﻿{"id":901,"date":"2010-09-21T21:42:29","date_gmt":"2010-09-21T23:42:29","guid":{"rendered":"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=901"},"modified":"2010-12-20T23:07:40","modified_gmt":"2010-12-21T01:07:40","slug":"15-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/?p=901","title":{"rendered":"15 Livros"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-905\" src=\"http:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/henry_miller2.jpg\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/henry_miller2.jpg 283w, https:\/\/crimideia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/henry_miller2-223x300.jpg 223w\" sizes=\"(max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Listas servem basicamente para que voc\u00ea possa encontrar sugest\u00f5es bacanas, descobrir coisas novas, lembrar de outras, conhecer um pouco mais de quem a fez. N\u00e3o \u00e9 para concordar. E, como geralmente acontece, n\u00e3o listo abaixo os 15 livros que considero &#8220;os melhores&#8221;, mas os 15 que mais tiveram impacto na minha vida. Com um breve coment\u00e1rio de adendo. Dif\u00edcil manter s\u00f3 15. Ficaram de fora Emil Cioran, George Bernard Shaw, Joseph Conrad, Vladimir Nabokov, Turguenev, F. Scott Fitzgerald, Hemingway, Oscar Wilde, Marx e Bertrand Russel. 10 nomes que completam 25 livros. Um n\u00famero s\u00edmbolo pra mim, que adoro. T\u00e1 \u00f3timo assim. \u00c9 s\u00f3 uma lista, afinal. Mas parte da minha alma est\u00e1 a\u00ed:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ver\u00e3o e as Mulheres &#8211; Rubem Braga (1990)<\/strong>: devorei tudo que encontrei de Rubem quando era moleque. poderia escolher qualquer um. mas este carrega no t\u00edtulo duas paix\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.releituras.com\/rubembraga_verao.asp\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>Sim, as mulheres est\u00e3o sujeitas a uma grande influ\u00eancia do ver\u00e3o; no bojo do m\u00eas de janeiro elas sentem o cora\u00e7\u00e3o l\u00e2nguido, e se espregui\u00e7am de um modo especial; seus olhos brilham devagar, elas come\u00e7am a dizer uma coisa e param no meio, ficam olhando as folhas das amendoeiras como se tivessem acabado de descobrir um estranho passarinho. Seus cabelos tornam-se mais claros e \u00e0s vezes os olhos tamb\u00e9m; algumas crescem imperceptivelmente meio cent\u00edmetro. Estremecem quando de s\u00fabito defrontam um gato; s\u00e3o assaltadas por uma remota vontade de miar; e certamente, quando a tarde cai, ronronam para si mesmas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1984 &#8211; George Orwell (1949):<\/strong> refer\u00eancia fundamental na minha vida, expressa em dezenas de artigos, blog, etc. um dos respons\u00e1veis pelo meu interesse por pol\u00edtica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trecho:\u00a0<em>\u201cQuem controla o passado\u201d, dizia o lema do Partido, \u201ccontrola o futuro; quem controla o presente, controla o passado\u201d. E no entanto o passado, conquanto de natureza alter\u00e1vel, nunca fora alterado. O que agora era verdade era verdade do sempre ao sempre. Era bem simples. Bastava apenas uma id\u00e9ia infinda de vit\u00f3rias sobre a mem\u00f3ria. \u201cControle da realidade\u201d, chamava-se. Ou, em Novil\u00edngua, \u201cduplipensar\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Winston deixou cair os bra\u00e7os e lentamente tornou a encher os pulm\u00f5es de ar. Seu esp\u00edrito mergulhou no mundo labir\u00edntico do duplipensar. Saber e n\u00e3o saber, ter consci\u00eancia de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opini\u00f5es opostas, sabendo-as contradit\u00f3rias e ainda assim acreditando em ambas; usar a l\u00f3gica contra a l\u00f3gica, repudiar moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardi\u00e3o da democracia; esquecer tudo quanto fosse necess\u00e1rio esquecer, traze-lo \u00e0 mem\u00f3ria prontamente no momento preciso, e depois torna-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o pr\u00f3prio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsci\u00eancia e ent\u00e3o tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. At\u00e9 para compreender a palavra \u201cduplipensar\u201d era necess\u00e1rio usar o duplipensar. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As Grandes Obras Pol\u00edticas, de Maquiavel a Nossos Dias &#8211; Jean Jacques-Chevallier (1982)<\/strong>: emprestado por um professor no ensino m\u00e9dio, foi o livro que abriu minha cabe\u00e7a \u00e0 machadadas para o mundo. Chevallier \u00e9 um monstro de erudi\u00e7\u00e3o, mas consegue tratar cada autor e cada obra com precis\u00e3o e o m\u00e1ximo de isen\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, analisando as obras pol\u00edticas chave do absolutismo at\u00e9 a democracia. Para ler v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trecho (Thomas Hobbes):\u00a0<em>Onde n\u00e3o existe governo ou lei, os homens naturalmente caem em contendas. Desde que os recursos s\u00e3o limitados, ali haver\u00e1 competi\u00e7\u00e3o, que leva ao medo, \u00e0 inveja e a disputa. Os homens tamb\u00e9m naturalmente buscam a gl\u00f3ria, derrubando os outros pelas costas, j\u00e1 que, \u00a0de um modo geral, as pessoas s\u00e3o mais ou menos iguais em for\u00e7a e intelig\u00eancia, nenhuma pessoa ou nenhum grupo pode, com seguran\u00e7a, reter o poder. Assim sendo, o conflito \u00e9 perp\u00e9tuo, e &#8220;cada homem \u00e9 inimigo de outro homem&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contraponto &#8211; Aldous Huxley (1928)<\/strong>: bel\u00edssimo romance de Huxley, meu preferido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/catalisecritica.wordpress.com\/2010\/04\/02\/contraponto-aldous-huxley\/\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>Rom\u00e2ntico, rom\u00e2ntico! \u2013 escarneou ela. \u2013 Tens uma maneira t\u00e3o absurdamente antiquada de pensar nas coisas. Matar e tripudiar sobre cad\u00e1veres e amar e o mais que segue. \u00c9 rid\u00edculo. Por que n\u00e3o andas logo de fraque e plastr\u00e3o?\u2026 Procura ser um pouco mais moderno.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Prefiro ser humano.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; viver modernamente \u00e9 viver rapidamente \u2013 continuou ela. \u2013 N\u00e3o podes carregar um vag\u00e3o cheio de id\u00e9ias e romantismo nestes tempos. Quando viajamos de avi\u00e3o, devemos deixar para tr\u00e1s as bagagens pesadas. A velha alma de antanho sentava muito bem quando se vivia vagarosamente. Mas \u00e9 pesada demais para os nossos dias. N\u00e3o h\u00e1 lugar para ela no avi\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Nem mesmo para um cora\u00e7\u00e3o? \u2013 perguntou Walter. \u2013 N\u00e3o me preocupa muito a alma. \u2013 J\u00e1 uma vez se preocupara com ela. Mas agora que a sua vida n\u00e3o consistia em ler fil\u00f3sofos, ele estava um pouco menos interessado nela. \u2013 mas o cora\u00e7\u00e3o \u2013 ajuntou -, o cora\u00e7\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Lucy sacudiu a cabe\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Talvez seja uma pena \u2013 concedeu ela. \u2013 mas tudo tem o seu pre\u00e7o. Se gostamos da velocidade, se queremos ganhar terreno, n\u00e3o podemos levar bagagem. Trata-se de saber o que queremos, e de estarmos prontos a pagar o pre\u00e7o devido. Eu sei exatamente o que quero; assim, sacrifico a bagagem. Se te agrada viajar num caminh\u00e3o de mudan\u00e7as, viaja. Mas n\u00e3o esperes que eu te acompanhe, \u00f3 meu suav\u00edssimo Walter. N\u00e3o esperes que eu leve o teu piano de cauda no meu monoplano de dois lugares.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Lobo da Estepe &#8211; Hermann Hesse (1927):<\/strong> outro dos meus queridos, tornou-se obsess\u00e3o a partir dali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/ressentimento.wordpress.com\/2009\/08\/01\/trechos-memoraveis-de-o-lobo-da-estepe-n%C2%BA1\/\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0\u00a0<em>Ent\u00e3o, que quer mais?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Quero mais. N\u00e3o estou satisfeito em ser feliz, n\u00e3o fui criado para isso, n\u00e3o \u00e9 este o meu destino. Meu destino \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Ser infeliz? Mas isso voc\u00ea era antes, quando n\u00e3o queria voltar para casa com medo da navalha.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; N\u00e3o, Herm\u00ednia, \u00e9 algo mais. \u00c0quela \u00e9poca, concordo, eu era muito infeliz. Mas tratava-se de uma infelicidade idiota que n\u00e3o conduzia a nada.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Por qu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Porque eu n\u00e3o devia sentir medo da morte se ao mesmo tempo a desejava. A infelicidade de que necessito e por que anseio \u00e9 diferente: \u00e9 uma infelicidade que me permitiria sofrer com \u00e2nsia e morrer com prazer. Essa \u00e9 a infelicidade, ou felicidade, por que anseio.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Compreendo. Nisso somos iguais. Mas que tem contra a felicidade que encontrou agora, com Maria? Por que n\u00e3o est\u00e1 contente?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; N\u00e3o tenho nada contra essa felicidade. Oh, n\u00e3o! Gosto de Maria. Estou satisfeito com ela. \u00c9 maravilhosa como um dia de sol em meio \u00e0 um ver\u00e3o chuvoso. Mas sinto que isso n\u00e3o pode durar. Al\u00e9m do mais, trata-se de uma felicidade infrut\u00edfera. D\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o, mas a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alimento para mim. Faz adormecer o lobo da estepe, torna-o d\u00f3cil. Mas n\u00e3o \u00e9 uma felicidade pela qual se possa morrer.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Mas \u00e9 preciso morrer por alguma coisa, Lobo da Estepe?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Creio que sim! Minha felicidade enche-me de contentamento e posso suport\u00e1-la ainda por algum tempo. Mas quando a felicidade me permite um pouco de reflex\u00e3o, a\u00ed meu desejo n\u00e3o \u00e9 de mant\u00ea-la para sempre, mas antes voltar a sofrer, s\u00f3 que de maneira mais bela e menos lament\u00e1vel do que antes. Anseio por uma dor que me prepare e me fa\u00e7a desejar a morte.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Processo &#8211; Kafka (1925)<\/strong>: na minha jornada de descobrimento dos cl\u00e1ssicos, Kafka bateu forte, inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/vestibular.uol.com.br\/ultnot\/livrosresumos\/ult2755u89.jhtm\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>K. mal prestou aten\u00e7\u00e3o nesses discursos; n\u00e3o dava muita import\u00e2ncia ao direito, que talvez ainda tivesse, de dispor das suas coisas; para ele era muito mais relevante chegar \u00e0 clareza sobre sua situa\u00e7\u00e3o, mas na presen\u00e7a dessas pessoas n\u00e3o podia nem ao menos refletir; sem cessar, a barriga do segundo guarda &#8211; de fato s\u00f3 poderiam ser guardas &#8211; batia literalmente nele, de um modo amistoso, mas quando erguia os olhos via um rosto ossudo, seco, destoante desse corpo gordo, com o nariz forte virado para o lado, que se entendia por cima dele com o outro guarda. Que tipo de pessoas eram aquelas? Do que elas falavam? A que autoridade pertenciam? K. ainda vivia num Estado de Direito, reinava paz em toda parte, todas as leis estavam em vigor, quem ousava cair de assalto sobre ele em sua casa? Ele tendia a levar as coisas pelo lado mais leve poss\u00edvel, a crer no pior s\u00f3 quando este acontecia, a n\u00e3o tomar nenhuma provid\u00eancia para o futuro, mesmo que tudo fosse amea\u00e7a. Aqui por\u00e9m n\u00e3o parecia acertado; na verdade, tudo podia ser uma brincadeira, uma brincadeira pesada, que os colegas de banco tinham organizado por motivos desconhecidos, talvez porque ele hoje completasse trinta anos de idade; isso naturalmente era poss\u00edvel, talvez ele s\u00f3 precisasse de alguma maneira rir na cara dos guardas para que esses rissem juntos, quem sabe fossem servi\u00e7ais da esquina, n\u00e3o pareciam diferentes deles &#8211; apesar de tudo estava dessa vez formalmente determinado, desde que viu pela primeira vez o guarda Franz, a n\u00e3o ceder a m\u00ednima vantagem que por acaso tivesse diante dessas pessoas. K. atribu\u00eda um perigo \u00ednfimo ao fato de que mais tarde pudessem dizer que ele n\u00e3o entendia uma brincadeira, mas sem d\u00favida se lembrava &#8211; sem que de resto tivesse sido h\u00e1bito seu aprender com a experi\u00eancia &#8211; de alguns casos em si mesmos insignificantes nos quais, ao contr\u00e1rio dos amigos, havia se comportado conscientemente de modo descuidado, sem a m\u00ednima sensibilidade para as poss\u00edveis conseq\u00fc\u00eancias, sendo assim punido pelo resultado. Isso n\u00e3o deveria acontecer de novo, pelo menos n\u00e3o desta vez; se era uma com\u00e9dia, ent\u00e3o iria participar dela.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Herzog &#8211; Saul Bellow (1964):<\/strong> a vida que aprendeu a prosperar com o veneno<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trecho (<a href=\"http:\/\/sdicht.wordpress.com\/2009\/02\/14\/saul-bellow-por-martin-amis\/\" target=\"_blank\">artigo recomendado<\/a>):\u00a0<em>\u201cMinha vida &#8211; n\u00e3o uma longa enfermidade, mas uma longa convalescen\u00e7a. O organismo que aprendeu a prosperar com o veneno. (&#8230;) Mas como continuamos encantadores, apesar de tudo.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tr\u00f3pico de C\u00e2ncer &#8211; Henry Miller (1934)<\/strong>: como n\u00e3o se envolver com a escrita desse cara?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/vestibular.uol.com.br\/ultnot\/livrosresumos\/ult2755u73.jhtm\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>N\u00e3o tenho dinheiro, nem recursos, nem esperan\u00e7as. Sou o mais feliz dos homens vivos. H\u00e1 um ano, h\u00e1 seis meses, eu pensava ser um artista. N\u00e3o penso mais nisso. Eu sou. Tudo quanto era literatura se desprendeu de mim. N\u00e3o h\u00e1 mais livros a escrever, gra\u00e7as a Deus. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E isto ent\u00e3o? Isto n\u00e3o \u00e9 um livro. Isto \u00e9 inj\u00faria, cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter. Isto n\u00e3o \u00e9 um livro, no sentido comum da palavra. N\u00e3o, isto \u00e9 um prolongado insulto, uma cusparada na cara da Arte, um pontap\u00e9 no traseiro de Deus, do Homem, do Destino, do Tempo, do Amor, da Beleza&#8230;. e do que mais quiserem. Vou cantar para voc\u00ea, um pouco desafinado talvez, mas vou cantar. Cantarei enquanto voc\u00ea coaxa, dan\u00e7arei sobre seu cad\u00e1ver sujo&#8230; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Para cantar \u00e9 preciso primeiro abrir a boca. \u00c9 preciso ter um par de pulm\u00f5es e um pouco de conhecimento de m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter harm\u00f4nica ou viol\u00e3o. O essencial \u00e9 querer cantar. Isto \u00e9, portanto, uma can\u00e7\u00e3o. Eu estou cantando. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 para voc\u00ea, T\u00e2nia, que estou cantando. Desejaria poder cantar melhor, mais melodiosamente, mas ent\u00e3o talvez voc\u00ea jamais consentisse em ouvir-me. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu outros cantarem e permaneceu fria. Cantavam bonito demais ou n\u00e3o cantavam suficientemente bonito.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ulysses &#8211; James Joyce (1922)<\/strong>: qualquer coisa que se fale sobre Joyce \u00e9 insuficiente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Epoca\/0,6993,EPT975877-1655,00.html\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>Saltou fora da plataforma de tiro e olhou seriamente para o seu observador, juntando em volta das pernas as dobras soltas de seu penhoar. A cara rechonchuda e sombria e a queixada oval e taciturna lembravam um prelado, patrono das artes na idade m\u00e9dia. Um sorriso agrad\u00e1vel desabrochou em seus l\u00e1bios. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; A ironia das coisas! &#8211; disse ele alegremente. &#8211; Seu nome absurdo, um grego antigo! <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ele apontou com o dedo num gesto amig\u00e1vel e se encaminhou para o parapeito rindo consigo mesmo. Stephen Dedalus se aproximou, acompanhou-o e a meio caminho cansado se sentou na beira da plataforma de tiro, observando-o enquanto ele apoiava o espelho no parapeito, molhava o pincel na tigela e passava a espuma na face e no pesco\u00e7o. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cem Anos de Solid\u00e3o &#8211; Gabriel Garc\u00eda Marquez (1967)<\/strong>: minha defini\u00e7\u00e3o de &#8220;suculento&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/vestibular.uol.com.br\/ultnot\/livrosresumos\/ult2755u77.jhtm\" target=\"_blank\">Trecho:<\/a> <em>Muitos anos depois, diante do pelot\u00e3o de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buend\u00eda havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era ent\u00e3o uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, constru\u00eddas \u00e0 margem de um rio de \u00e1guas di\u00e1fanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pr\u00e9-hist\u00f3ricos. O mundo era t\u00e3o recente que muitas coisas careciam de nome e para mencion\u00e1-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo m\u00eas de mar\u00e7o, uma fam\u00edlia de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoro\u00e7o de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo Que \u00c9 S\u00f3lido Desmancha no Ar (A Aventura da Modernidade) &#8211; Marshall Berman (1982)<\/strong>: Berman \u00e9 um te\u00f3rico incr\u00edvel. um dos poucos que conseguem passar longe do &#8220;rebuscamento&#8221; t\u00e3o for\u00e7ado e desnecess\u00e1rio de 95% deles, sendo l\u00facido e brilhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.duplipensar.net\/artigos\/2005-Q2\/capitalismo-democracia.html\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>Nossas vidas s\u00e3o controladas por uma classe dominante de interesses bem definidos n\u00e3o s\u00f3 na mudan\u00e7a, mas na crise e no caos. \u201cIninterrupta perturba\u00e7\u00e3o, intermin\u00e1vel incerteza e agita\u00e7\u00e3o\u201d, em vez de subverter esta sociedade, resultam de fato no seu fortalecimento. Cat\u00e1strofes s\u00e3o transformadas em lucrativas oportunidades para o redesenvolvimento e a renova\u00e7\u00e3o; a desintegra\u00e7\u00e3o trabalha como for\u00e7a mobilizadora e, portanto, integradora. O \u00fanico espectro que realmente amedronta a moderna classe dominante e que realmente p\u00f5e em perigo o mundo criado por ela \u00e0 sua imagem \u00e9 aquilo por que as elites tradicionais (e, por extens\u00e3o, as massas tradicionais) suspiravam: uma estabilidade s\u00f3lida e prolongada. Neste mundo, estabilidade significa t\u00e3o somente entropia, morte lenta, uma vez que nosso sentido de progresso e crescimento \u00e9 o \u00fanico meio que dispomos, para saber, com certeza, que estamos vivos. Dizer que nossa sociedade est\u00e1 caindo aos peda\u00e7os \u00e9 apenas dizer que ela est\u00e1 viva e em forma.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mem\u00f3rias do Subsolo &#8211; Dostoyevsky (1864)<\/strong>: pungente como s\u00f3 quem leu sabe<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trecho:\u00a0<em>&#8220;Ali, no seu ign\u00f3bil e f\u00e9tido subsolo, o nosso camundongo, ofendido, machucado, coberto de zombarias, imerge logo num rancor fr\u00edgido, envenenado e, sobretudo, sempiterno. H\u00e1 de lembrar, quarenta anos seguidos, a sua ofensa, at\u00e9 os derradeiros e mais vergonhosos pormenores; e cada vez acrescentar\u00e1 por sua conta novos pormenores, ainda mais vergonhosos, zombando maldosamente de si mesmo e irritando-se com a sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o. Ele pr\u00f3prio se envergonhar\u00e1 dessa imagina\u00e7\u00e3o, mas, assim mesmo, tudo lembrar\u00e1, tudo examinar\u00e1, e h\u00e1 de inventar sobre si mesmo fatos inveross\u00edmeis, com o pretexto de que tamb\u00e9m estes poderiam ter acontecido, e nada perdoar\u00e1.&#8221; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Peste &#8211; Albert Camus (1947)<\/strong>: agonizante<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trecho (<a href=\"http:\/\/panorama-direitoliteratura.blogspot.com\/2007\/10\/albert-camus-romances-contos.html\" target=\"_blank\">artigo recomendado<\/a>):\u00a0<em>&#8220;A partir desse momento, pode-se dizer que a peste se tornou um problema comum a todos n\u00f3s. At\u00e9 ent\u00e3o, apesar da surpresa e da inquieta\u00e7\u00e3o trazidas por esses acontecimentos singulares, cada um de nossos concidad\u00e3os continuara suas ocupa\u00e7\u00f5es conforme pudera, no seu lugar habitual. E, sem d\u00favida, isso devia continuar. No entanto, uma vez fechadas as portas, deu-se conta de que estavam todos, at\u00e9 o pr\u00f3prio narrador, metidos no mesmo barco e que era necess\u00e1rio ajeitar-se. Assim \u00e9, por exemplo, que, a partir das primeiras semanas, um sentimento t\u00e3o individual quanto o da separa\u00e7\u00e3o de um ente querido se tornou, subitamente, o de todo um povo e, juntamente com o medo, o principal sofrimento desse longo tempo de ex\u00edlio.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Almas Mortas &#8211; Gogol (1842)<\/strong>: mergulho na sociedade russa, fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.citador.pt\/pensar.php?op=10&amp;refid=200508120900&amp;author=368\" target=\"_blank\">Trecho<\/a>:\u00a0<em>Eu considero inteligente o homem que em vez de desprezar este ou aquele semelhante \u00e9 capaz de o examinar com olhar penetrante, de lhe sondar por assim dizer a alma e descobrir o que se encontra em todos os seus desv\u00e3os. Tudo no homem se transforma com grande rapidez; num abrir e fechar de olhos, um terr\u00edvel verme pode corroer-lhe as entranhas e devorar-lhe toda a sua subst\u00e2ncia vital. Muitas vezes uma paix\u00e3o, grande ou mesquinha pouco importa, nasce e cresce num indiv\u00edduo para melhor sorte, obrigando-o a esquecer os mais sagrados deveres, a procurar em \u00ednfimas bagatelas a grandeza e a santidade. As paix\u00f5es humanas n\u00e3o t\u00eam conta, s\u00e3o tantas, tantas, como as areias do mar, e todas, as mais vis como as mais nobres, come\u00e7am por ser escravas do homem para depois o tiranizarem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bem-aventurado aquele que, entre todas as paix\u00f5es, escolhe a mais nobre: a sua felicidade aumenta de hora a hora, de minuto a minuto, e cada vez penetra mais no ilimitado para\u00edso da sua alma. Mas existem paix\u00f5es cuja escolha n\u00e3o depende do homem: nascem com ele e n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a bastante para as repelir. Uma vontade superior as dirige, t\u00eam em si um poder de sedu\u00e7\u00e3o que dura toda a vida. Desempenham neste mundo um importante papel: quer tragam consigo as trevas, quer as envolva uma aur\u00e9ola luminosa, s\u00e3o destinadas, umas e outras, a contribuir misteriosamente para o bem do homem. <\/em><\/p>\n<p><strong>O Guardador de Rebanhos &#8211; Alberto Caeiro (1925)<\/strong>: poema definidor<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/download\/texto\/pe000001.pdf\" target=\"_blank\">Trecho:<\/a><\/p>\n<p><em>Tenho o costume de andar pelas estradas<\/em><\/p>\n<p><em>Olhando para a direita e para a esquerda,<\/em><\/p>\n<p><em>E de vez em quando olhando para tr\u00e1s\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>E o que vejo a cada momento<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 aquilo que nunca antes eu tinha visto,<\/em><\/p>\n<p><em>E eu sei dar por isso muito bem\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Sei ter o pasmo essencial<\/em><\/p>\n<p><em>Que tem uma crian\u00e7a se, ao nascer,<\/em><\/p>\n<p><em>Reparasse que nascera deveras\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Sinto-me nascido a cada momento<\/em><\/p>\n<p><em>Para a eterna novidade do Mundo\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>(\u2026)<\/em><\/p>\n<p><em>Pensar no sentido \u00edntimo das cousas<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 acrescentado, como pensar na sa\u00fade<\/em><\/p>\n<p><em>Ou levar um copo \u00e0 \u00e1gua das fontes.<\/em><\/p>\n<p><em>O \u00fanico sentido \u00edntimo das cousas<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 elas n\u00e3o terem sentido \u00edntimo nenhum.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Listas servem basicamente para que voc\u00ea possa encontrar sugest\u00f5es bacanas, descobrir coisas novas, lembrar de outras, conhecer um pouco mais de quem a fez. 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