﻿{"id":564,"date":"2009-09-07T22:47:29","date_gmt":"2009-09-08T00:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=564"},"modified":"2009-09-08T09:13:42","modified_gmt":"2009-09-08T11:13:42","slug":"homens-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=564","title":{"rendered":"Homens Comuns"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-565\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/dostoievski1.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/dostoievski1.jpg 314w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/dostoievski1-235x300.jpg 235w\" sizes=\"(max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Estes dias me deparei com o lan\u00e7amento recente da editora 8Inverso: as <\/span><span lang=\"PT-BR\"><a href=\"http:\/\/www.oleitor.blog.br\/2009\/08\/08\/dostoievski-\u2013-correspondencias-1838-1880\/\" target=\"_blank\">correspond\u00eancias de Dostoi\u00e9vski entre 1838 e 1880<\/a><\/span><span lang=\"PT-BR\">. Na verdade, as cartas s\u00e3o unilaterais. N\u00e3o h\u00e1 contraponto. As respostas n\u00e3o est\u00e3o presentes. As cartas traduzidas s\u00e3o endere\u00e7adas principalmente ao irm\u00e3o, Mikhail. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">A despeito destas falhas, o livro \u00e9 obrigat\u00f3rio para os interessados pelo autor russo. Nelas, ficam expostas as entranhas de Dostoi\u00e9vski. O tanto que um dos maiores g\u00eanios da literatura mundial \u00e9&#8230;um homem comum. Comum e ordin\u00e1rio como todos n\u00f3s. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Oprimido pelo servi\u00e7o militar, as doen\u00e7as, a fome, a pris\u00e3o, a car\u00eancia, inseguran\u00e7a, o v\u00edcio no jogo, a falta de dinheiro. Dostoi\u00e9vski escreve por diversas vezes desesperado implorando por dinheiro ao pai e ao irm\u00e3o. Lista todas as suas necessidades b\u00e1sicas, justifica o pedido por cada centavo que ele n\u00e3o tem para a m\u00ednima sobreviv\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Como escritor, narra em detalhes o processo de cria\u00e7\u00e3o das obras. Para al\u00e9m do perfeccionismo quase comum a todos os autores, Dostoi\u00e9vski deixa claro a necessidade de fazer dinheiro com os livros. O ineg\u00e1vel aspecto comercial. O quanto aguarda que se torne um escritor de sucesso para poder quitar as d\u00edvidas. O quanto acompanha, cr\u00edtica por cr\u00edtica, texto por texto, o que sai em jornais e peri\u00f3dicos sobre ele. Avalia os amigos. Os escritores do seu tempo: Gogol, j\u00e1 consagrado e Turguenev, a quem admira a princ\u00edpio, tem uma s\u00e9rie de desentendimentos e acaba se reconcicliando j\u00e1 no final da vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Definindo-se como vaidoso e ambicioso, Dostoi\u00e9vski deixa entrever tudo que seria inimagin\u00e1vel a quem n\u00e3o conhece sua hist\u00f3ria, perceber. \u00c9 \u00f3bvio que isto n\u00e3o invalida em absolutamente nada as obras que escreveu. Pelo contr\u00e1rio, as engrandece. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">O tr\u00e1gico permeia o livro: al\u00e9m de todas as priva\u00e7\u00f5es, o ex\u00edlio na Sib\u00e9ria, a pris\u00e3o por conspirar contra o regime, as doen\u00e7as, a epilepsia, a ordem de execu\u00e7\u00e3o cancelada na \u00faltima hora e posteriormente a crueldade do czar que manda os soldados fazerem todo o processo de execu\u00e7\u00e3o apenas para \u201cpregar uma pe\u00e7a\u201d nos prisioneiros e anunciar a redu\u00e7\u00e3o da pena. As mortes da esposa, da filha e do irm\u00e3o no mesmo ano. O dinheiro ganho nos primeiros anos de seu reconhecimento como escritor perdido no jogo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">A inveja. A infinita inseguran\u00e7a. O quanto se preocupava com a opini\u00e3o alheia. Um Dostoi\u00e9vski fr\u00e1gil, atormentado, bestialmente comum. Humano. Tudo est\u00e1 em seus livros: cada trama, personagem, pensamento. Tudo \u00e9 tirado literalmente da vida que teve.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">\u00c9 assustador, mesmo que \u00f3bvio, constatar estas mazelas materiais, espirituais e psicol\u00f3gicas, presentes em todos n\u00f3s. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Ler as correspond\u00eancias do autor russo \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 mergulhar no seu inferno pessoal como perceber a grandeza e a desgra\u00e7a da vida. A eterna \u00e2nsia. A estupidez, o desejo e as necessidades primais. O quanto somos rid\u00edculos. E como os tais raros conseguem equilibrar isto com uma genialidade sem igual. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\">Fechei o livro com algumas l\u00e1grimas nos olhos e muitas feridas por cicatrizar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estes dias me deparei com o lan\u00e7amento recente da editora 8Inverso: as correspond\u00eancias de Dostoi\u00e9vski entre 1838 e 1880. Na verdade, as cartas s\u00e3o unilaterais. N\u00e3o h\u00e1 contraponto. As respostas n\u00e3o est\u00e3o presentes. As cartas traduzidas s\u00e3o endere\u00e7adas principalmente ao irm\u00e3o, Mikhail. 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