Política & Economia

O jeito Aécio de governar

Pra quem esteve fora de Minas nos últimos 8 anos talvez seja difícil – ou quase impossível – analisar os dois mandatos do governo Aécio Neves. Depois de 2 governos desastrados como o de Eduardo Azeredo e Itamar Franco, o que viesse teria grandes chances de “ser melhor”.

Mas Aécio, que não é bobo nem nada, como se diz por aqui, tratou de alardear o “choque de gestão” e fez milionários investimentos em publicidade, usada inclusive para incutir mentiras na população (como o “aumento” de 25% para os professores que na verdade não passou da incorporação no salário de um bônus já existente, gerando ganho real de 0%). E, no início dos 2 governos, Aécio “resolveu” governar por “leis delegadas”. Ou seja, aproveitando a imensa maioria na Câmara Legislativa – onde a oposição representa menos de 1/3 – conseguiu carta branca para implantar projetos e reformas sem a necessidade de passar pelo crivo, análise e votos dos deputados.

Aécio é o recordista do uso de leis delegadas em Minas Gerais desde 1985: foram 130 leis. Se isso não é arbitrário, anti-democrático e autoritário, não sei o que é. Eis aí um exemplo legítimo de abuso de poder e mecanismo usado contra a democracia. Algo que a mídia gosta de impingir ao PT. Mas será que – em especial – a mídia mineira, falará algo sobre isso? Impossível. Aécio cooptou todos os principais veículos de comunicação de Minas nestes 8 anos de governo, através dos quais não recebeu nenhuma crítica, questionamento, investigação. E os jornalistas-operários dessa mídia que ousaram escorregar foram sumariamente demitidos. É algo sabido há muito por todo o círculo midiático de Minas Gerais. Nunca foi escondido. Se isso não é uma espécie de máfia e censura – por outros meios – não sei o que é, novamente. Eis o quadro completo de abuso que a mídia tenta colocar no PT e não encontra.

Antônio Anastasia, cria legítima de Aécio, seu braço direito e esquerdo, responsável pelo “Choque de Gestão” e ventríloquo-mor do patrão, “naturalmente” pretende começar a governar da mesma forma que Aécio: através de leis delegadas. Para Anastasia: “a administração pública, por sua natureza, é sempre dinâmica e precisa sempre de um processo de sintonia fina, de ajustes, em razão de novas demandas que surgem, de novos temas que ficam mais necessários, de outros que já foram atingidos. Agora vamos iniciar um terceiro ciclo, que, na realidade, é o desdobramento desses dois, como está no nosso plano de governo”

A oposição na Assembléia mineira atualmente conta com pouco mais de 20 deputados entre 77. Na prática, Anastasia vai continuar fazendo o que seu mestre ensinou: governar do jeito que bem entender, com total subserviência política, da mídia e, por extensão, da população. Que não tem oposição nem na Assembleia, por própria culpa, nem na mídia, cooptada integralmente. O povo de Minas Gerais é o último elo nesta cadeia. Enfraquecido, ignorado, que vê levado até ele estritamente o que o governador e seus asseclas quer que chegue.

Sobre o malfadado “choque de gestão”, seus “benefícios”, ter “zerado o déficit do estado”, a verdade é bem diferente. Reproduzo trecho de notícia do jornal Valor Econômico de 10 de novembro de 2010:

“A situação é mais difícil para os Estados que possuem as dívidas mais altas. A maior é a de São Paulo, cujo estoque passou de R$ 118,4 bilhões em 2006 para R$ 142,1 bilhões em 2010 e relação dívida/receita corrente líquida de 1,46%. Na sequência está Minas Gerais, cuja dívida passou, sob essa mesma base de comparação, de R$ 41,7 bilhões para R$ 54,2 bilhões com relação dívida/receita de 1,71%.

Este é o jeito Aécio Neves – e tucano, como visto – de governar. Com mentiras, abusos de poder, artimanhas, controle da mídia, propaganda enganosa, etc. Algo a ser lembrado desde agora, vide as eleições de 2014, com Neves provável candidato a presidente. Afiar a memória todo o tempo, na política, é mais que necessário, é fundamental. E no caso de uma mídia corrompida, é a única maneira que temos de fazer oposição: os próprios esforços.

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