﻿{"id":629,"date":"2009-10-29T17:42:29","date_gmt":"2009-10-29T19:42:29","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=629"},"modified":"2009-10-29T17:42:29","modified_gmt":"2009-10-29T19:42:29","slug":"o-que-importa-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=629","title":{"rendered":"O que importa na educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-630\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/image6.gif\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/image6.gif 467w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/image6-290x300.gif 290w\" sizes=\"(max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>\u201cO mais interessante \u00e9 a exatid\u00e3o do t\u00edtulo. O tema fundamental dos Discursos era a educa\u00e7\u00e3o. O \u201cmundo novo\u201d donde viria a salva\u00e7\u00e3o para a na\u00e7\u00e3o alem\u00e3, devia nascer pela transforma\u00e7\u00e3o absoluta do sistema de educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o em vigor.<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>\u201cTudo perdemos, diz Fichte, mas resta-nos a educa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>Educa\u00e7\u00e3o nova que \u2013 segundo a linha geral da filosofia idealista de Fichte \u2013 desprender\u00e1 a \u201cId\u00e9ia\u201d, verdadeira realidade, \u201cterra prometida humanidade\u201d; assegurar\u00e1, pela clareza do entendimento, a pureza da vontade; expulsar\u00e1 o ego\u00edsmo, fonte de todas as desgra\u00e7as da Alemanha. <\/em><strong><em>Porque a antiga educa\u00e7\u00e3o \u00e9, segundo Fichte, totalmente desclassificada. Apela exclusivamente para a mem\u00f3ria: pode povoa-la de certas palavras, de certas locu\u00e7\u00f5es, pode impregnar a imagina\u00e7\u00e3o fria e insens\u00edvel com algumas imagens vagas e p\u00e1lidas, mas nunca alcan\u00e7ou pintar a ordem moral do mundo com suficiente calor, a fim de despertar nos alunos o amor ardente, a nostalgia da ordem moral, a emo\u00e7\u00e3o profunda perante a qual desaparece o ego\u00edsmo, como folhas secas ao sopro do vento. Por conseguinte, essa educa\u00e7\u00e3o jamais penetrou at\u00e9 a raiz real da vida ps\u00edquica e f\u00edsica. E tal raiz, negligenciada&#8230;, desenvolveu-se ao acaso.<\/em><em><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em> <\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>A educa\u00e7\u00e3o antiga s\u00f3 guiou a crian\u00e7a pela esperan\u00e7a ou pelo receio de resultados materiais. Numa palavra, nunca foi, nem podia ser, \u201ca arte de formar homens\u2019. Em especial porque s\u00f3 era concedia a uma \u00ednfima minoria, por isso mesmo chamada de classes cultas.<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>A educa\u00e7\u00e3o nova, ao contr\u00e1rio, dirigir-se-\u00e1 \u00e0 grande maioria, ao povo. Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u201cpopular\u201d, mas \u201cnacional\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>Ser\u00e1 a arte de formar homens, Penetrar\u00e1 at\u00e9 a raiz real da vida ps\u00edquica e f\u00edsica. Far\u00e1 da cultura n\u00e3o um bem qualquer, exterior ao homem, mas um elemento constitutivo do pr\u00f3prio homem. Desenvolver\u00e1 verdadeiramente no aluno a atividade do esp\u00edrito criador, ao mesmo tempo que as aptid\u00f5es corporais e a destreza para os trabalhos manuais. Nele criar\u00e1 uma vontade em que se poder\u00e1 ter a mais tranq\u00fcila confian\u00e7a: ele se comprazer\u00e1 na verdade e no bem, considerados em si mesmos. Dar-lhe-\u00e1 o verdadeiro sentido religioso, ensinando-a a \u201cconsiderar e respeitar sua pr\u00f3pria vida, e qualquer outra vida espiritual , como um eterno anel na cadeia da revela\u00e7\u00e3o da vida divina\u201d. E todas estas no\u00e7\u00f5es, religiosas, morais, intelectuais, longe de permaneceram \u201cfrias e mortas\u201d, haver\u00e3o de achar, a cada instante, sua express\u00e3o na vida real do aluno. Cada um dos seus conhecimentos se tornar\u00e1 vivo, desde que a vida o \u201crequeira\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>Tais resultados, por\u00e9m, exigem certas condi\u00e7\u00f5es. A mais necess\u00e1ria \u00e9 a de que as crian\u00e7as formem uma comunidade \u00e1 parte, aut\u00f4noma, sem contato com a sociedade dos adultos corrompidos pelo ego\u00edsmo. Seus mestres, bem entendido, vivem com elas, mas os pais s\u00e3o cuidadosamente separados. Os dois sexos s\u00e3o educados em conjunto. \u00c9 no seio dessa comunidade reduzida e ciosamente isolada que as crian\u00e7as podem transformar-se me homens, nos quais se gravar\u00e1 automaticamente a imagem da ordem social comunit\u00e1ria.<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"PT-BR\"><em>Quem, pois, sen\u00e3o o Estado, pode por em pr\u00e1tica tal novo plano de educa\u00e7\u00e3o \u201cativa\u201d!? O Estado, porque os pais resistir\u00e3o e ser\u00e1 preciso exercer certa viol\u00eancia, ao menos para educar a primeira gera\u00e7\u00e3o: depois, tendo a nova educa\u00e7\u00e3o produzido os seus primeiros frutos, n\u00e3o mais haver\u00e1 resist\u00eancia. O Estado, porque se precisar\u00e1 de imensos recursos para enfrentar imensas despesas. Mas pode existir mais vantajosos investimento? O Estado lucrar\u00e1 gera\u00e7\u00f5es formadas no amor da coletividade, no labor, na disciplina moral; recuperar\u00e1 suas despesas iniciais \u201cao c\u00eantuplo\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Trecho do livro &#8220;Discursos a Na\u00e7\u00e3o Alem\u00e3&#8221;, publicado em 1808 pelo fil\u00f3sofo\u00a0Johann Gottlieb Fichte. O trecho acima foi retirado de &#8220;\u201cAs Grandes Obras Pol\u00edticas de Maquiavel a Nossos Dias\u201d de Jean-Jacques Chevallier, da\u00ed os coment\u00e1rios iniciais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Fora a duvidosa no\u00e7\u00e3o de &#8220;moral&#8221;, &#8220;\u00e9tica&#8221;, a religi\u00e3o e alguns <a href=\"http:\/\/farolpolitico.blogspot.com\/2007\/07\/discursos-nao-alem.html\" target=\"_blank\">objetivos &#8220;pouco nobres&#8221;, digamos, que cerca o livro de Fichte<\/a>, impregnado de xenofobia e outras coisas no m\u00ednimo pass\u00edveis de discuss\u00e3o, a ideia central dessa passagem de Fichte sempre me perturbou. Desde 2004, quando a li pela primeira vez. Sua ideia central parece-me o que realmente importa na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Escrevi um artigo inflamado em 2005 (e que recomendo com algumas ressalvas) sobre \u00a0o tema, <a href=\"http:\/\/www.duplipensar.net\/artigos\/2005-Q1\/educacao-de-fitche.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, 200 anos depois que o livro de Fichte foi publicado, analisando a proposta b\u00e1sica do alem\u00e3o, como o Brasil est\u00e1?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Arcaico&#8221; \u00e9 um termo que n\u00e3o define com precis\u00e3o a barb\u00e1rie (mental, f\u00edsica, ps\u00edquica, humana) das nossas escolas. Parte do caminho para mudar isto est\u00e1 nessa passagem do fil\u00f3sofo, sempre (e infelizmente) atual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO mais interessante \u00e9 a exatid\u00e3o do t\u00edtulo. 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