﻿{"id":870,"date":"2010-08-17T01:10:29","date_gmt":"2010-08-17T03:10:29","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=870"},"modified":"2010-08-17T01:10:49","modified_gmt":"2010-08-17T03:10:49","slug":"minha-nocao-de-dus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=870","title":{"rendered":"Minha no\u00e7\u00e3o de D&#8217;us"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-872\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/skybluesky1.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/skybluesky1.jpg 800w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/skybluesky1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Nunca esqueci. N\u00e3o. Falar em &#8220;D&#8217;us&#8221; &#8211; e j\u00e1 explico o porqu\u00ea da grafia &#8211; \u00e9 um prazer. N\u00e3o almejo o Deus &#8220;crist\u00e3o&#8221;, &#8220;religioso&#8221;, comum, t\u00e3o massivamente violentado e negligenciado todos esses [milhares] de anos. No cotidiano da vida mundana e banal, \u00e9 inevit\u00e1vel escaparmos de certa ess\u00eancia. Certo elemento formador \u00fanico. Certa sensibilidade e amplitude para a exist\u00eancia. Como se estiv\u00e9ssemos, na verdade, permanentemente desconectados do que realmente importa. Do que nos toca. Do que nos faz bem. E apenas em alguns raros momentos, por uma &#8220;epifania&#8221; ou uma vis\u00e3o clarificada e jamais gratuita, vemos, sentimos. Est\u00e1 ali: D&#8217;us. \u00c9 a for\u00e7a motriz de tudo. O que lubrifica o labirinto do ser. \u00c9 entre a pieguice aut\u00eantica, o clich\u00ea sincero e a est\u00e9tica inevit\u00e1vel que sempre me equilibro. \u00c9 quando somos mais transparentes. \u00c9 tentar emergir de tudo que \u00e9 vil e ordin\u00e1rio. Baixo, ruim. \u00c9 transformar a &#8220;mundanidade&#8221; dentro dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Tenho encontrado pouco com D&#8217;us. Muito aqu\u00e9m do que j\u00e1 consegui e do que deveria. Estar longe de D&#8217;us \u00e9 permanecer afastado de si pr\u00f3prio: de seus verdadeiros anseios, buscas. Do seu esp\u00edrito. Normal (e saud\u00e1vel) que fiquemos cambaleantes, tontos e angustiados por vezes. Que entremos num mundo sombrio e hostil. A armadilha \u00e9 n\u00e3o conseguir sair dele. Vejo D&#8217;us quando consigo escrever textos necess\u00e1rios e prazerosos. Como este. Vejo D&#8217;us nas coisas mais belas e interessantes que encontro. Temos inclina\u00e7\u00e3o natural a admirar o que \u00e9 belo, s\u00e1bio, engra\u00e7ado, sarc\u00e1stico, fora do lugar comum. O que nos impele. Nos chama. Cria o desejo. Por tudo. A curiosidade, a afirma\u00e7\u00e3o, o diferente. A afetividade espont\u00e2nea. T\u00e3o fundamental e t\u00e3o esquecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Vejo D&#8217;us quando converso com um bom amigo. Quando me entrego a quem acho que deva merecer. Quando ou\u00e7o m\u00fasica que consiga ir al\u00e9m do trivial. Que tem a rara capacidade de alcan\u00e7ar algo \u00fanico ali dentro do seu c\u00e9rebro, da sua alma. Quando me entrego aos pequenos prazeres entorpecentes e reveladores. Quando leio um autor que fale, mesmo, \u00e0 mim. Quando troco conhecimento, inspira\u00e7\u00e3o, risadas. Na lucidez. No trabalho bem feito. Na cr\u00edtica e na observa\u00e7\u00e3o. No elogio, quando merecido. Nas coisas bobas, infantis. No herm\u00e9tico e no simples. Nas brincadeiras. Na seriedade. Na natureza. Na loucura e na retid\u00e3o. No correto e no dissonante. D&#8217;us est\u00e1 ali. Sempre. \u00c9 uma del\u00edcia me encontrar com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O resto, meu amigo, \u00e9 perf\u00eddia. Engana\u00e7\u00e3o, lucro, vida a esmo. D&#8217;us costuma estar em v\u00e1rios lugares. Menos naqueles escritos, designados, arbitrariamente impostos como a &#8220;casa&#8221; dele. Uma verdade universal \u00e9 que n\u00f3s, homens, arrogantes, trai\u00e7oeiros, pretensiosos, n\u00e3o sabemos coisa alguma. Ainda mais sobre D&#8217;us. Tentar &#8211; permanentemente &#8211; me reaproximar dele \u00e9 tentar fazer o caminho necess\u00e1rio para dentro de mim. Dentro de tudo que d\u00e1 valor e gra\u00e7a \u00e0 minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Desde o primeiro momento que vi a grafia &#8220;D&#8217;us&#8221; senti algo diverso. Que alguma coisa de real significado estava ali. Sou assim. Gosto da beleza das palavras. Do sentido oculto. Verdadeiro ou imagin\u00e1rio. Do que podemos dar \u00e0 elas. Da liberdade de criar, errar, ousar. Um amigo, querido. E com quem discordo de muita coisa, me explicou. E tomo aqui a liberdade de transcrever parte do seu conhecimento, dado a mim num email de 2008:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify; \">No Antigo Testamento, no texto original, as alus\u00f5es a D&#8217;us nunca s\u00e3o nominais. Jav\u00e9, o nome Dele, \u00e9 escrito com as letras hebraicas Yod, He, Vav e He, sem vogais. E assim \u00e9 imposs\u00edvel adivinhar a pron\u00fancia do nome. Por isso, \u00e9 comum na liturgia judaica se referir a Ele como HaShem (&#8220;O Nome&#8221;, em hebraico). Eu poderia passar o resto do dia falando sobre isso, mergulhando nas implica\u00e7\u00f5es cabal\u00edsticas e neoplatonistas d&#8217;O Nome, mas (&#8230;) fica pra pr\u00f3xima. <strong>O importante \u00e9 saber que o nome de Deus \u00e9 impron\u00fanciavel.<\/strong> E por essa raz\u00e3o h\u00e1 o nome D&#8217;us. Existe uma outra raz\u00e3o, tamb\u00e9m: eu prefiro fazer distin\u00e7\u00e3o entre D&#8217;us mesmo, e &#8220;Deus&#8221;, uma palavra utilizada sem nenhuma signific\u00e2ncia no dia a dia, em express\u00f5es como &#8220;pelo amor de Deus&#8221;, &#8220;juro por Deus&#8221;, &#8220;ai Deus meu!&#8221;, etc. Como disse acima, eu sou extremamente supersticioso, e embora n\u00e3o seja religioso, prefiro manter o esp\u00edrito presente no judaismo, onde a palavra ganha uma dimens\u00e3o in\u00e9dita em qualquer outra l\u00edngua ocidental. &#8220;D&#8217;us&#8221; conserva um mist\u00e9rio, o desconhecido. E assim deve ser.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil pensar em poucas coisas mais lindas que isso. O respeito e admira\u00e7\u00e3o que tenho por &#8220;D&#8217;us&#8221; \u00e9 imensur\u00e1vel. E por isso procuro n\u00e3o ferir ao que julgo fundamental. Nem sempre consigo. \u00c9 um exerc\u00edcio constante. Complicad\u00edssimo. Que s\u00f3 pode ser simplificado pela pr\u00e1tica. Pela intimidade. S\u00f3 cada um pode alcan\u00e7ar o real sentido que &#8220;D&#8217;us&#8221; tem em nosso ser. O estrito significado que voc\u00ea guarda contigo. Ou a aus\u00eancia dele.<\/p>\n<p>Eis o que representa D&#8217;us pra mim. Com todas as lacunas que um breve texto pode deixar. Ahava.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca esqueci. N\u00e3o. Falar em &#8220;D&#8217;us&#8221; &#8211; e j\u00e1 explico o porqu\u00ea da grafia &#8211; \u00e9 um prazer. 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