nenhum interesse, agora e sempre, nos sectores da cultura intelectual que se ocupam destas coisas.<\/li>\n<li>Uma vez que ningu\u00e9m conseguiu mostrar-me o que n\u00e3o estou a ver, resta-nos a segunda op\u00e7\u00e3o: sou incapaz de compreender. Desejo certamente admitir que isso pode ser verdade, embora receie que terei de manter alguma suspeita, por raz\u00f5es que parecem boas. H\u00e1 muitas coisas que n\u00e3o compreendo \u2013 digamos, os \u00faltimos debates sobre se os neutrinos t\u00eam massa ou a forma como o \u00faltimo teorema de Fermat foi <em>\u2013 <\/em>aparentemente<em> \u2013 <\/em>demonstrado, recentemente. Mas em 50 anos neste jogo, aprendi duas coisas: 1) posso pedir a amigos que trabalham nestas \u00e1reas que mo expliquem a um n\u00edvel que possa compreender, e eles podem faz\u00ea-lo sem grandes dificuldades; 2) se estou interessado, posso tratar de aprender mais de modo a vir a compreend\u00ea-lo. Ora, Derrida, Lacan, Lyotard, Kristeva, etc. \u2013 mesmo Foucault, que conheci e de quem gostei, e que de algum modo \u00e9 diferente do resto \u2013 escrevem coisas que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o compreendo, mas a que 1) e 2) n\u00e3o se aplicam&#8230; ningu\u00e9m que diga que compreende pode explicar-mo e n\u00e3o tenho uma indica\u00e7\u00e3o de como proceder para vencer as minhas incapacidades. Isso deixa uma de duas possibilidades&#8230; a) ocorreu algum novo avan\u00e7o na vida intelectual, talvez alguma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica s\u00fabita, que criou uma forma de <em>teoria<\/em> que est\u00e1 para al\u00e9m da teoria qu\u00e2ntica, topologia, etc., em profundeza e profundidade; ou b) &#8230; n\u00e3o o direi.<\/li>\n<li>Peguemos ent\u00e3o em Derrida, que \u00e9 um dos gurus. Penso que devo pelo menos ser capaz de compreender a sua <em>Gramatologia<\/em> pelo que tentei l\u00ea-la. Deveria poder perceber parte dela \u2013 por exemplo, a an\u00e1lise cr\u00edtica dos textos cl\u00e1ssicos que conhe\u00e7o muito bem e sobre os quais escrevi durante anos. Achei a profici\u00eancia acad\u00eamica aterradora, baseada numa pat\u00e9tica leitura errada; e os argumentos, tal como estavam, eram incapazes de se aproximarem do g\u00eanero de padr\u00f5es a que estou acostumado praticamente desde a inf\u00e2ncia. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o tenha visto algo: pode ser; mas a suspeita mant\u00e9m-se, como j\u00e1 notei. Uma vez mais, pe\u00e7o desculpa por fazer coment\u00e1rios que n\u00e3o demonstro, mas fizeram-me perguntas, e por isso estou a responder.<\/li>\n<li>Encontrei-me com algumas das pessoas destes cultos <em>\u2013 <\/em>que \u00e9 o que me parecem: Foucault<em> \u2013 <\/em>tivemos mesmo uma discuss\u00e3o de v\u00e1rias horas, que est\u00e1 publicada, e passamos umas quantas horas numa conversa muito agrad\u00e1vel, sobre temas reais usando uma linguagem perfeitamente compreens\u00edvel \u2013 ele em franc\u00eas, eu em ingl\u00eas<em>;<\/em> Lacan <em>\u2013 <\/em>com quem me encontrei v\u00e1rias vezes e considerei um charlat\u00e3o divertido e perfeitamente consciente charlat\u00e3o, embora os seus primeiros trabalhos, pr\u00e9-culto, fossem inteligentes e os tivesse discutido em textos publicados<em>;<\/em> Kristeva <em>\u2013 <\/em>com quem me encontrei apenas brevemente durante o per\u00edodo em que ela era uma ardente mao\u00edsta<em>;<\/em> e outros. N\u00e3o encontrei muitos deles porque estou bastante afastado destes c\u00edrculos, por minha escolha, preferindo c\u00edrculos bastante diferentes e bastante mais amplos \u2013 o g\u00eanero onde dou palestras, sou entrevistado, tomo parte em atividades, escrevo dezenas de longas cartas todas as semanas, etc. Mergulhei no que escrevem por curiosidade, mas n\u00e3o fui muito longe, pelas raz\u00f5es j\u00e1 mencionadas: o que encontro \u00e9 extremamente pretensioso, mas quando examinado, uma boa parte \u00e9 simplesmente iletrado, baseado numa extraordin\u00e1ria leitura errada de textos que conhe\u00e7o bem<em> \u2013 <\/em>algumas vezes textos que eu escrevi<em> \u2013<\/em> argumentos que s\u00e3o aterradores na sua casual falta de elementar autocr\u00edtica, muitas afirma\u00e7\u00f5es triviais<em> \u2013 <\/em>embora revestidas de uma verborr\u00e9ia complicada<em> \u2013 <\/em>ou falsas; e uma boa quantidade de evidente algaraviada. Quando procedo como fa\u00e7o noutras \u00e1reas que n\u00e3o compreendo, caio nos problemas mencionados em liga\u00e7\u00e3o com 1) e 2) acima. Eis ent\u00e3o a quem me refiro e por que raz\u00e3o n\u00e3o vou muito longe. Se n\u00e3o for \u00f3bvio posso indicar mais uns quantos nomes.<\/li>\n<li>(Essas formula\u00e7\u00f5es) E n\u00e3o tem o mesmo impacto (que artigos em jornais de grande circula\u00e7\u00e3o e outros meios), uma vez que se dirige apenas a outros intelectuais nos mesmos c\u00edrculos. Al\u00e9m disso, que eu conhe\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 qualquer esfor\u00e7o para torn\u00e1-lo intelig\u00edvel \u00e0s grandes massas da popula\u00e7\u00e3o \u2013 digamos, para as pessoas para quem falo constantemente, com quem me encontro, para quem escrevo cartas, que tenho em mente quando escrevo, e que parecem entender o que digo sem qualquer dificuldade particular, embora geralmente pare\u00e7am ter as mesmas incapacidades cognitivas que eu tenho quando enfrentam os cultos p\u00f3s-modernos. E tamb\u00e9m n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum esfor\u00e7o para mostrar como se aplica a algo no mundo no sentido que mencionei anteriormente: estabelecendo conclus\u00f5es que n\u00e3o fossem j\u00e1 \u00f3bvias. Uma vez que n\u00e3o estou muito interessado no modo como os intelectuais inflacionam as suas reputa\u00e7\u00f5es, ganham privil\u00e9gios e prest\u00edgio, e se libertam da participa\u00e7\u00e3o efetiva na luta popular, n\u00e3o gasto nenhum tempo com isso.<\/li>\n<li>Trabalhei de forma razoavelmente extensa nalgumas destas \u00e1reas, e sei que a profici\u00eancia acad\u00eamica de Foucault n\u00e3o \u00e9 aqui exatamente fidedigna, pelo que n\u00e3o confio nela, sem uma investiga\u00e7\u00e3o independente, nas \u00e1reas que n\u00e3o conhe\u00e7o \u2013 isto foi vagamente abordado na discuss\u00e3o de 1972 que est\u00e1 publicada. Penso que h\u00e1 trabalhos acad\u00eamicos muito melhores sobre o s\u00e9culo XVII e XVIII e uso-os na minha investiga\u00e7\u00e3o. Mas ponhamos de lado o outro trabalho hist\u00f3rico, e voltemo-nos para as <em>constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas<\/em> e as explica\u00e7\u00f5es: que houve <em>uma grande mudan\u00e7a de mecanismos cru\u00e9is de repress\u00e3o para mecanismos mais subtis pelos quais as pessoas acabam por fazer<\/em>, mesmo entusiasticamente, o que os poderosos querem. De fato, isso \u00e9 mais que verdade: \u00e9 um completo tru\u00edsmo. Se \u00e9 uma <em>teoria<\/em>, ent\u00e3o todas as minhas cr\u00edticas est\u00e3o erradas: tamb\u00e9m tenho uma <em>teoria<\/em>, uma vez que andei a dizer exatamente isso durante anos, dando tamb\u00e9m as raz\u00f5es e o <em>background<\/em> hist\u00f3rico, mas sem a descrever como uma teoria <em>\u2013 <\/em>porque n\u00e3o merece tal designa\u00e7\u00e3o<em> \u2013<\/em> sem ret\u00f3rica ofuscante <em>\u2013 <\/em>porque \u00e9 t\u00e3o trivial<em> \u2013 <\/em>e sem pretender que \u00e9 nova <em>\u2013 <\/em>porque \u00e9 um tru\u00edsmo<em>.<\/em> Reconheceu-se durante muito tempo que \u00e0 medida que o poder para dominar e coagir ia declinando, era cada vez mais necess\u00e1rio recorrer ao que os praticantes na ind\u00fastria de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do princ\u00edpio do s\u00e9culo \u2013 que perceberam tudo isto muito bem \u2013 chamaram <em>dominar a mente p\u00fablica<\/em>. Como Hume observou no s\u00e9culo XVIII, as raz\u00f5es s\u00e3o que <em>a submiss\u00e3o impl\u00edcita com que os homens renunciam aos seus sentimentos e paix\u00f5es pelos dos seus governantes<\/em> depende em \u00faltima inst\u00e2ncia do dom\u00ednio das opini\u00f5es e atitudes. Por que raz\u00e3o \u00e9 que este tru\u00edsmo deveria subitamente tornar-se <em>uma teoria<\/em> ou <em>filosofia<\/em>, ter\u00e3o outros de explicar; Hume ter-se-ia rido.<\/li>\n<li>O meu problema \u00e9 que as <em>intui\u00e7\u00f5es<\/em> parecem-me familiares e n\u00e3o existem quaisquer <em>constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas<\/em>, exceto que id\u00e9ias simples e familiares foram revestidas com uma ret\u00f3rica complicada e pretensiosa.<\/li>\n<li>H\u00e1 coisas mais importantes a fazer, na minha opini\u00e3o, do que investigar as peculiaridades das elites intelectuais empenhadas em diversos modos de promo\u00e7\u00e3o da carreira e outras ocupa\u00e7\u00f5es nos seus limitados e <em>\u2013 <\/em>pelo menos para mim<em> \u2013 <\/em>desinteressantes c\u00edrculos.<\/li>\n<li>Verifiquei repetidas vezes que quando a audi\u00eancia \u00e9 mais pobre e tem menos forma\u00e7\u00e3o, posso omitir boa parte das quest\u00f5es de<em> background<\/em> e de <em>estrutura de refer\u00eancia<\/em> porque s\u00e3o j\u00e1 \u00f3bvias e aceites por todos, e posso avan\u00e7ar para quest\u00f5es que nos interessam a todos. Com audi\u00eancias com mais forma\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 muito mais dif\u00edcil; \u00e9 necess\u00e1rio deslindar montes de constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas.<\/li>\n<li>\u00c9 certamente verdade que muitas pessoas n\u00e3o podem ler os livros que escrevo. Mas isso n\u00e3o \u00e9 porque as id\u00e9ias ou a linguagem sejam complicadas \u2013 n\u00e3o temos quaisquer problemas na discuss\u00e3o informal, at\u00e9 com as mesmas palavras, de exatamente dos mesmos pontos. As raz\u00f5es s\u00e3o diferentes, talvez parcialmente por causa do meu estilo de escrita, parcialmente em resultado da necessidade <em>\u2013 <\/em>que eu sinto, pelo menos<em> \u2013 <\/em>de apresentar documenta\u00e7\u00e3o consideravelmente abundante, o que torna a leitura penosa.<\/li>\n<li>Tem havido uma not\u00e1vel mudan\u00e7a no comportamento da classe intelectual nos \u00faltimos anos. Os intelectuais de esquerda, que h\u00e1 60 anos teriam estado a ensinar nas escolas das classes trabalhadoras, a escrever livros como <em>matem\u00e1tica para milh\u00f5es<\/em> <em>\u2013 <\/em>que tornam a matem\u00e1tica intelig\u00edvel a milh\u00f5es de pessoas<em> \u2013<\/em> a participar e a falar em organiza\u00e7\u00f5es populares, etc., est\u00e3o hoje completamente afastados dessas atividades, e embora lestos a dizerem-nos que s\u00e3o muito mais radicais do que n\u00f3s, n\u00e3o se encontram dispon\u00edveis, ao que parece, quando h\u00e1 uma necessidade \u00f3bvia e crescente e at\u00e9 uma procura expl\u00edcita do trabalho que poderiam fazer no mundo das pessoas com problemas e preocupa\u00e7\u00f5es reais. Isto n\u00e3o \u00e9 um problema pequeno. Na minha opini\u00e3o, isto tem implica\u00e7\u00f5es sinistras.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noam Chomsky \u00e9 um dos maiores intelectuais do \u00faltimo (e deste) s\u00e9culo. No texto abaixo &#8211; que li h\u00e1 alguns anos e me tocou de imediato &#8211; Chomsky desmascara boa parte da prosa &#8220;herm\u00e9tica&#8221; e in\u00fatil do &#8220;p\u00f3s-modernismo&#8221;. Coloca em xeque muitas teorias, adora\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas e discuss\u00f5es que muitas vezes carecem de total sentido e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[56,71,92,152,183],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=351"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2118,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/351\/revisions\/2118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}